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Eduardo Carvalho

Anitta é a certeza de que a periferia chegou

Anitta comemora 10 anos de carreira - Reprodução/Twitter
Anitta comemora 10 anos de carreira Imagem: Reprodução/Twitter
Eduardo Carvalho

Edu Carvalho é jornalista. Coleciona em sua bagagem de 22 anos participações em eventos como Onda Cidadã, a Bienal do Livro no Rio, Flip e Flup, mostrando seu trabalho ao retratar assuntos do dia-a-dia em sua escrita sobre o Rio e o Brasil. Indicado ao Prêmio Faz Diferença; Vencedor do Prêmio Vladimir Herzog em 2019. Atuou como integrante da equipe de criação do Conversa com Bial, série Segunda Chamada e foi repórter na CNN Brasil.

23/12/2020 04h00

Queria um texto que pudesse seguir o ritmo perfeito e a cadência dos batidões provocantes que ela desperta. Mas não sou DJ, o movimento das carrapetas aqui é outro e como não sei brincar disso, não vou descer pro play.

É difícil tentar quantificar, ainda que em palavras, um evento ainda em realização em sua frente (sobretudo quando seu impacto não é pouco). No seu talento, o acontecimento é totalmente demais. Um terremoto.

Vocês não sabem de quem eu estou falando hoje?

Duas em uma, pessoa física e jurídica encontram-se em um corpo a bailar mundo afora, mesclando os sentimentos de uma simples menina, aos ácidos vulcânicos de uma mulher "má". Um pouco de Larissa Macedo Machado e Anitta, tudo junto e misturado, que nem baião-de-dois. E uma dose de coragem, que é pra ninguém colocar defeito.

Cria da zona norte do Rio de Janeiro, vislumbrou um futuro para si que hoje é real. Poderosa e confiante, despontou na cena sob as caixas da Furação 2000, equipe de som, produtora e gravadora carioca que produziu não só uma, mais centenas de coletâneas e shows da batida que faz bumbum tremer, dando vazão a quem queria fazer sua arte nos morros.

Era a oportunidade de ser enxergado em letras que tocava em temas como a desigualdade social latente, além da violência que ainda acomete parte dessa gente.

Tendo muito perto ícones como Tati Quebra Barraco, Valesca, Deize, Verônica e outras tantas, a jovem aspirante ao cargo de musa foi além. De salto, colocou todo mundo pra dançar do jeito dela, ressignificando o curtir do "tamborzão".

O esteio? A família, base de seus sonhos e vontades. Cada um contribuiu do jeito que pôde para ver o nascimento dessa estrela, percebida desde pequena seja nas festas familiares, na primeira comunhão da igreja e onde mais pudesse.

O resto é história e você pode ouvir em qualquer canto do planeta. Ícone pop, Anitta é a "mais mais", sabe disso e chama pra si a responsabilidade. Ao lado de um pelotão de respeito, emplaca quando você menos espera algo novo, surpreendente, capaz de fazer cair o queixo. Não dá ponto sem nó.

Anitta é a certeza de que a periferia chegou, de que aqueles que ali estão são possíveis e o que falta é acesso. Vê-la ser quem é (e do jeito que quer) se torna significativo. Incentiva outros jovens, como ela, a sonhar e alçar qualquer voo, sem que pensem as "caixinhas" impostas pelo preconceito.

Experimente ir lá. Vocês verão, com os próprios olhos, a cada dois passos, capital humano de qualidade, só esperando tempo e espaço para mandar bala.

Que nem elas duas: a Larissa, filha da dona Miriam e do seu Mauro, irmã do Renan e do Felipe e da Anitta, filha de Honório Gurgel, que também pode ser o Brasil.