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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Vitória da Inglaterra com gol de Sterling contra o racismo

Sterling comemora gol da Inglaterra contra a Croácia na Eurocopa - Pool via REUTERS
Sterling comemora gol da Inglaterra contra a Croácia na Eurocopa Imagem: Pool via REUTERS
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

13/06/2021 12h17

A torcida da Inglaterra precisou receber um apelo em Wembley para não vaiar o gesto simbólico dos jogadores ajoelhados pelo "Black Lives Matter". A Croácia comunicou, em linhas gerais, que o protesto não fazia parte da cultura do país.

Pois coube ao negro Raheem Sterling, com assistência de Kalvin Phillips, descendente de jamaicanos, o gol único da partida.

Jogo que teve nos primeiros 20 minutos a Inglaterra amassando a vice-campeã mundial. Perde-pressiona intenso, mobilidade e boa técnica. Destaque para o quarteto ofensivo Foden-Mount-Sterling-Kane, uma das grandes atrações desta Eurocopa.

Teve chute na trave de Foden, mas o "English Team" sofreu novamente com uma deficiência histórica: a falta de "punch" para resolver o jogo quando domina totalmente. Também foi difícil entender a opção de Gareth Southgate de improvisar Trippier na lateral esquerda, com Walker pela direita, e deixar Shaw e Chilwell no banco. Sterling procurava a diagonal, abria o corredor e Trippier não tinha o pé esquerdo para cruzar.

Menos mal que a Croácia, embora organizada no habitual 4-1-4-1, variando para o 4-2-3-1 com Modric mais avançado atrás de Rebic, não encontrava grandes soluções ofensivas, sem velocidade nas transições e criatividade para gerar espaços. As mesmas oito finalizações dos ingleses, posse praticamente dividida e os mesmos 85% de acerto nos passes, porém apenas uma conclusão no alvo e nenhuma chance cristalina.

A Inglaterra ganhou espaços com o gol, tentou acelerar na frente com Rashford e Bellingham. Mas, mesmo descontando a tensão da estreia e o adversário mais qualificado, fica de novo a impressão de potencial subaproveitado. Pode entregar muito mais.

Mas desta vez pareciam escritos o placar e o autor do gol. Emblemático contra o racismo que deve ser combatido sempre.

(Estatísticas: UEFA)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL