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"Ursinho Puff" troca EUA pela Ucrânia, vira herói e se destaca no Mundial

Eugene "Puff" Jeter é o destaque da Ucrânia no Mundial masculino de basquete  - EFE/Alfredo Aldai
Eugene "Puff" Jeter é o destaque da Ucrânia no Mundial masculino de basquete Imagem: EFE/Alfredo Aldai

Do UOL, em São Paulo

05/09/2014 06h00

A Ucrânia disputou o seu primeiro Mundial de basquete desde a dissolução da União Soviética. Mas muito se engana quem pensa que a equipe sentiu a pressão por disputar a competição pela primeira vez e foi saco de pancada. Mesmo sem vaga para as oitavas de final no grupo C, a seleção europeia teve uma surpreendente campanha e deve boa parte disso a um herói inusitado: Eugene “Puff” Jeter.

Com média de 15,4 pontos e 5 assistências (uma das melhores do torneio), o armador foi o principal nome da Ucrânia, mas o que realmente chamou atenção foi o curioso apelido. O jogador passou a ser chamado de “Ursinho Puff” pela sua avó, que antes de morrer dizia que ele era uma versão mais morena do famoso personagem do desenho animado. O que parece ser incomodo para alguns, virou um amuleto. Como uma espécie de homenagem para a avó, Eugene adora ser chamado pelo nome do urso, tanto que até o site oficial do torneio o trata dessa forma.

As comparações entre o armador e personagem param por aí. Se Puff é um urso pra lá de tranquilo, Eugene infernizou os adversários dentro de quadra e volta para casa como um ídolo do esporte local. Não apenas pelo talento demonstrado, mas também por representar os ucranianos mesmo sem ter nascido no país europeu.

Na verdade, Eugene nasceu nos Estados Unidos e por lá ficou até 2007, quando sua vida começou a mudar. Sem conseguir destaque e entrar para a NBA, ele foi parar no BC Kiev, da Ucrânia. A relação com o país foi tão boa que o presidente da federação local ofereceu a chance de ele se naturalizar. E o atleta não pensou muito antes de trocar de pátria, virando Yudzhin Dzheter na língua local.

“Quando eu disse aos meus pais eles pensaram: ‘Por que eles escolheram você?’. Nós nos sentimos honrados, de verdade. Eu já conhecida pessoas da Ucrânia desde muito cedo. Estou feliz com minha escolha. Eu nunca tive a chance de representar os Estados Unidos. Eu recebi essas cores com a mesma emoção de quem joga por qualquer outro time: você vai lá, joga duro e tem certeza de que fez seu trabalho. É gratificante, uma honra”, afirmou em entrevista ao Hoopshype.

O armador ainda rodou pelo basquete espanhol antes de realizar o sonho de atuar na NBA, em 2011. Só que o sucesso na principal liga do mundo não veio e ele deixou o Sacramento Kings para voltar a clubes menores da Europa. Hoje com 30 anos e atleta do chinês Shandong Lions, “Puff” encontrou seu melhor jogo na seleção ucraniana. 

Eugene não é ídolo apenas no novo país, mas também dentro da própria família. Ele é o espelho da irmã mais nova: a campeã olímpica e tri mundial de atletismo Carmelita Jeter. Tanto que a garota tentou jogar basquete durante anos antes de apostar na atual profissão. 

A primeira grande competição dele com a Ucrânia foi o Campeonato Europeu de 2013. E o resultado foi animador. Com médias de 13,5 pontos e 4,1 assistências, o atleta foi fundamental na campanha que terminou com o sexto lugar. A glória veio com a classificação para o Mundial e só aumentou a cada exibição de Eugene.

No entanto, quis o destino que o conto de fadas ucraniano terminasse em uma partida que mexeu com o coração do armador. Pela primeira vez em uma competição oficial, “Puff” enfrentou sua antiga pátria. E não teve sorte. A Ucrânia foi derrotada por 95 a 71 e acabou eliminada na combinação de resultados da última rodada do grupo C. O armador ainda ficou abaixo da média, com apenas 13 pontos e duas assistências.

Os ucranianos encerraram a campanha com duas vitórias e três derrotas no torneio. Mesmo assim, Eugene comemorou seu primeiro Mundial e agradeceu o grande apoio recebido dos torcedores de sua nova casa.

“Obrigado a todos por todo amor e apoio. Eu realmente agradeço do fundo do meu coração. Paz e bênçãos a todos”, se despediu o armador em uma frase que poderia facilmente ser dita pelo carismático urso do desenho animado. 

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