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Na Sérvia, 'aquário' de microalgas atua como árvore na despoluição do ar

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Imagem: Divulgação

Maiara Marinho

Colaboração para Ecoa, em São Paulo

06/05/2022 06h00

Com 2 m², sobre uma construção de aço em cor cobre, um tanque de vidro laminado ilumina o centro de Belgrado, na Sérvia, enquanto auxilia na despoluição do meio ambiente. O LIQUID3, como foi batizado, é um fotobiorreator urbano responsável por absorver dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e o transformar em oxigênio (O2). Isso é possível graças às microalgas que vivem — e realizam fotossíntese — dentro dele.

Em entrevista a Ecoa, Ivan Spasojevic, líder da equipe que desenvolveu o LIQUID3, afirma que o equipamento equivale a uma árvore adulta ou 200 metros quadrados de gramado no que se refere à sua capacidade de remoção de CO2 da atmosfera. De acordo com o pesquisador, as microalgas possuem de 10 a 50 vezes maior eficiência na fixação do carbono do que as plantas terrestres.

O fotobiorreator — que funciona até mesmo em temperaturas abaixo de zero devido aos aquecedores que impedem o congelamento da água — também remove metais pesados que estão presentes no ar urbano. Segundo Spasojevic, "aproximadamente 1000 metros cúbicos de ar da cidade são purificados do chumbo, cádmio e outros metais pesados por mês".

Ele alerta, no entanto, que o LIQUID3 não se destina a substituir as árvores. "A ideia é encher os bolsões urbanos que podem não permitir, por falta de espaço ou outras razões, os métodos tradicionais de ecologização".

Além de ajudar a purificar o ar, o fotobiorreator ilumina o ambiente e permite carregar o celular com energia solar - Divulgação - Divulgação
Além de ajudar a purificar o ar, o fotobiorreator ilumina o ambiente e permite carregar o celular com energia solar
Imagem: Divulgação

Produção em série

O equipamento foi desenvolvido no Instituto de Pesquisa Multidisciplinar da Universidade de Belgrado. Além de Ivan Spasojevic, professor do Departamento de Ciências da Vida, a equipe é composta pela arquiteta Danica Stojiljkovic e pela cientista Marina Stanic.

O protótipo do sistema LIQUID3 está instalado em Belgrado há 9 meses. "Ele demonstrou ser totalmente funcional, seguro, e bem integrado à paisagem urbana", comenta Ivan. A expectativa é fazer uma produção em série. "Recebemos um grande interesse de todo o mundo, como Irlanda, Polônia, Brasil, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos".

Eleito pelo Climate Smart Urban Development, do Programa da ONU para o Desenvolvimento, como uma das mais inovadoras soluções climáticas, o projeto também foi indicado na categoria Green Concept, do Green Product Award 2022.

Crise climática

As mudanças climáticas estão na agenda de países do mundo todo há algumas décadas, mas os principais fatores responsáveis pela emergência do clima variam de acordo com o tipo de produção predominante em cada país.

Em uma pesquisa feita pelo International Carbon Brief, em 2021 o Brasil ficou em 4° lugar no ranking de emissão de poluentes decorrente do desmatamento e manuseio do solo, enquanto os EUA, China e Rússia foram os três primeiros, respectivamente, no ranking de emissões de combustíveis fósseis.

Na Sérvia, a queima de carvão é um dos principais responsáveis pela poluição do ar. Nesse sentido, Ivan Spasojevic comenta que "a ciência pode ajudar a abrandar o problema das alterações negativas do clima e do ambiente ao desenvolver pesquisas teóricas para aplicar em soluções práticas. No entanto, as políticas públicas têm de fazer grandes mudanças o mais rapidamente possível".

A equipe da Universidade de Belgrado acredita, segundo o professor, "que o trabalho sobre o fotobiorreator urbano pode ajudar a mitigar a forte poluição do ar urbano, que é essencial para o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida".