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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Jesus decide na vitória da pressão de Guardiola sobre "ferrolho" de Tuchel

Gabriel Jesus comemora gol do Manchester City contra o Chelsea na Premier League - GettyImages
Gabriel Jesus comemora gol do Manchester City contra o Chelsea na Premier League Imagem: GettyImages
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

25/09/2021 10h57

O Manchester City ainda não havia enfrentado o Chelsea de Thomas Tuchel com time completo na Premier League. A rigor, nas três derrotas anteriores, titulares apenas na final da Liga dos Campeões. Quando Pep Guardiola alterou a formação habitual e novamente se complicou em um duelo decisivo no torneio continental.

Mas liga é a especialidade do treinador catalão, que sabia da importância da partida pela sexta rodada no Stamford Bridge. Era a hora de dar uma resposta contundente ao treinador alemão. E era uma espécie de "tira-teima", depois de três vitórias para cada lado e dois empates nos oito duelos entre eles.

Mesmo no campo adversário, a solução era pressionar. Pressão na saída de bola, pressão pós-perda, pressão sobre Lukaku para não fazer o pivô ou girar e arrancar. Pressão que exigiu o máximo de concentração e entrega física ao jogo. E o City correspondeu.

Com Gabriel Jesus e Grealish abrindo o campo, Walker e Cancelo apoiando mais por dentro, dando suporte a Rodri e um trio de meias girando e abrindo espaços no "ferrolho" montado por Tuchel. Phil Foden era quem se posicionava mais como "falso nove", mas De Bruyne e Bernardo Silva também circulavam e apareciam na área rival.

E pressionavam. O trio de zagueiros e, principalmente, Jorginho. Gerando muito desconforto à principal característica do atual campeão europeu: a transição ofensiva com precisão e muita velocidade. E Tuchel apostou tudo nessa proposta, com Kanté entrando na vaga do lesionado Mason Mount e Werner deixando Havertz no banco para formar dupla com Lukaku. Soluções do ótimo segundo tempo da vitória sobre o Tottenham.

Na prática, porém, a equipe ficou muito presa no próprio campo, sem opções de saída por trás dos meias adversários para estourar em cima de Rodri. Piorou com a saída de Reece James por lesão, ainda no primeiro tempo. Thiago Silva entrou na zaga, Azpilicueta avançou com ala. Mas opção segura de saída pelo lado só Marcos Alonso mesmo, pela esquerda. Bem vigiado por Walker, já que Gabriel Jesus batia com Rudiger.

Primeiro tempo de domínio do campeão inglês, porém sem finalizações no alvo. Segundo de controle absoluto, com mais efetividade na frente. Nove finalizações, quatro no alvo. Nas redes com Gabriel Jesus, que jogou como ponta direita na maior parte do tempo, mas girou como centroavante para bater e a bola desviar em Jorginho para sair do alcance de Mendy.

Tuchel tentou reverter com Havertz e Loftus-Cheek nas vagas de Jorginho e Kanté, mas terminou o jogo sem finalizar na direção da meta de Ederson. Pagou pelo excesso de cautela atuando em casa, ainda que tenha como atenuante justamente a postura do adversário.

O City colocou pressão durante 90 minutos e, enfim, venceu o melhor time da Europa. Na Premier League, Pep Guardiola segue absoluto.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL