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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Mais uma vez, time de Abel Ferreira supera o de Cuca na força mental

Dudu comemora gol do Palmeiras contra o Atlético-MG na Libertadores - GUSTAVO RABELO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Dudu comemora gol do Palmeiras contra o Atlético-MG na Libertadores Imagem: GUSTAVO RABELO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

29/09/2021 00h04

O jogo no Mineirão foi bem melhor que o do Allianz Parque. Até porque seria quase impossível testemunharmos algo pior.

De novo o Atlético foi o que mais tentou jogar, mas, paradoxalmente, a presença da torcida foi transformando aos poucos a eletricidade no estádio em tensão. No final, em desespero.

Mais uma vez, Cuca tirou a naturalidade de sua equipe no momento decisivo. Tinha sido assim com o Santos menos agressivo na final de 2020 no Maracanã. Agora o Galo apressou a circulação da bola, tentando acionar rapidamente os laterais Mariano e Guilherme Arana ou buscando Hulk para as jogadas individuais. Muitas vezes saltando o trabalho de Nacho e Zaracho na articulação entre as intermediárias.

O Palmeiras na dele, com linha de cinco atrás, Renan na zaga e Piquerez na lateral esquerda. Mais Felipe Melo e Danilo à frente da defesa. À espera de Raphael Veiga e Dudu encostarem no isolado Rony, entre Nathan Silva e Junior Alonso.

A nítida estratégia de Cuca para evitar o contragolpe palmeirense era fazer "faltas táticas". Parar o jogo e recompor. Foram 11 contra uma no primeiro tempo. Poucas chances, jogo tenso.

Melhorou na volta do intervalo, com equipes mais soltas. E o Galo, de novo, quebrou a marcação adversária com Jair pela direita. Foi assim na infiltração que terminou no pênalti sofrido por Diego Costa que Hulk bateu na trave em São Paulo. No Mineirão, aparecendo com liberdade e colocando a bola na cabeça de Vargas, para abrir o placar, aproveitando falha de posicionamento de Marcos Rocha.

E aí vem a grande diferença do confronto. O Palmeiras sentiu o baque, poderia ter sofrido o segundo gol logo em seguida com o mesmo Vargas em rápido contragolpe. Mas manteve a concentração e a proposta de jogo. A convicção de que a oportunidade apareceria.

Apareceu, na substituição que parecia meio sem lógica, tirando Rony, símbolo da conquista no ano passado, e colocando Gabriel Verón. O jovem atacante ganhou de Nathan Silva, que claramente sentiu o jogo e poderia ter sido expulso no primeiro tempo, e rolou para Dudu empurrar para as redes.

O time de Cuca cedeu o contra-ataque para o Palmeiras com vantagem no placar. E entrou em parafuso, mais uma vez. Assim como o treinador atleticano, no Santos, se metendo em uma confusão inacreditável na beira do campo, sendo expulso e dispersando sua equipe, que sofreu o gol nos acréscimos da final no Maracanã.

Cada atleticano tentando resolver sozinho, perdendo a bola e deixando o jogo à feição do Palmeiras. A equipe de Abel poderia até ter virado o placar, caso aproveitasse melhor os contragolpes que ficaram ainda mais rápidos com Wesley no lugar de Veiga.

Nem foi preciso. No final, o desespero total de Cuca com Réver na vaga de Nacho e enfiado como centroavante, bolas na área em profusão. Em 2013 podia fazer sentido, mas esse time do Atlético não joga assim. Simbólica no final a cobrança curta de lateral de Arana tentando trabalhar um último ataque, mas Junior Alonso, em pânico, dando um chutão que saiu pela linha de fundo.

O Galo que sobrou na fase de grupos, sofreu contra o Boca em confronto com arbitragem polêmica e atropelou o River caiu para o atual campeão. Mesmo com 63% de posse, 17 finalizações contra nove, seis a três no alvo. Com a impressão de que foi superior nos 180 minutos.

Cuca de novo perdeu para Abel, mesmo sem ser derrotado desta vez. A cultura de vitória e a força mental pesaram. O Palmeiras está em sua sexta final de Libertadores.

(Estatísticas: SofaScore)

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do que foi publicado, o pênalti no jogo de ida foi sofrido por Diego Costa, e não por Jair. O erro foi corrigido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL