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Mari Rodrigues

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Uma nova USP vem aí?

Praça do Relógio, na Cidade Universitária da USP - Marcos Santos/USP Imagens
Praça do Relógio, na Cidade Universitária da USP Imagem: Marcos Santos/USP Imagens

11/12/2021 06h00

Nesta semana, foi indicado o novo nome para assumir a reitoria da Universidade de São Paulo: o médico Carlos Gilberto Carlotti Júnior. Antes mesmo de assumir o mandato, ele traz uma proposta ousada para os padrões de uma universidade pública ainda pouco inclusiva: implantar cotas raciais e de gênero para a contratação de professores.

Nada mal para uma universidade que foi praticamente uma das últimas a adotar cotas sociais e raciais para a entrada de estudantes, e que demonstrou durante a pandemia que pouco liga para a permanência estudantil. Sinal de um tempo novo que vem por aí?

Algumas pessoas amigas entraram na USP devido a essas ações afirmativas, porém vale uma discussão sobre como esse pessoal todo vai se alocar, seja na pesquisa ou no mercado de trabalho. Sabemos que a equidade nas seleções de trabalho ainda engatinha, e que a pesquisa ainda parece privilégio de quem não tem contas a pagar, dado o baixíssimo valor e disponibilidade de bolsas de pesquisa.

Então, essa ideia de Carlotti de trazer mais cor e mais diversidade para o próprio quadro docente da universidade de referência da América Latina soa como um alento e um aviso: as estruturas precisam mudar para que a universidade, e por consequência, as instâncias de poder, cada vez mais pareçam com a sua gente.

Cabe também uma reflexão sobre como a universidade devolve todo o investimento recebido à sociedade. Durante a pandemia, foi possível entender que os estudos desenvolvidos no ambiente acadêmico ajudaram a salvar vidas. Mas ainda há muito a se fazer: a universidade precisa estar nas comunidades, facilitando esse intercâmbio dos saberes acadêmico e popular, este último ainda tão desprezado.

As humanidades da maior universidade do país também precisam fazer seu papel. Desencastelando-se do apego à teoria pura, botando a mão na massa e criando extensões para a comunidade, não apenas de um saber acadêmico, mas de uma troca possível que traga transformações na vida de mais pessoas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL