PUBLICIDADE
Topo

Palmeiras faz história na Bolívia compensando altitude com inteligência

Gabriel Menino comemora gol marcado pelo Palmeiras sobre o Bolívar em jogo da Libertadores 2020 - David Mercado - Pool/Getty Images
Gabriel Menino comemora gol marcado pelo Palmeiras sobre o Bolívar em jogo da Libertadores 2020 Imagem: David Mercado - Pool/Getty Images
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros ?1981? e ?É Tetra?. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

16/09/2020 23h45

O Bolívar não entrava em campo para um jogo oficial desde março, mas não dava para considerar uma vantagem do Palmeiras jogando a 3.600 metros do nível do mar. Ainda mais com os desfalques dos desgastados Patrick de Paula e Luiz Adriano, destaques da equipe nos últimos jogos. Lucas Lima, também de fora por contusão, foi outro desfalque importante, até pela fase de recuperação.

Por isso Vanderlei Luxemburgo montou a equipe para jogar com inteligência: variando o 4-3-3/4-1-4-1 com duas linhas de quatro. Zé Rafael saía do meio para ajudar Viña pela esquerda. Com Ramires, o volante mais fixo à frente da defesa, também auxiliando, além da cobertura de Gustavo Gómez.

Tudo isso para dar liberdade a Rony como válvula de escape nas transições ofensivas, queimando etapas na construção dos ataques sem desgastar todo o time. O ponteiro guardava fôlego para os "sprints" nas bolas longas.

Em uma delas, o pênalti sofrido em falta tola do zagueiro Adrián Jusino. Willian bateu bem, construindo uma vantagem fundamental para controlar a partida.

O Bolívar forçava pela direita, com Bejarano e Saavedra buscando os cruzamentos para Arce e Riquelme. Mas sem ritmo e criatividade, facilitou o trabalho do organizado sistema defensivo alviverde. Só fazendo sofrer no final, com o natural desgaste da equipe brasileira, mesmo com cinco substituições.

No escanteio, o gol de Riquelme no final. Uma das 17 finalizações da equipe boliviana, porém sem muitas chances claras. Mesmo com 63% de posse. Só ameaçou no "abafa" em busca do empate.

Porque o Palmeiras abriu 2 a 0 com um golaço de Gabriel Menino, em chute espetacular do garoto que mostra o acerto da direção do clube ao aproveitar mais os jovens oriundos da base, com a confiança de Luxemburgo, que usa seu nome e sua história do clube como "escudo". O primeiro gol de Menino no profissional veio em momento essencial.

Para fazer história encerrando um jejum brasileiro de vitórias como visitante contra o Bolívar pela LIbertadores que durava 37 anos, desde o Grêmio de Espinosa e Renato Gaúcho campeão em 1983. Mesmo ainda oscilando em desempenho, apesar da invencibilidade de 15 partidas, o Palmeiras vai ganhando uma cara.

Mesclando juventude e experiência e aproveitando a força do elenco. Com espaço para acelerar, Rony foi destaque e pode ser uma peça recuperada para a sequência pesada de jogos que começou bem na Bolívia.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL