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André Rocha

Botafogo paga pelo erro grosseiro de esperar por Ramón Díaz

Ramón Díaz (centro), na apresentação como técnico do Botafogo - Reprodução/BotafogoTV
Ramón Díaz (centro), na apresentação como técnico do Botafogo Imagem: Reprodução/BotafogoTV
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

26/11/2020 09h50

"Na segunda vão ver algo diferente".

Foi a promessa do argentino Ramón Díaz na apresentação como novo treinador do Botafogo. Era dia dez de novembro, uma terça-feira. "Na segunda" ele se referia ao jogo contra o Red Bull Bragantino, no dia 16.

O problema é que ele prometeu mudanças sem estar presente. Díaz foi apresentado, mas teve que voltar para a Argentina e realizar um procedimento cirúrgico. Ausência com previsão inicial de dez dias, mas o técnico deve começar a trabalhar efetivamente na segunda-feira, dia 30. Ou seja, serão vinte dias com um novo comando técnico, mas de longe.

Não é culpa do argentino, já que o Botafogo negociou sabendo do contexto. Mas o fato é que esse tempo perdido pode jogar a temporada fora, com um rebaixamento que seria a pá de cal para um clube em penúria financeira, que respira por aparelhos esperando o "milagre" do projeto Botafogo S/A , tábua de salvação do novo presidente, Durcesio Mello, eleito nesta terça-feira.

É claro que Díaz confia e manteve contato com seu filho, Emiliano, que ficou à frente do time neste período. Mas o "fato novo" que normalmente provoca uma mudança de ânimo e poderia render pontos preciosos para sair do Z-4 perdeu boa parte do impacto. Para um clube em crise financeira e institucional, qualquer atraso parece abandono.

O resultado prático em campo foram três derrotas: 2 a 1 para o Bragantino, no que seria o "jogo da mudança", e o mesmo placar adverso contra Fortaleza e Atlético-MG. As duas primeiras em casa, a terceira como visitante, mas contra um adversário esfacelado pela Covid-19, inclusive sem Jorge Sampaoli à beira do campo. Aliás, o Botafogo passou incólume do surto de coronavirus nas últimas rodadas.

O que falta é futebol. Também o poder de reação e a capacidade de competir vistos em outros momentos da temporada, mas que vão definhando a cada rodada. No Mineirão, o Galo era ofensivo, mas sofria com o desentrosamento por conta dos muitos desfalques, errava passes e cedia espaços para contragolpes. Mas armado num 4-1-4-1 com Pedro Raul isolado e os ponteiros Marcinho e Warley muito recuados, o Botafogo era pouco intenso e não incomodava nas transições ofensivas.

No final, uma tentativa descoordenada de "abafa", porém sem efetividade. Apenas quatro finalizações, incluindo o gol de Marcelo Benevenuto. Na bola parada que foi a única maneira de incomodar a meta atleticana. Muito pouco para quem precisava pontuar desesperadamente.

Agora são 22 jogos e apenas 20 pontos. Aproveitamento de 30%. Na conta de 45 para fugir do rebaixamento, serão necessários mais 25 em 16 partidas. Ou seja, ganhar 52% dos pontos. Nada impossível, mas a cada dia fica menos provável.

É claro que Ramòn Díaz pode chegar, mudar o ambiente e o time até o próximo jogo, só no dia 5 de dezembro. E uma vitória no clássico contra o Flamengo no Estádio Nílton Santos tem potencial para virar tudo do avesso e marcar o início de uma arrancada. Ainda assim, os pontos deixados no caminho serão difíceis de recuperar.

Acertar com novo treinador e esperar 20 dias para contar com ele, no caso do Botafogo, foi um erro grosseiro. Agora é correr atrás do enorme prejuízo.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL