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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: PSG se enrola na estreia da Champions. Encaixe do trio não é simples

Messi lamenta durante a partida entre Brugge e PSG, pela Liga dos Campeões -  KENZO TRIBOUILLARD / AFP
Messi lamenta durante a partida entre Brugge e PSG, pela Liga dos Campeões Imagem: KENZO TRIBOUILLARD / AFP
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

15/09/2021 18h28

No Grupo A da Liga dos Campeões, com Manchester City, Paris Saint-Germain e RB Leipzig, quem pretende se classificar precisa vencer as duas contra o Club Brugge, em tese o "fiel da balança".

Na prática, a estreia do time belga apresentou uma equipe bem armada no 4-4-2 ajustado para defender —destaque para Éder Balanta, bem adaptado na função de volante— e acelerando as transições ofensivas com o trio Vanaken, De Ketelaere e Lang.

Jogando simples, porém com eficiência. Com apenas 39% de posse, mas 16 finalizações, seis no alvo. Nas redes com Vanaken, para empatar o jogo ainda no primeiro tempo.

O PSG abriu o placar com Ander Herrera e pouco fez além disso na maior parte do tempo. Decepção na estreia do trio Messi-Mbappé-Neymar. Mesmo descontando o natural desentrosamento, o encaixe não será tão simples.

Porque Neymar não é mais aquele ponteiro dos tempos do Barcelona, embora tenha voltado em alguns momentos pela esquerda, formando duas linhas de quatro. Agora procura mais o jogo por dentro e Mauricio Pochettino parece acreditar mais em mobilidade do brasileiro com Messi por trás de Mbappé, que serviu a assistência do gol em jogada pela esquerda, mas se lesionou e deu lugar a Icardi. Uma perda técnica considerável.

O PSG taticamente lembra muito os times brasileiros dos anos 1990, atuando num 4-3-3 ou no 4-3-1-2. Três jogadores mais adiantados, que participam pouco sem bola e jogam mais por dentro. Por isso os laterais precisam ocupar os corredores inteiros. No caso, Hakimi e Diallo, depois Nuno Mendes, este candidato a titular pela esquerda e de uma revelação no nível de Alfonso Davies, do Bayern de Munique. Voava no Sporting e já entrou muito bem no novo time.

Mas há um efeito colateral: os três meio-campistas precisam ter características de marcação para cobrir todos esses buracos e evitar que estoure na zaga, que contou com Marquinhos e Kimpembe, esperando por Sergio Ramos. Danilo entrou na vaga de Paredes para ficar mais afundado como um terceiro zagueiro.

A consequência natural é deixar muitos espaços entre os setores, além de perder intensidade e rapidez nas transições. Até porque o perde-pressiona não é forte com três na frente que "marcam com os olhos". Bem diferente, por exemplo, do comportamento de Salah-Firmino(Diogo Jota)-Mané no Liverpool de Jürgen Klopp.

É claro que podem desequilibrar pelo talento, mas a primeira impressão contra o time mais frágil do grupo não foi positiva. Apenas nove finalizações, quatro na direção da meta de Mignolet. Na melhor chance, Messi isolou assistência de Nuno. No primeiro tempo, chute do argentino no travessão.

1 a 1 e dois pontos perdidos que podem fazer falta, até para o melhor cenário, de disputa da liderança com o City, que enfiou 6 a 3 no Leipzig em Manchester e já se isola na liderança.

A conferir a evolução na montagem desse quebra-cabeça de encaixar os craques sem comprometer o trabalho coletivo. Parece fácil e a tendência é Pochettino levar a culpa se não funcionar. O desafio, porém, é enorme, até pelo nível de exigência de quem não aceita nada menos que a "orelhuda" inédita para o projeto ambicioso do clube.

(Estatísticas: UEFA)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL