PUBLICIDADE
Topo

É preciso promover uma Educação Integral

Débora Garofalo

Com foco em educação criativa, traz dicas e insights sobre como driblar obstáculos de falta de estrutura, tempo e material para encantar alunos e alunas na sala de aula

26/08/2020 04h00

Quanto mais valores integrais na educação, maior será o aprendizado dos estudantes! A Educação integral vai além do aprendizado cognitivo e forma pessoas em sua integralidade, incluindo valores.

Temos uma discussão latente sobre a educação integral no Brasil que está presente em muitas escolas brasileiras, principalmente as públicas, com conceitos e práticas arraigadas ao modelo educacional de escola integral, mas enquanto não temos um modelo que abrange a todos é necessário olhar para a educação que considere os valores integrais e dê oportunidade para uma formação humanizadora que não considere apenas o currículo, mas que de fato conecte sonhos de estudantes e que possa dialogar com diferentes realidades e esteja de portas abertas para promover o diálogo principalmente no que tange os direitos humanos.

Dados recentes divulgados pela organização não governamental World Vision mostram que até 85 milhões de crianças e adolescentes, na faixa etária de 2 e 17 anos, poderão ser vítimas de violência física, emocional e até sexual nos próximos meses em todo o mundo. O número representa um aumento de 20% a 32% da média anual dos números atuais. E não poderia deixar de mencionar a violência sexual sofrida por uma criança no Espírito Santo. E o que a Educação tem com isso? Tudo, porque todas essas ações refletem na aprendizagem de crianças e jovens, por isso não devemos promover uma educação, mas uma educação integral.

A educação integral está diretamente ligada a integralidade de pessoas e em uma educação que propõe trabalhar de uma maneira ampla que transcende aspectos de racionalidade e cognição, mas juntando elementos de artes, estética, música, valores, corpo, saúde, entre outros.

O foco principal está na abordagem de somar esses elementos e compreender que a educação não ocorre somente na escola, em sala de aula, mas também fora dela em que o aprendizado e conhecimento serão levados para a vida.

Assim, para conceber uma educação integral é necessário conceber outros aspectos, romper paradigmas, superar barreiras culturais e educar para além da sala de aula, envolver o território educativo ressignificando ações pedagógicas.

Muitas vezes só precisamos ter ações simples e incorporar à rotina de aula, como trabalhar o acolhimento e inserir assuntos transversais ao currículo, conectado ao diálogo e com a realidade do aluno. Friso também a importância disso ocorrer em aulas regulares e não apenas em contraturno escolar, para que possam abranger todos os estudantes.

Outro aspecto é inserir a educação integral no projeto político pedagógico da escola em ações concretas que visam de fato envolver os estudantes e o contexto de suas comunidades com conteúdos não sejam fragmentados e isolados mas conectados entre si, como, por exemplo, ao falar de história do mundo, do Brasil, é importante valorizar a história do aluno, com atividades físicas. É possível ainda trabalhar com temas de direitos humanos, história, cultura, entre outros.

É necessário que educadores e gestores abordem caminhos para trabalhar com a educação integral para que a escola seja mais inclusiva, articulando e propondo um projeto de ação pedagógica no âmbito da integralidade.

A educação integral se concretiza ao estimular os estudantes a trazerem para a sala de aula sua curiosidade, sua vida e sua comunidade, com atividades e um currículo integrador, sendo um caminho para a melhora do ensino tornando-o mais atrativo e principalmente humano.

Um abraço e até a próxima semana.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.