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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Palmeiras vira "vexame" do avesso usando as dificuldades a seu favor

Rony, autor do gol do Palmeiras, comemora com Luiz Adriano  durante duelo com o Bragantino pelo Paulista - Diogo Reis/AGIF
Rony, autor do gol do Palmeiras, comemora com Luiz Adriano durante duelo com o Bragantino pelo Paulista Imagem: Diogo Reis/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

15/05/2021 08h35

De virtual desclassificado, o Palmeiras é semifinalista do Paulista ao vencer fora de casa o Red Bull Bragantino por 1 a 0, gol de Rony. Três dias depois de superar o Independiente del Valle pelo mesmo placar em Quito e, com o empate por 1 a 1 entre Universitário e Defensa y Justicia, garantir o primeiro lugar do Grupo A da Libertadores com duas rodadas de antecedência. No domingo, o Alviverde venceu a Ponte Preta por 3 a 0 e se classificou para o mata-mata estadual.

Nas duas últimas partidas, adversários com menor poder de investimento - mesmo com o time de Bragança Paulista tendo o suporte de uma "franquia" transnacional. Mas o Del Valle teve 71% de posse e o Bragantino, 52%. E ninguém cobra do Palmeiras imposição de estilo com proposta ofensiva. Pela cultura de jogo nos últimos anos, mas também pelas dificuldades.

"Contra tudo e contra todos" é um lema que pode carregar um pouco de exagero. Afinal, não há nenhum complô contra o atual campeão da Libertadores e da Copa do Brasil. A sequência pesada de jogos faz parte de um calendário aprovado pelo clube, inclusive aceitando jogar a cada 48 horas se fosse preciso. Mas, além da motivação no vestiário, o discurso de superação do treinador Abel Ferreira também tira o peso do favoritismo e a responsabilidade de atacar.

Flamengo, Atlético Mineiro, São Paulo e Internacional chamam para si o protagonismo, pelas convicções de seus treinadores ou por conta do elenco valioso, estelar. O Palmeiras joga com a liberdade de se adaptar ao contexto, sem culpas. Abel chegou ao Brasil e viu o time comandado por Andrey "Cebola" Lopes matar o Galo de Sampaoli e o próprio Bragantino nos contragolpes.

Mais protegido atrás é possível fazer experiências, como Lucas Lima na ala direita em Bragança. Ou mudar o sistema para três zagueiros sem maiores traumas, embora não seja necessariamente defensivo. A ideia segue a mesma: atrair o adversário, trocando passes ou simplesmente se recolhendo atrás, para atacar com velocidade. Contra o Del Valle, na altitude, apenas cinco finalizações. Na vitória no Nabi Abi Chedid foram 16. Com Rony saindo do banco para decidir.

No dérbi de domingo, o mesmo cenário. Como assumir favoritismo jogando apenas dois dias depois, menos de 48h, já que a partida começa às 16h? Na Neo Química Arena, em Itaquera. Para quem parecia eliminado precocemente, o que vier é lucro. E Abel vai tentar novamente usar isso a seu favor na prática, no campo.

A aura de campeão sem brilho ajuda até a desviar um pouco o olhar "guloso" da CBF. Tite convocou apenas Weverton, André Jardine só chamou Gabriel Menino. Raphael Veiga, destaque do time desde novembro, é uma espécie de "craque invisível". Talvez porque Tite e Jardine queiram suas equipes com protagonismo, se instalando no campo de ataque para criar espaços, não explorá-los. E aí o Flamengo é a referência, com quatro convocados.

Melhor para o Palmeiras, que vira o "vexame" do avesso e, com a tranquilidade conquistada na Libertadores, mesmo em um grupo difícil, pode se dedicar na luta por um bicampeonato que parecia improvável. Mas sem alarde e maiores responsabilidades. Quase "zebra" ou "patinho feio", como gosta Abel Ferreira.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL