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André Rocha

Galo é mais um candidato ao título que enfraquece assim que entra em campo

Keno tenta se livrar da marcação durante Red Bull Bragantino x Atlético-MG em jogo do Brasileirão - LUCIANO CLAUDINO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO
Keno tenta se livrar da marcação durante Red Bull Bragantino x Atlético-MG em jogo do Brasileirão Imagem: LUCIANO CLAUDINO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

12/01/2021 07h12

O Atlético Mineiro foi o último dos candidatos ao título brasileiro a entrar em campo pela 29ª rodada. Viu Palmeiras se aproximar com a vitória sobre o Sport em Recife por 1 a 0 e o Internacional ultrapassar após o triunfo em casa sobre o Goiás pelo mesmo placar. As derrotas de São Paulo e Flamengo, porém, foram um alento e mantiveram tudo embolado.

A sensação de "agora vai!" tinha como combustível a vitória por 2 a 0 sobre o Coritiba e um período de 16 dias sem jogos, com tempo de sobra para descanso, recuperação e treinamentos, não só para melhorar o desempenho geral, como também para estudar e trabalhar com foco no Red Bull Bragantino. Adversário em ascensão depois da boa atuação, mesmo com derrota, contra o Palmeiras e os 4 a 2 aplicados sobre o líder São Paulo. Apesar dos oito desfalques que obrigaram o treinador Mauricio Barbieri a mudar a formação inicial.

Mas o time de Jorge Sampaoli foi mais uma decepção nesta busca por solidez entre as equipes na parte de cima da tabela. Mesmo considerando que era o visitante e a superioridade em posse (56%) e finalizações - 19 a 11, seis a quatro no alvo.

Porque o Galo circulou a bola na maior parte do tempo buscando as combinações pelos lados sem a criatividade de muitos momentos. Savarino e Keno nas pontas, os laterais Guga e Guilherme Arana dando suporte mais por dentro do que no corredor buscando o fundo. E tome cruzamentos na área adversária! Desta vez foram 33.

Dificuldades novamente na transição defensiva quando o adversário consegue sair da pressão pós-perda e, principalmente, falhas no jogo aéreo. Perdeu 14 dos 24 duelos pelo alto e sofreu dois gols desta forma: Ryller e Edmar, um em cada tempo. Erros recorrentes de posicionamento, desconcentração e até de orientação corporal nas disputas.

O Atlético passou por um surto de Covid-19 e ainda não há informações precisas sobre o impacto a longo prazo da doença nos atletas, mas a oscilação na intensidade, marca dos trabalhos de Sampaoli, é nítida. Interfere diretamente no trabalho coletivo. Incrível como o time não evolui com o tempo de trabalho, ao contrário do Santos no ano passado, também comandado pelo argentino.

O gol de Savarino foi um lampejo das ações ofensivas que antes eram mais comuns: jogada bem coordenada pela esquerda, cruzamento rasteiro encontrando a área do oponente bem preenchida e o ponteiro venezuelano fazendo a diagonal para se juntar a Vargas na zona de finalização e colocar nas redes.

Ao menos um pontinho foi salvo, o suficiente para manter a terceira colocação, com 50. No pênalti convertido por Hyoran no último lance da partida. Falta de Ramirez em Arana confirmada com auxílio do VAR. Comemoração do meia atleticano homenageando Reinaldo, grande ídolo do clube que completou 64 anos. Mas os 2 a 2 não dão razão para muitas celebrações. A rigor, foi mais uma oportunidade desperdiçada de se colocar como postulante ao título.

E assim vai o atípico Brasileirão 2020 em janeiro do ano seguinte. Um time parece fortalecido até a hora em que entra em campo. Sintomático.

(Estatísticas: SofaScore)