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Para lideranças, desigualdade é obstáculo a mais no combate ao coronavírus

De Ecoa, em São Paulo

24/04/2020 13h25

Adotar medidas de combate à pandemia do novo coronavírus é um desafio no Brasil, mas ele se apresenta maior ainda em regiões pobres das cidades.

É o que afirmou hoje Anna Karla Pereira, cofundadora da Frente Favela Brasil, organização política com atuação nas favelas do Coque e Ibura (PE), no programa UOL Debate. Para ela, a desigualdade social é um obstáculo a mais para que as medidas adotadas no país contra a Covid-19 sejam eficientes.

"A gente tem encontrado muitos desafios partindo da informação, por exemplo. Foi onde começamos nossa atuação e é um dos pontos principais nesse desafio: fazer com que essa informação faça sentido para as pessoas dentro da realidade que elas vivem", analisou.

O programa se propôs a debater as dificuldades no combate ao coronavírus nas periferias. Além de Anna Karla, também participaram Christiane Teixeira, liderança em Coroadinho, São Luís (MA), professora da rede comunitária de ensino e idealizadora do Comitê Coroadinho sem Corona; Gilson Rodrigues, coordenador nacional do G10 das Favelas, líder comunitário de Paraisópolis, em São Paulo, e fundador do Instituto Escola do Povo; e Isabela Souza, diretora da Oscip Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, mestre em Planejamento Urbano e Regional pela UFRJ.

Para Gilson, as recomendações - como o isolamento social, por exemplo - "são inviáveis de serem feitas" na comunidade de Paraisópolis. Segundo ele, "a gente entende que não tem comunicação específica para o público das favelas".

"A situação está bastante complicada porque é como se nada tivesse acontecendo no país, como se o coronavírus fosse uma coisa da televisão e que não vai chegar nas favelas", explicou. "O coronavírus escancara todos os problemas das favelas brasileiras", acrescentou.

O ponto de vista foi semelhante ao de Isabela Souza. Para a representante do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, trata-se de uma questão estrutural da sociedade brasileira.

"O que eu acho que esse momento traz é a urgência de lidar com ainda mais uma camada de desigualdade, sendo essa uma camada que conecta com tantas outras. Eu acho que tem isso e tem também a situação que a gente está vendo hoje. É o fortalecimento de processos comunicativos em busca do enfrentamento", disse ela, indo além.

"Vejo muito uma onda muito linda, que me fortalece, de muitas iniciativas comunitárias para dar conta da maior forma possível de mais esse desafio."

Christiane Teixeira, do Comitê Coroadinho sem Corona, lembrou representar uma comunidade grande, mas de "pessoas simples", que precisam de ajuda.

"No nosso bairro, na nossa comunidade — a gente chama de 'polo' por conta do aglomerado de pessoas —, temos em volta de 100 mil pessoas. Em sua maioria, pessoas simples, pessoas que vivem da venda, do comércio, todas muito assustadas. Pessoas que tentam de alguma forma entender, se colocar. Não no lugar de vitimista — na nossa comunidade as pessoas não querem ser vistas como vítimas, mas elas precisam de ajuda e nem sempre encontra", relatou.

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