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Quem é o jogador da NBA acusado de terrorismo e que tem medo de ser morto

Enes Kanter, durante partida pelo New York Knicks - Mike Stobe/Getty Images/AFP
Enes Kanter, durante partida pelo New York Knicks Imagem: Mike Stobe/Getty Images/AFP

Do UOL, em São Paulo

18/01/2019 04h00

Enes Kanter já está na NBA desde 2011, mas vem ganhando os holofotes não pelo desempenho dentro de quadra, e sim pelas polêmicas. O jogador turco atualmente defende o New York Knicks e é crítico declarado do presidente de seu país, Tayyip Erdogan. Por conta disso, coleciona episódios conturbados com o governo turco. No último deles, o pivô foi acusado de terrorismo e viu procuradores pedirem sua extradição para a Turquia.

Kanter apoia o clérigo Fethullah Gulen, acusado por Erdogan de liderar um fracassado golpe militar, em 2016, o que provocou o conflito com o governo de seu país. Erdogan chegou ao poder na Turquia em 2003 e, após 11 anos como primeiro-ministro, se tornou o primeiro presidente eleito por voto direto em 2014. Após superar a tentativa de golpe em 2016, foi reeleito em 2018 com 53% dos votos em uma eleição que é contestada pela oposição.

Por conta da relação com Gulen, o pai do jogador, Mehmet, escreveu uma carta em 2016 publicada em um jornal a favor do governo e contra o próprio filho. "Com um sentimento de vergonha, eu peço desculpas ao nosso presidente e ao povo turco por ter um filho desses", escreveu. Porém, em 2017, o governo turco expediu um mandado de prisão contra Mehmet e o acusou de ter contatos com uma organização considerada terrorista.

Erdogan - Stringer/Getty Images - Stringer/Getty Images
Erdogan, presidente da Turquia
Imagem: Stringer/Getty Images

O pivô dos Knicks lamentou o ocorrido na época e chamou Erdogan de "Hitler do nosso século". "Alô mundo, meu pai foi preso pelo governo turco, é o Hitler do nosso século. Ele corre risco de ser torturado como outros milhares [de presos na Turquia]", escreveu Kanter no Twitter. No mesmo ano, um procurador pediu a prisão do pivô por insultos a Erdogan no Twitter.

As represálias da Turquia contra Kanter não pararam. Ele teve seu passaporte turco revogado, foi declarado fugitivo e chegou a ficar detido em um aeroporto na Romênia justamente após o passaporte ser cancelado.

Novo ano e novas polêmicas. No início de janeiro de 2019, Kanter disse que não iria a Londres, na Inglaterra, para disputar um jogo dos Knicks porque teme ser assassinado por criticar Erdogan. Oficialmente, a franquia anunciou que Kanter não viajaria por um problema no visto.

A declaração rendeu outro conflito, desta vez com o ex-jogador da NBA Hedo Turkoglu, que agora trabalha para o governo turco. Em comunicado, Turkoglu criticou o pivô dos Knicks. "Kanter não pode entrar no Reino Unido não por temer pela vida, como ele alega, mas devido a questões de visto e passaporte. Isso constitui outro exemplo da campanha de difamação política que Kanter vem conduzindo contra a Turquia. É óbvio que as observações desta pessoa são irracionais e distorcem a verdade", declarou o ex-ala do Orlando Magic.

Já nesta semana, procuradores turcos pediram a extradição de Kanter devido a ligações com Gulen. A agência de notícias estatal Anadolu disse que procuradores haviam solicitado a emissão de um 'alerta vermelho' da Interpol para localizar e prender o jogador para extradição.