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Grupo cria lar para animais abandonados em bairros que afundaram em Maceió

Gatos em bairros abandonados de Maceió - Divulgação
Gatos em bairros abandonados de Maceió Imagem: Divulgação

Carlos Madeiro

Colaboração para Ecoa, de Maceió (AL)

19/05/2021 06h00

O afundamento do solo que atinge cinco bairros de Maceió desde 2018 já levou ao êxodo de mais de 60 mil pessoas nas áreas de risco e continuará a afetar a população local. O problema geológico — causado pela mineração da Braskem — também gerou um efeito colateral: animais que viviam na área e eram alimentados por moradores foram abandonados ou deixados para trás.

Para ajudá-los, um grupo de voluntários criou um lar para gatos que ficaram esquecidos após a mudança em massa dos moradores.

O lar do projeto SOS Pet Pinheiro abriga hoje 52 gatos, entre filhotes (a partir de 30 dias) e adultos (de até 14 anos). Além deles, cerca de outros 300 que vivem nas ruas do bairro do Pinheiro e adjacências são alimentados pelo grupo diariamente.

"O local, que nós chamamos de Lar, tem o objetivo de resgatar filhotes, gatas grávidas e gatas que estão com ninhadas e seriam considerados os mais vulneráveis dentre os que estão nas ruas do Pinheiro", conta a advogada Elisa de Moraes, membro da Comissão de Bem Estar Animal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Alagoas e coordenadora da ação.

Gatos no lar criado pelo projeto SOS Pet Pinheiro em Maceió - Divulgação - Divulgação
Gatos no lar criado pelo projeto SOS Pet Pinheiro em Maceió
Imagem: Divulgação

O projeto existe desde maio de 2019, pouco depois das mudanças começarem a ocorrer em maior número no bairro. Desde lá, conta Moraes, pelo menos 270 gatos e sete cães tiveram assistência do SOS Pet Pinheiro.

"Hoje, dos animais que ainda vivem do Pinheiro 95% são gatos. Eles são a maioria esmagadora nas ruas", conta. "Isso se dá pela rapidez com que os felinos se reproduzem. Uma gata pode engravidar até quatro vezes num ano e parir até sete filhotes", completa.

Já os cães chegaram a ser resgatados, mas ficaram em lares temporários. "O projeto não tem espaço para comportar cães, eles necessitam de um local maior, o qual não temos hoje", diz.

Animais são castrados e vacinados

Assim que os bichanos são resgatados eles recebem todo o atendimento. "A gente vê como está o estado geral do animal, vermifugamos e vacinamos. Os que estão na idade da castração já são disponibilizados castrados e vacinados contra a raiva para a adoção. E os filhotes com menos de três meses que são adotados e não estão castrados, já estão com a castração garantida quando atingir a idade", diz.

Moraes conta que a Braskem está se responsabilizando, desde novembro de 2020, pelas castrações dos animais. Já as vacinas são dadas pelo Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura de Maceió.

"O nosso espaço foi cedido pela Associação do Bairro do Pinheiro. E tudo o que nós temos veio de doação. As castrações, durante um ano e meio, foram feitas por nós, sozinhos", afirma.

Hoje 28 pessoas participam como voluntários. São pessoas que, ou eram moradores do bairro (como a coordenadora), ou pessoas que amam animais e ajudam.

Também vítimas do afundamento

O lar dos gatos recebe ao menos um voluntário diariamente. Mas desde dezembro de 2020, a casa que abriga o projeto foi incluída no novo mapa de risco e terá de ser desocupada até junho. O prédio, por sinal, já tem rachaduras.

"A gente morre de medo de acontecer um desabamento com o abrigo e com o que pode ocorrer com os centenas de animais nas ruas. Não sou eu que estou falando que pode desabar, são os geólogos que fizeram os estudos que dizem. Os bairros atingidos pela mineração da Braskem não são seguros", diz.

A próxima batalha é conseguir uma nova sede. O pedido principal é que a empresa responsável pelo desabamento ajude com as despesas dessa nova localização —mas não há sinalização disso até o momento.

"A gente encontra, nos bairros, animais mortos todos os dias. Desde atropelamento a envenenamento, até facadas e pauladas. Esses animais estão expostos nas ruas e sofrem os diversos tipos de maus-tratos", lamenta.

Para ela, com a saída do lar no próximo mês, a situação tende a se agravar. "E aí fica o questionamento: para onde vão os animais que vivem nos escombros?", questiona.

Procurada, a Braskem afirmou que tem uma parceria com a Ufal (Universidade Federal de Alagoas), que realiza um abrigo temporário de animais, quando necessário. A empresa diz que, junto também com a Fundepes (Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa), realiza, desde julho de 2020, um programa de "cuidado da saúde de animais e conscientização sobre posse responsável."

"Contempla ainda o atendimento veterinário, vacinação dos animais, bem como a produção de pesquisa científica. Desde a implantação, 3.197 atendimentos foram registrados, 1.554 mudanças apoiadas, 785 vacinas ministradas e 561 animais castrados", diz.

Gastos altos

Em busca do novo local, ela diz que o valor máximo possível pagar hoje é R$ 1.000 (contando aluguel, água e energia). Atualmente, diz, os gastos com o lar e atendimento giram em torno de R$ 3.000 e R$ 4.000.

"Gastamos com ração, areia sanitária, medicamentos, exames, internamento de animais em clínicas. A gente precisa muito de doação de ração, principalmente ração para filhotes, porque 85% dos nossos animais têm menos de 5 meses, fora que para as gatas grávidas a ração de filhote tem mais nutrientes. Tem mês, como agora em abril, que a gente compra muito remédio e tem gasto com exames e internamento. É bem no apertado", completa.

Como ajudar

Quem quiser ajudar pode doar fazendo um PIX para 09083488438 (CPF) ou depositar diretamente nas seguintes contas:

Banco do Brasil, agência 1601-2, conta 68663-8, em nome de Elisa O. de Moraes.

Caixa, agência 0055, conta corrente 3183-4, operação 001 em nome de Elisabete O. De Moraes

Além de doações para manutenção, o grupo também pede ajuda de utensílios para a casa nova. "Agora que vamos nos mudar, vamos precisar de fogão, geladeira ou frigobar, botijões de água e gás e ventilador", explica Moraes.

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