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Empresas que mudam

Saúde mental faz parte de postura sustentável de empresas no pós-Covid

Tratar humanos como humanos e não meros recursos é um movimento que já vinha sendo discutido e a pandemia acelerou - iStock
Tratar humanos como humanos e não meros recursos é um movimento que já vinha sendo discutido e a pandemia acelerou Imagem: iStock

Lígia Nogueira

Colaboração para Ecoa, em São Paulo

18/11/2020 04h00

Tão importante quanto a saúde física, a saúde mental nem sempre recebe a atenção que deveria, principalmente no ambiente corporativo. Porém essa cultura está começando a mudar. É o que mostra um estudo realizado pela consultoria Ideia Sustentável sobre as 11 tendências de sustentabilidade pós-Covid nas empresas.

"Tratar humanos como humanos e não meros recursos é um movimento que já vinha sendo discutido e a pandemia acelerou", diz Ricardo Voltolini, CEO da Ideia Sustentável. "Essa visão mais integral tem relação direta com o surgimento de uma liderança mais orientada para o cuidado, mais feminina, mais preocupada com o bem-estar dos colaboradores."

Durante o evento online de lançamento do estudo, em outubro, Carla Crippa, VP da Ambev, destacou que a companhia realizou este ano uma revisão de sua cultura para tratar temas como diversidade e, inclusive, criou uma diretoria para falar de assuntos relacionados a saúde mental.

"Quando falamos sobre sustentabilidade, é importante entendermos que também estamos falando sobre pessoas. E, nesse sentido, estamos vendo uma mudança de mentalidade no mundo corporativo, em que entendemos que é preciso olhar para os funcionários como pessoas em sua totalidade", diz Mariana Holanda, diretora de Saúde Mental, Diversidade & Inclusão e Bem-Estar da Ambev.

Ela conta que a pandemia acelerou a criação da área, mas a empresa já vinha conversando sobre saúde mental e valores como vulnerabilidade, empatia e escuta ativa, por exemplo. "Existe um estigma muito grande quando se fala em saúde mental nas empresas. Ela implica em muito mais do que a ausência de doenças. É um assunto profundo, por isso estamos planejando e criando ações para ficar cada vez mais próximos de nossos funcionários e normalizar as conversas sobre o tema", afirma.

Tecnologia como aliada

Recentemente, a Ambev lançou um Guia de Saúde Mental, disponível a todos os colaboradores, com orientações sobre como cuidar da saúde mental e como buscar e oferecer ajuda. "Essa é uma iniciativa, por exemplo, que busca dar um suporte a pessoas que já estão vivendo algum tipo de sofrimento", diz. "E estamos testando ferramentas para usar a inteligência artificial como nossa aliada para manter a conexão com o funcionário, para que possamos ser mais proativos no suporte às suas questões."

Além de reforçar os canais de comunicação para manter os colaboradores informados a respeito das atitudes da empresa no cenário atual, a tecnologia tem sido uma ferramenta importante em tempos de pandemia em diversos setores. "Temos um serviço de amparo em que colocamos psicólogos de plantão 24 horas por teleconsulta", conta a Dra. Lídia Abdalla, presidente executiva do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica, reconhecido não só como referência em saúde, pesquisa e inovação, mas também pelo modelo de gestão de pessoas de acordo com o Great Place to Work.

Há alguns meses o Grupo Sabin contratou uma plataforma de gestão de saúde mental chamada Zen Club, em que o colaborador pode marcar o horário da terapia e acessar conteúdos relacionados a qualidade de vida, gestão de saúde e desenvolvimento de carreira. A ideia, de acordo com a porta-voz da empresa, é que a iniciativa continue no pós-Covid. "Se a gente vende saúde, as pessoas precisam estar saudáveis também. Quando estão saudáveis, são mais felizes e produtivas, e isso traz mais engajamento no nosso dia a dia", diz Lídia.

Lições que permanecem

Na Natura, os serviços de telemedicina e atendimento psicológico tiveram um aumento de 400% de uso em um mês de lançamento, segundo Mariana Talarico, diretora de Cultura e de Desenvolvimento do grupo Natura &Co para a América Latina.

Além dessas ferramentas e de serviços como meditação online, a companhia estabeleceu medidas para que os colaboradores pudessem se adaptar da melhor maneira ao trabalho remoto durante o período de isolamento social. Um exemplo é a recomendação de que reuniões não fossem marcadas antes das 9h e após as 18h e que os horários de almoço fossem estendidos. "Às sextas-feiras, encerramos o expediente mais cedo e realizamos uma iniciativa chamada Tempo Presente, que dá direito a um day off para pais e mães."

Mariana Talarico - Divulgação - Divulgação
Mariana Talarico, diretora de Cultura e de Desenvolvimento do grupo Natura &Co para a América Latina
Imagem: Divulgação

Partindo dos aprendizados na gestão de crise do coronavírus, a empresa criou um time multidisciplinar para prover soluções que apoiarão as novas experiências de trabalho aceleradas pela pandemia, "além de ouvir e cocriar iniciativas com os nossos colaboradores e lideranças que serão implementadas a partir de janeiro de 2021".

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