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"Estamos começando a ver a sexualidade mais como espectro", diz CV Viverito

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Júlia V. Kurtz

Colaboração para Ecoa, de Passo Fundo (RS)

19/06/2021 06h00

Uma reflexão sobre o futuro da força de trabalho e a importância de se trabalhar para uma organização que fomente o pensamento inovador, desenvolva habilidades e contribua de forma positiva à sociedade foi o tema do debate "Transgêneros e o Futuro do Trabalho", no terceiro dia da 4a Marcha do Orgulho Trans, organizada pelo Instituto [SSEX BBOX] e com programação transmitida ontem (18) em Ecoa.

Participaram da mesa o fundadore da Marcha do Orgulho Trans, Pri Bertucci; a professora de psicologia do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Jaqueline Gomes de Jesus; diretore associado de iniciativas globais da Out & Equal Workplace Advocate, CV Viverito, e a recrutadora sênior com foco em diversidade do grupo Salesforce, Luana Gimenez.

CV apontou que a geração Y deve representar 65% da força de trabalho global até 2025. Estas pessoas, acrescenta elu, não acreditam que o governo está se esforçando o suficiente para resolver os problemas da sociedade, um papel que deve ser desempenhado pelo poder privado. Elas querem trabalhar para empresas que representem seus valores.

Nos Estados Unidos, segundo CV, um estudo recente mostrou que uma em cada seis pessoas da geração Z se identificam como LGTQIA+ e, destes, 72% se dizem bissexuais. Para elu, este é um aumento significativo em relação às gerações anteriores. "Isto demonstra que estamos começando a ver a sexualidade mais como espectro e menos como o binário gay/lésbica ou heterossexual", completa.

Jaqueline lembrou que a identidade da pessoa não se desfaz quando ela vai ao trabalho, seja sua cor, história ou origem. Isso se soma ao fato de que os profissionais disponíveis no mercado estão evoluindo mais rápido do que as empresas conseguem acompanhar. "É inescapável para qualquer organização de trabalho lidar com a diversidade. Não é uma questão de justiça social ou de lucro e sim de sobrevivência no mercado do futuro", afirma.

Luana, em sua fala, reforçou o quanto esses dados são importantes, explicando que eles representam uma realidade que as empresas não podem mais ignorar. Ela afirma que a sociedade está passando por uma mudança que precisa ser entendida e receber investimento tanto quanto pesquisa e desenvolvimento.

Ela acrescenta que a vida é fluída em suas formas de expressão, seja nos descobrimentos científicos, sexualidade ou expressão de gênero. "Por trás de toda a automatização, uma empresa é feita de pessoas que vivem em uma sociedade de economia colaborativa, então precisa haver espaço para o que já existe e também para o que vai existir", diz.

A segunda mesa tratou da importância do uso da comunicação inclusiva, incluindo a diferença deste conceito com o de linguagem inclusiva e de linguagem neutra. Além de Pri Bertucci, participou também a recrutadora Sênior com foco em diversidade do grupo Salesforce, Débora Gepp.

Débora reforça que a comunicação inclusiva surge a partir da necessidade de criar mais diversidade, inclusão e equidade na sociedade, de forma a derrubar conceitos preconceituosos que existem nos pilares da sociedade - cultura, economia, politica, educação e justiça.

A comunicação inclusiva é, portanto, um termo guarda-chuva, criado para reconhecer a necessidade de usar novas ferramentas que ajudem a identificar vantagens e privilégios simbólicos.

Já a linguagem inclusiva, lembra Pri, é uma forma de excluir o sexismo de conversas, uma vez que, no caso do português, muitos nomes são usados no masculino por padrão. A linguagem inclusiva, portanto, permite "exercitar a percepção mais ampla e inclusiva das pessoas com as quais você convive".

Débora conta que muitas empresas têm restrições ao uso da linguagem neutra - que procura eliminar completamente as marcações de gênero - porque ela não é considerada a norma padrão e culta do português. Entretanto, aponta que a língua é uma entidade mutante, que procura se adequar às mudanças ocorridas na sociedade. Um exemplo é a evolução do termo "vossa mercê", que com o tempo foi reduzido a "você".

Os participantes apontam que uma das formas encontradas para que a linguagem inclusiva possa ser usada em empresas é ser introduzida aos poucos. "Hoje nós estamos em processo de introdução. Quando fazemos um texto, por exemplo, começamos com 'olá, todes' e escrevemos o resto em linguagem inclusiva", comenta.

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