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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Ceni resgata melhor São Paulo de Diniz, mas com toques pessoais

São Paulo e Corinthians se enfrentam no Morumbi - Marcello Zambrana/AGIF
São Paulo e Corinthians se enfrentam no Morumbi Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

19/10/2021 09h09

Antes de afundar na virada para 2021, com os conflitos na mudança de diretoria e Fernando Diniz implodindo tudo na crise com Tche Tche, além da nítida queda física, o São Paulo era o melhor time do Brasil e foi algoz de Rogério Ceni.

Duas eliminações na Copa do Brasil, com Fortaleza e Flamengo. Contra este, requintes de crueldade nos 5 a 1 do placar agregado. Classificação com autoridade para a malfadada semifinal, já em declínio e parando na retranca do último suspiro do longo trabalho de Renato Gaúcho no Grêmio.

Diniz montava um 4-4-2 com Igor Gomes e Gabriel Sara sendo os motores no meio-campo. Luciano era o atacante que voltava para trabalhar com os meias. Daniel Alves vestia a dez, mas era o "oito", organizando a articulação. Brenner funcionava como uma referência móvel e dinâmica na frente, vivendo fase espetacular nas finalizações. Pelas laterais, mais força pela esquerda com Reinaldo que à direita, com Juanfran.

Protagonismo pela posse, em vários momentos subindo a pressão ou reagindo rápido para recuperar a bola. Marcando por zona, sem as perseguições individuais de Hernán Crespo. Ceni não está imitando Diniz, mas ele sofreu na pele o que deu muito certo no Morumbi há um ano.

Na vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians no Morumbi, a proposta da estreia contra o Ceará ficou mais nítida. Benítez é o camisa oito, mas joga como "dez". Um "enganche", ao contrário de Daniel Alves, mais armador próximo ao volante. Agora Luan é desfalque, então joga Liziero. O meio-campista que auxilia os zagueiros Arboleda e Léo na saída de bola.

Sem "saidinha", com muitos jogadores no próprio campo para auxiliar na construção, como nos tempos de Diniz. Isso desgastava Gomes e Sara, que precisavam preencher um espaço enorme no campo. Agora eles fecham o flanco com o lateral no setor atacado e bloqueiam o meio com Liziero quando o time defende o lado oposto. Movimentos típicos dos "carrileros" no 4-3-1-2.

Na saída de Benítez e entrada de Gabriel Neves, Gomes foi para a esquerda e Sara avançou. Ganhou consistência na marcação mais recuada, com o natural avanço de um Corinthians que não viu a bola no primeiro tempo, e seguiu ameaçando, como no chute de Luciano na trave.

O gol da vitória saiu na descida de Reinaldo pelo corredor esquerdo, como aconteceu tantas vezes nos tempos de Diniz, e encontrou Calleri, como achava Brenner no ano passado. Para fazer justiça ao melhor time no Majestoso. Competitivo, com 18 desarmes, cinco no campo de ataque.

O Corinthians reforçado, porém envelhecido, sentiu a falta das semanas de treinamento com os dois jogos por semana. A queda de desempenho é clara desde a derrota para o Sport e, obviamente, encarar um rival redivivo sem Fagner e Willian acabou pesando.

Nada que tire o mérito do "novo" São Paulo. Que obviamente precisa de ajustes, mas já é possível notar os toques pessoais do treinador campeão brasileiro, mesmo controverso e contestado no Fla. Também a memória da melhor versão tricolor dos últimos anos, o grande time do país no final de 2020.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL