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André Rocha

Bayern vence Supercopa, mas Sevilla já oferece respostas ao time dominante

Goretzka comemora gol do Bayern de Munique contra o Sevilla na Supercopa da Uefa - BERNADETT SZABO / POOL / AFP
Goretzka comemora gol do Bayern de Munique contra o Sevilla na Supercopa da Uefa Imagem: BERNADETT SZABO / POOL / AFP
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

24/09/2020 19h03

O Bayern de Munique sentiu a ausência de Thiago Alcântara, negociado ao Liverpool. Qualquer time do mundo sofreria, mesmo com Kimmich entrando no meio e Pavard ocupando a lateral direita. Hans-Dieter Flick ainda tinha Boateng e Alphonso Davies no banco. Süle iniciou na zaga e Lucas Hernández na lateral esquerda.

Mas a equipe que dominou a temporada passada com a tríplice coroa e campanha 100% na Liga dos Campeões é versátil e inteligente para ser competitiva em qualquer cenário. De novo a mobilidade do quarteto ofensivo, com os pontas Sané e Gnabry alternando pelos flancos, Muller circulando por todos os setores e Lewandowski na referência, mas também abrindo espaços.

Sustentados por laterais e meio-campistas muito adiantados, os zagueiros construindo também avançados para garantir volume de jogo. Na perda, muita pressão para recuperar o mais rápido possível e, de preferência, definir rapidamente o contragolpe para não dar chance ao oponente. O estilo "saque e voleio" que amassou os adversários em 2019/20.

Só que além de ser início da temporada 2020/21, apesar da brevíssima pausa, o que sempre torna o ritmo menos frenético, o time bávaro começa a pagar o preço do impacto de ser a nova referência mundial, O time mais estudado, dissecado. Com os rivais ainda mais obcecados pela análise nos mínimos detalhes.

O Sevilla de Julien Lopetegui baseou sua proposta na final da Supercopa da Europa em dois pilares: setores muito compactos, estreitando a última linha defensiva. Os laterais Navas e Escudero ficavam próximos dos zagueiros Koundé e Diego Carlos. Cabia aos ponteiros Suso e Ocampos recuarem para bloquear a profundidade dos laterais ou até dobrar a marcação sobre os ponteiros.

No meio-campo, Fernando e Jordán se concentravam na infiltração dos meio-campistas, especialmente Goretzka. E Rakitic ora se juntava a De Jong numa tentativa de pressionar a saída de bola, ora recuava e se juntava a Jordán, com Fernando também afundando, quase como um terceiro zagueiro. Ou seja, a evolução da retranca "inteligente" de José Mourinho na década passada.

Ao recuperar a bola, um cuidado absoluto com o passe na transição ofensiva. Tanto para tentar surpreender com igualdade ou superioridade numérica no contragolpe, como não perder e levar a resposta letal do melhor time do planeta. Uma tarefa que exige concentração absoluta.

O Sevilla deu boas respostas em Budapeste, na maior parte dos 120 minutos de disputa. No primeiro tempo aproveitando a vantagem conquistada logo aos cinco minutos, no pênalti de Alaba sobre Rakitic que OCampos, o melhor do time espanhol, converteu com calma a precisão.

Foi a senha para o Bayern se instalar no campo de ataque, com coragem, porém correndo risco permanente. Abusando de Neuer tanto como opção de saída, de desafogo no recuo da bola e também de cobertura da zaga adiantada. De tanto insistir empatou com Goretzka, em bela combinação de Muller e Lewandowski, que serviu o meio-campista artilheiro.

Um primeiro tempo de 62% de posse do Bayern e sete finalizações contra uma, quatro no alvo. 82% de efetividade nos passes e 27 recuperações de bola contra 24. Domínio claro pelos números, mas quase sempre no fio da navalha.

Equilíbrio tático e estratégico que ficou mais claro na segunda etapa, com o Bayern cansando, sentindo emocionalmente também os dois gols (bem) anulados e com Flick estranhamente fazendo apenas uma troca: Sané por Tolisso, que entrou no meio. Muller passou a alternar nas pontas com Gnabry e o time seguiu atacando, mesmo muito desgastado.

Poderia ter pagado no final, com En-Nesysri, que entrou na vaga de Luuk De Jong, recebendo livre de Navas, mas parando no fantástico Neuer, que também trabalhou no início da prorrogação, em novo duelo com o atacante marroquino. Desvio com pé do goleiro e bola na trave.

Foi a última grande oportunidade do Sevilla. Porque enfim Flick usou o banco e, com Davies voando pela esquerda e Javi Martínez reoxigenando o meio na vaga de Goretzka, o Bayern amassou até o gol do título, de Martinez - que foi às redes também na decisão de 2013, levando para os pênaltis contra o Chelsea no outro título de Supercopa do clube.

Confirmando mais uma conquista, porém sem rolo compressor e necessitando de tempo extra. Mesmo com 61% de posse e 16 finalizações a seis, o Bayern viu que as resistências serão maiores no mais alto nível de enfrentamento. Natural para o "time da moda" em tempos de tanto estudo e informações circulando.

O Sevilla hexacampeão da Liga Europa mostrou que há respostas para enfrentar o time dominante. Ainda bem que elas sempre aparecem e ajudam na evolução do futebol. O esporte agradece.

(Estatísticas: UEFA)