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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Campanha do Palmeiras no Mundial destroi qualquer narrativa de blindagem

Weverton faz defesa durante a partida entre Palmeiras e Al Ahly - Simon Holmes - FIFA/FIFA via Getty Images
Weverton faz defesa durante a partida entre Palmeiras e Al Ahly Imagem: Simon Holmes - FIFA/FIFA via Getty Images

Colunista do UOL Esporte

11/02/2021 14h44

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A campanha do Palmeiras no Mundial foi um fiasco, sob qualquer aspecto. Sem complexo de vira-latas, mas também dimensionando o "feito" inédito de um campeão da Libertadores terminar em quarto lugar. Sem marcar gols em 180 minutos e perdendo nos pênaltis para o Al Ahly.

É claro que o time egípcio, campeão da Liga dos Campeões Africanos, já havia mostrado qualidades na semifinal contra o Bayern de Munique. Ótimo trabalho do lendário treinador Pitso Mosimane e uma equipe de movimentação interessante do quarteto ofensivo na execução do 4-2-3-1 e nunca abdicando do jogo, dentro de suas limitações. Destaque para Taer Mohamed, camisa 27 que circula por todos os setores e faz a equipe jogar.

Mas o time de Abel Ferreira novamente apelou demais para as bolas longas procurando Rony. Mesmo deixando Gabriel Menino no banco para a entrada de Willian, deixando o 4-2-3-1 mais ofensivo, ao menos em tese. Felipe Melo e Patrick de Paula começaram nas vagas de Danilo e Zé Rafael, mas a função da dupla de volantes era a mesma: proteger a defesa e tentar acionar os atacantes com lançamentos.

A mudança descoordenou um pouco a saída de bola e o Al-Ahly teve chances de abrir o placar no primeiro tempo. O Palmeiras só ameaçou no jogo aéreo, com cabeçadas de Rony e Luiz Adriano - uma para fora, outra para defesa do goleiro El Shenawy, a única no alvo em 45 minutos.

O time africano manteve o desempenho com as substituições e Abel Ferreira novamente recorreu ao banco para tentar impor o ritmo, mas a ideia de jogo não mudou. O repertório seguiu limitado, mesmo com Danilo, Gabriel Menino e Gustavo Scarpa nas vagas de Patrick de Paula, Raphael Veiga e Willian, respectivamente. O meio conseguiu ficar um pouco mais com a bola, sem conseguir, porém, ir às redes pela primeira vez no Mundial.

Terminou com 53% de posse e 13 finalizações a seis, 3 a 1 no alvo. O desempenho, porém, foi novamente uma decepção. Tão lamentável quanto os pênaltis perdidos por Rony, Luiz Adriano e Felipe Melo. Weverton dessa vez não conseguiu salvar, apesar da grande defesa na primeira cobrança da série, depois vendo a terceira bater na trave esquerda.

Renegando o campeão sul-americano ao quarto lugar. O pior resultado havia sido o do Atlético Nacional em 2016, vencendo o América do México apenas nos pênaltis depois do empate por 2 a 2. Mesmo descontando o desgaste, a tensão natural, o pouco tempo de trabalho do treinador português e o menor intervalo entre o título da Libertadores e a estreia no Mundial (apenas oito dias) dentro de uma temporada atípica, faltou futebol.

Uma campanha que destroi qualquer narrativa de blindagem ou relativização do fracasso. Principalmente o argumento de que o Tigres foi o melhor adversário de um sul-americano na semifinal nesse formato. O Al-Hilal, comandado por Razvan Lucescu e contando com Gomis, Giovinco e Cuéllar, deu trabalho ao Flamengo no ano passado com atuação semelhante à do Tigres.

Acima deles, o Kashima Antlers de 2016, atropelando o Nacional por 3 a 0 e levando a decisão com o poderoso Real Madrid de Zidane e Cristiano Ronaldo para a prorrogação. Mesmo considerando que era o campeão do país-sede e contava com o apoio da torcida local, o time do ótimo meio-campista Endo sobrou entre os "terráqueos" há quatro anos.

Ainda que o Tigres protagonize uma zebra épica e colossal contra o Bayern, a maneira com que o Palmeiras foi subjugado técnica e taticamente na semifinal e ainda sem conseguir se impor na disputa do terceiro lugar é uma mancha indelével na imagem do futebol sul-americano para o mundo.

É claro que o Alviverde tem muito a celebrar na temporada. E ainda pode comemorar o título da Copa do Brasil. Talvez o futebol pragmático seja suficiente outra vez para superar o irregular Grêmio. Não apaga, porém, a vergonha que passou no Qatar, ainda mais considerando a obsessão do clube e da torcida pelo Mundial. Se não com pretensão de título, mas ao menos uma jornada que dê orgulho. Não foi o caso desta vez. Longe disso.

(Estatísticas: SofaScore)