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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Flamengo goleia, mas na Libertadores não tem "almoço grátis"

Arrascaeta, do Flamengo, comemora gol em cima do La Calera, pela Libertadores - Twitter Conmebol Libertadores
Arrascaeta, do Flamengo, comemora gol em cima do La Calera, pela Libertadores Imagem: Twitter Conmebol Libertadores
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

27/04/2021 21h28

O Flamengo tem o melhor time titular da América do Sul. Jogando completo, ou quase isso, e com seriedade é capaz de vencer e entregar momentos de espetáculo. Como a jogada combinada entre Gerson, De Arrascaeta e Gabigol no primeiro gol. Ou a pintura de Pedro, que substituiu Bruno Henrique, limpou dois marcadores e tocou por cima do goleiro fechando o placar.

Mas os 4 a 1 sobre o Unión La Calera no Maracanã que confirma a liderança do Grupo G deixa novamente uma lição para o time rubro-negro na sequência da Libertadores: não tem "almoço grátis". Ou seja, dificilmente haverá um jogo em que será possível "descansar" em campo, sem concentração e intensidade.

Ficou claro na volta do segundo tempo. Com Valdívia e Sáez, mas mantendo a estrutura do 4-3-1-2, o time chileno adiantou a marcação e aproveitou os espaços às costas da última linha defensiva do bicampeão brasileiro. Passe do lateral Ramírez, Sáez entrou nas costas de Bruno Viana e diminuiu para 2 a 1.

Não complicou a partida porque ficou claro que o La Calera não sustenta intensidade por muito tempo. Nítido no segundo gol, ainda na primeira etapa. Com a desvantagem no placar, a equipe adiantou linhas e atacou como se não houvesse amanhã. Deixou apenas dois defensores contra Bruno Henrique, Gabigol e Arrascaeta, que marcou o segundo em ritmo de treino.

E permitiu que Gabigol tivesse a chance de se redimir segundos depois de acertar a "orelha" da bola ao tentar um chute de cobertura com o goleiro adversário adiantado. Mas na bola roubada, Bruno Henrique serviu o camisa nove, que chegou ao 14º gol pelo Flamengo na Libertadores, ficando a dois de igualar Zico.

No final, a obra-prima de Pedro. Recebendo passe de Vitinho, que substituiu Everton Ribeiro. Fechando uma goleada que se fez tranquila no somatório dos 90 minutos. Mas Rogério Ceni precisa resolver um impasse dentro do "cobertor curto" do futebol: se não pode contar com Rodrigo Caio, único zagueiro confiável do elenco que não consegue jogar com frequência por seguidos problemas físicos, ou o time mantém concentração e intensidade para seguir com linhas adiantadas, ou se prepara para defender com organização no próprio campo e uma posse de bola para se proteger.

Assim evita sustos desnecessários. Mesmo no calendário apertado, que pode ter dez partidas do Flamengo nos próximos 30 dias, é preciso encontrar soluções para seguir se impondo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL