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André Rocha

Palmeiras firme na rota da tríplice coroa. Corinthians paga pela empolgação

André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

18/01/2021 20h55

Os grandes momentos do Corinthians de Vagner Mancini em jogos contra os favoritos ao título, como nas vitórias sobre Internacional e São Paulo e o empate sem gols com o Grêmio com dois homens a menos, todos em Itaquera, tiveram em comum a proposta reativa.

Linhas recuadas, organização defensiva, muita pressão no adversário com a bola e rápidas transições ofensivas. Nas três partidas, a ausência de Jô forçou a escalação de um quarteto ofensivo veloz que potencializava a ideia com espaços para correr.

Mas antes do dérbi no Allianz Parque houve um marco aparente de mudança de patamar: os 5 a 0 contra o Fluminense na Neo Química Arena. Considerando que o time carioca também briga pelo G-6, o futebol envolvente, combinando a inteligência de Cazares com o trabalho de pivô de Jô e força pela direita, com Fagner ganhando a companhia de Gustavo "Mosquito" Silva dando profundidade às ações ofensivas, consolidou a meta de ir atrás das fases preliminares da Libertadores..

Tudo isso foi levado para o clássico contra o Palmeiras. Acrescentando o jogo aéreo, problema do rival especialmente na volta contra o River Plate, sem Gustavo Gómez. E criou dificuldades, com Jô levando vantagem pelo alto e Gil cabeceando na trave esquerda de Weverton. Empolgação natural pela chance de vencer o rival e avanço instintivo das linhas.

Pagou caro contra o time de Abel Ferreira, que adora espaços para seu estilo de jogo vertical e objetivo. Com Luiz Adriano atacando a profundidade, Willian Bigode circulando a partir da esquerda, Raphael Veiga achando espaços generosos às costas de Gabriel e Cantillo e Gabriel Menino voando em todo corredor pela direita, com Mayke, substituto do suspenso Marcos Rocha, mais fixo na marcação.

Veiga recebeu com liberdade e abriu o placar. Na saída rápida de trás, falha de Fabio Santos na tática do impedimento e gol de Luiz Adriano. Na volta do intervalo, mesmo roteiro e outro do meia central do 4-2-3-1 alviverde que finaliza muito bem e voltou a render depois de uma nítida queda física. Em outra falha, desta vez do volante Gabriel, outro de Luiz Adriano.

4 a 0 que poderia ter virado goleada histórica com as chances perdidas, a manutenção do desempenho mesmo com as substituições, ressaltando novamente o elenco homogêneo, e a vantagem numérica com a expulsão de Gabriel. Terminou com 55% de posse (86% de efetividade nos passes), 15 finalizações a dez - oito a quatro no alvo.

Mas serviu para mostrar que o Palmeiras ainda pisa firme em temporada que pode ser épica, sem precedentes. Finalista da Copa do Brasil e da Libertadores e muito vivo no Brasileiro - sem contar o título paulista depois de 12 anos, vencendo esse mesmo Corinthians na decisão. Na época comandado por Tiago Nunes.

Agora, Mancini sofre sua pior derrota, considerando a rivalidade. Em um jogo que lembrou o maior placar: 5 a 1 impostos pelo Flamengo em Itaquera. Com o time alvinegro pecando novamente ao encarar uma equipe mais qualificada de peito aberto. O Palmeiras faz tudo parecer possível superando oponentes e adversidades com incrível capacidade de competir. Quem não respeitar vai pagar.

(Estatísticas: SofaScore)