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André Rocha

Luxemburgo pode ser decisivo para o Palmeiras na tensa final paulista

Vanderlei Luxemburgo antes de partida entre Palmeiras e Ferroviária, em março de 2020 - Bruno Ulivieri/AGIF
Vanderlei Luxemburgo antes de partida entre Palmeiras e Ferroviária, em março de 2020 Imagem: Bruno Ulivieri/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

04/08/2020 08h04

Uma decisão entre os maiores rivais é um mundo à parte nos combalidos estaduais. Talvez seja o maior argumento de defesa destes, ainda que em muitos estados haja garantia de pelo menos dois confrontos pela Série A do Brasileiro.

Palmeiras e Corinthians criaram um "universo paralelo" ainda maior. Pelas conquistas recentes de ambos - ganharam quatro edições dos últimos cinco campeonatos brasileiros, sem contar a Copa do Brasil do Palmeiras em 2015 e o tricampeonato paulista dos corintianos. Roubaram o protagonismo nacional do São Paulo e local do Santos.

O retrospecto favorável do Corinthians nos confrontos decisivos dos últimos anos, a polêmica sobre a arbitragem da final de 2018 e agora essa discussão em torno dos testes da Covid-19 - onde, eticamente, o Corinthians está errado por não testar, mesmo concentrado, e o Palmeiras por relaxar o isolamento social - tornou tudo ainda mais tenso.

Neste cenário, a presença de Vanderlei Luxemburgo pode ser importante para o Palmeiras. Não exatamente em relação ao desempenho do time em termos técnicos e táticos, embora tenha demonstrado evolução na vitória por 1 a 0 sobre a Ponte Preta e as oportunidades dadas aos jovens Gabriel Menino e Patrick de Paula, que melhoraram a produção coletiva, sejam um mérito do treinador veterano.

Mas diante do peso no aspecto mental da cobrança por resultados contra o maior rival e para conquistar o Paulista depois de 12 anos, pode ser muito importante para os jogadores ter diante de si no vestiário o técnico presente nos últimos quatro títulos do clube. Que comandou a equipe no fim do jejum de quase 17 anos em 1993. Justamente contra o Corinthians e também num sábado - o segundo jogo será no dia 8 de agosto, no Allianz Parque.

Para quem está longe do olho do furacão pode soar como mera superstição ou misticismo. E os discursos motivacionais de Luxemburgo nos vídeos disponíveis pelos clubes em que trabalhou parecem mesmo um compilado de clichês já surrados. Mas na hora do frio da barriga do atleta e do medo de fracassar novamente contra o adversário que torcedores e dirigentes mais querem vencer, ouvir e sentir por perto alguém que já ganhou muitas vezes o clássico e faturou 13 estaduais na carreira pode transmitir a confiança que vem faltando.

O Corinthians entra leve e confortável. É o maior vencedor do Paulista, tricampeão e nem contava mais com essa classificação que, antes da pandemia, parecia ainda mais improvável. Deve fazer um jogo reativo, esperando os erros do Palmeiras - como o vacilo da marcação na bola parada e a falha de Weverton no gol de Gil que decidiu o clássico há duas semanas. A responsabilidade é menor.

Todo o peso está com o Palmeiras e a tarefa do seu treinador não é simples. Passar confiança, cobrar concentração e intensidade, tentar incutir uma autoridade que vem faltando nos dérbis. Mas sem pilhar demais para que a fibra não se transforme em truculência e desespero. Sanguíneo, mas na medida certa. Missão para um profissional experiente e vencedor, ainda que as maiores glórias morem num passado distante.

Pelo contexto, o título paulista, ou a vitória sobre o Corinthians valendo taça, pode ser uma espécie de redenção para Vanderlei Luxemburgo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL