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Mari Rodrigues

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Nos esgotamos, mas preferimos surtar!

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Imagem: iStock

Mari Rodrigues

13/03/2021 04h00

Um ano desde o começo oficial da pandemia do coronavírus. Um ano em que tentei levar minha vida da forma possível. E depois de um ano, finalmente procurei apoio especializado, depois de tanto enrolar. Mas esta semana, não deu mais. O isolamento desta vez me afetou de forma tão pesada que só entendendo determinadas coisas conseguiria seguir adiante.

É fato que a saúde mental das pessoas piorou durante este período. E vamos levar muito tempo para nos recuperar disto que já pode ser chamado de trauma coletivo. Creio que não só eu, mas muita gente que tem feito e mantido isolamentos mais estritos que o meu, está esgotada. Seja pela incompetência do governo em tomar atitudes para combater a pandemia, seja pela inconsequência das pessoas em continuar saindo e se aglomerando sem necessidade, o que acarreta medidas cada vez mais restritivas.

Pensemos nas pessoas que estão em casa, em frangalhos, tentando achar alguma normalidade na nova rotina. Pensemos também nas pessoas que fingem que nada está acontecendo e transformam sua rotina num eterno "La La Land". Pensemos também nas pessoas que continuam negando a realidade de forma raivosa. Todas estão com o psicológico cheio de problemas, e algumas, caso das últimas, em nível até patológico.

O debate sobre a saúde mental das pessoas durante a pandemia se faz mais que necessário neste momento. É muito fácil falar sobre a necessidade de terapia, mas muitas pessoas, pelos mais variados motivos, não conseguem ter acesso a este tipo de serviço. Políticas públicas de valorização da saúde mental como parte da saúde integral do indivíduo e de conscientização para acabar com os estigmas sobre os atendimentos psicológicos são uma saída para atravessarmos este período de forma mais serena, e conseguirmos recolher os nossos cacos.

No mais, desejo mais força a todo mundo que esteja em isolamentos estritos, e me junto a vocês em mais um momento de aperto. Estamos em esgotamento, sim, mas temos a consciência de que é melhor surtar dentro de casa para que os cacos não voem tão longe.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL