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5 vezes em que as montadoras exageraram na brincadeira contra rivais

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Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

15/04/2023 04h00

Para muitos, as propagandas de antigamente eram mais criativas. Assistia-se muito mais à televisão e, nos intervalos das programações, os comerciais tinham papel importante para a retenção dos telespectadores. Há aqueles que dizem, até, que as propagandas eram, por vezes, mais legais do que algumas programações principais.

Antes de 1996, as marcas adoravam alfinetar umas às outras publicamente. Depois disso, ficou muito mais difícil de ver esse tipo de coisa acontecer. Isso porque, naquele ano, saiu a Lei nº 9.279/96, conhecida como Lei da Propriedade Industrial, que determina que as propagandas devem ser honestas e compatíveis com as práticas leais de comércio.

Além disso, prevê, ainda, a possibilidade de ações judiciais por parte dos titulares de marcas e patentes, que podem buscar reparação por danos causados por práticas publicitárias que infrinjam seus direitos, bem como a interdição da veiculação da propaganda.

Como se não bastasse, veio em 2001, por sua vez, a Lei nº 10.459/2001, que complementa a lei de 1996, determinando que a veiculação de propagandas que possam ser consideradas enganosas, abusivas, degradantes, discriminatórias, entre outras práticas que violem as normas éticas e legais da publicidade estão sujeitas a multas e outras sanções, como a suspensão ou a cassação do registro da marca.

Quanto à fiscalização e a punição de práticas publicitárias abusivas ou enganosas cabe ao Poder Público, através dos órgãos de proteção e defesa do consumidor, como o Ministério Público e o Conselho Nacional de Defesa do Consumidor (CNDC).

Há também o Conar, órgão que atua como um órgão de autorregulamentação da publicidade, recebendo denúncias de consumidores, empresas e outros interessados, emitindo recomendações para evitar práticas publicitárias abusivas ou enganosas.

Só que, como poderão ver em alguns casos a seguir, as leis nem sempre são capazes de conter os ânimos de algumas empresas. Por isso, selecionamos cinco comerciais de marcas diferentes e de épocas distintas (que antecedem as leis ou não), onde todas elas mencionam suas rivais e tentam "tirar uma casquinha" delas.

Nissan (alfinetando VW e Toyota)

  • A Nissan fez diversos materiais publicitários cutucando as outras montadoras, inclusive após as leis citadas. Separamos como exemplo a que ela usou a Frontier para tirar uma onda com Toyota Hilux e VW Amarok. Nem os donos dos carros ficaram ilesos da chacota.
  • A propaganda é do início da década de 2010, ocasião em que a Toyota não gostou nadinha e decidiu entrar com ação. Entretanto, só em fevereiro deste ano o trâmite do processo chegou ao fim no STJ, que reformou a decisão da Justiça do Rio de Janeiro, afastando a indenização que inicialmente havia sido fixada em R$ 200 mil.

Renault (alfinetando VW)

  • A campanha em cima do Kwid sempre foi a de que ele é o "SUV dos subcompactos" - e que, portanto, seria o carro que melhor consegue encarar condições adversas nas vias. Isso levou a Renault a atacar as colegas. No caso da sua propaganda provocadora, usou um VW up! para dizer que a concorrência não passa nem nas lombadas direito.
  • Na ocasião, a marca francesa sugeriu que, quando o carro chegava no obstáculo, todos a bordo precisavam sair, com o objetivo de descomprimir o sistema de suspensão para, assim, ganhar mais um espacinho no vão do carro até o solo.

Asia Motors (alfinetando Kia)

  • Aos que se recordam, a Kia Besta sempre fez muito sucesso entre as pessoas que precisavam de um carro com boa capacidade de transporte de passageiros e mercadorias. A finada Asia Motors não deixou barato e tentou fazer um trocadilho com o nome da rival.
  • Para cada vez que o apresentador do comercial precisava citar o nome "Besta", pedia desculpas. Ou seja, a piada era a de que o nome do carro, por si só, era como se fosse um insulto, ou um palavrão. Daí, no final, continuou com os trocadilhos, dizendo que, diante dos supostos atributos da Topic ante a Besta, só comprava esta quem achasse o nome mais interessante.

Hyundai (alfinetando Kia)

  • Mais uma que não deixou a rival conterrânea em paz com o nome da Besta. A Hyundai listou vários porquês da superioridade de seu produto ante a sua principal concorrente.
  • Após a marca afirmar que seu produto era melhor por diversos motivos, fez o trocadilho de que, justamente por ser uma Besta, seria um carro isentão, ou desajeitado, ou coisas nesse sentido.

Ford (alfinetando VW)

  • Na década de 90, a Ford já tirava boas "casquinhas" de suas rivais com a bateria de comerciais 'quem compara, compra Ford'. Logo que chegou o "começo do fim" da Autolatina (que era a parceria da Ford com a VW no Brasil), a fabricante americana passou a fazer o mesmo com a antiga parceira, a Volkswagen.
  • Só que a Ford sempre preferiu se posicionar como "amiga do consumidor", ao invés de agir como piadista. Seu garoto-propaganda era Pedro Cardoso, que costumava falar que as rivais eram "até que legais" ou "simpáticas", mas, na sequência, "descarregava" todas as supostas vantagens dos Fords. Daí, no fim, "tirava o corpo" dizendo que "não é nada pessoal", que "propaganda também serve para informar o consumidor" e afins.

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