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Sem CNH, 'Safadão' escapa da morte em caminhão arqueado e ilegal

O caminhão arqueado estava carregado de batatas e foi praticamente destrúido com o tombamento  - Reprodução
O caminhão arqueado estava carregado de batatas e foi praticamente destrúido com o tombamento Imagem: Reprodução

Paula Gama

Colaboração para o UOL

04/04/2022 04h00

Membro de uma famosa família de caminhoneiros nas redes sociais, Anderson Comiotto, o "Safadão", escapou da morte na última semana, quando tombou seu caminhão na Rodovia Régis Bittencourt, BR-116, em Jacupiranga, interior de São Paulo. Na ocasião, o influenciador dirigia um caminhão arqueado e, horas antes do acidente, foi multado por dirigir sem CNH.

Safadão é um personagem importante de dois canais no YouTube: do seu irmão, Cabelo Batateiro, com mais de 800 mil seguidores, e do seu pai, Ademar Comiotto, com mais de 90 mil seguidores. Todos eles são adeptos da moda dos caminhões arqueados, que rebaixa a dianteira e eleva a traseira, considerados uma "máquina de matar" por especialistas, já que além de comprometer seriamente a estabilidade do veículo, pode levar à decapitação de passageiros de automóveis que bateram na traseira.

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Safadão Comiotto é famoso entre os caminhoneiros nas redes sociais - Reprodução - Reprodução
Safadão Comiotto é famoso entre os caminhoneiros nas redes sociais
Imagem: Reprodução

Apesar de o caminhão Scania P310 carregado de batatas ter sido praticamente destruído com o tombamento, o condutor não teve ferimentos graves. Cabelo Batateiro, seu irmão, gravou vídeos contando detalhes do acidente, e afirmou que o caminhoneiro estava sem dormir havia algumas noites.

"Safadão estava umas noites sem dormir. Queria aproveitar que estava bom para virar [uma noite] atrás da outra", informou Batateiro, e completou: "nós somos azarados, já passamos por muitos acidentes. Meu pai também era um 'tomba-tomba' que só meu Deus do céu".

Safadão dirigia sem CNH

UOL Carros teve acesso a oito multas recebidas por Safadão no último ano, três delas por dirigir sem possuir CNH. Uma das punições foi aplicada no dia do acidente, exatamente no quilômetro em que o caminhão tombou, provavelmente notificada pelos policiais que atenderam a ocorrência. Também há punições por dirigir veículo com características alteradas, sem equipamento obrigatório e com carga fora do padrão, no entanto, ele segue trabalhando, como mostram os vídeos.

O site Estradas.com.br afirma que, um ano antes, Safadão foi flagrado, na mesma rodovia, dirigindo sob efeito de drogas. Segundo a publicação, a informação é o PRF responsável pela abordagem. A família Comiotto foi procurada pela reportagem, mas não retornou aos nossos contatos.

Família registra imprudências

No canal "Cabelo Batateiro", que mais posta as "aventuras" da família Comiotto, há inúmeras infrações registradas. Para se ter uma ideia, um dos caminhões conduzidos por Batateiro tem uma traseira elevada em mais de 2 metros. Em alguns vídeos, admite dirigir sem carteira. Em outros, diz que não faz a aferição obrigatória do tacógrafo - equipamento obrigatório que monitor tempo de uso, distância percorrida e velocidade que desenvolveu. Além disso, afirma furar pedágio, tomar rebite e dirigir em velocidade superior à permitida.

Vídeos não valem como prova

Cabelo Batateiro posa embaixo do seu caminhão com traseira elevada  - Reprodução/Youtube - Reprodução/Youtube
Cabelo Batateiro posa embaixo do seu caminhão com traseira elevada
Imagem: Reprodução/Youtube

Apesar de registrarem desrespeito às normas de trânsito, os vídeos não são suficientes para punir os infratores. De acordo com o advogado Marco Fabricio Vieira, membro do Cetran-SP (Conselho Estadual de Trânsito de São Paulo), de acordo com a legislação vigente, ainda é vedada a autuação de veículos por infrações de trânsito veiculadas em vídeos e fotos publicados em redes sociais.

"A Lei n. 14.304, de 23 de fevereiro de 2022, previa punir a divulgação, a publicação ou a disseminação,da prática de infração que coloque em risco a segurança no trânsito. Contudo, foi vetada em quase a sua totalidade pelo presidente Jair Bolsonaro. O texto volta à Câmara dos Deputados para deliberação sobre os vetos. Assim, até lá, não há que se falar em imposição de penalidade com base em imagens registradas", explica.

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