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Como pressão das montadoras salvou Volkswagen Gol da morte no Brasil

Carro mais vendido do Brasil por 27 anos seguidos, Gol sairia de linha em 2020 no Brasil, não fosse o adiamento da obrigatoriedade do controle de estabilidade - Divulgação
Carro mais vendido do Brasil por 27 anos seguidos, Gol sairia de linha em 2020 no Brasil, não fosse o adiamento da obrigatoriedade do controle de estabilidade
Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo (SP)

08/01/2022 04h00

O Volkswagen Gol acaba de sair de linha na Argentina por não trazer controle de estabilidade, que se tornou obrigatório no país vizinho em 2022. No Brasil, o destino do compacto seria o mesmo neste início de ano, não fosse o adiamento da implantação compulsória do item de segurança em nosso País.

Inicialmente, a legislação previa que o controle de estabilidade se tornaria item de série em todos os automóveis e comerciais leves zero-quilômetro comercializados no mercado brasileiro a partir de 1º de janeiro de 2022. Entretanto, em outubro de 2020, o governo federal cedeu ao apelo das montadoras, que alegaram prejuízos e dificuldades decorrentes da pandemia, e ampliou o prazo original - conforme noticiado com exclusividade por UOL Carros.

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Conforme a Resolução 799 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), publicada no dia 22 de outubro daquele ano, a data-limite para a adoção do controle de estabilidade em 100% da frota passou ao início de 2023 para 50% da produção; 100%, somente em 1º de janeiro de 2024. O equipamento continua mandatório para todos os novos projetos desde o começo de 2020.

Em tese, o Gol poderá sobreviver na forma como é fabricado atualmente até o fim de 2023. Sua produção em Taubaté (SP) está garantida para 2022, conforme informou em novembro passado Pablo Di Si, então CEO e presidente da Volks para o Brasil e a América do Sul - o argentino acaba de ser promovido ao cargo de presidente executivo da marca para a América Latina.

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Na ocasião, Di Si sinalizou que Gol e seus derivados Voyage e Saveiro deixarão de ser produzidos porque não irão atender a nova legislação. Ele também enfatizou que a "estratégia no futuro será a plataforma MQB" - o trio, hoje, é formado pelos únicos modelos da VW vendidos no Brasil que utilizam a base PQ24, muito mais antiga.

Não por acaso, o executivo fez as declarações durante anúncio do aporte de R$ 7 bilhões até 2026, destinados ao lançamento de novos produtos MQB na América Latina - que incluem o Polo Track, versão básica que cumprirá o papel de modelo de entrada na gama da Volkswagen; e um inédito SUV compacto, posicionado abaixo do Nivus e que poderá ser batizado como... Gol.

Está claro que o investimento para instalar controle de estabilidade nos modelos veteranos não é viável, ainda mais levando-se em conta que, daqui a dois anos, essa não será a única modificação necessária para manter vivos Gol, Voyage e Saveiro como são atualmente comercializados aqui.

Governo adiou outros itens obrigatórios de segurança

A Resolução 799 do Contran não trata apenas do controle de estabilidade.

A pedido das fabricantes de veículos instaladas no Brasil, o órgão de trânsito, vinculado ao Ministério da Infraestrutura, também adiou a obrigatoriedade de outros equipamentos ou procedimentos de segurança.

A resolução postergou o teste de impacto lateral para a homologação de todos os veículos comercializados no País - que passaria a valer no dia 1º de janeiro de 2023 e foi adiado para 1º de janeiro de 2024. No entanto, ficou mantida essa avaliação para lançamentos inéditos, obrigatória desde o início de 2020.

Além disso, as luzes de condução diurna e os repetidores laterais de seta, que deveriam virar de série em 100% dos automóveis e comerciais leves novos vendidos a partir de 1º de janeiro de 2021, passarão a ser obrigatórios apenas no início de 2024.

Já o alerta de cinto desafivelado se tornará mandatório para todos os veículos em 2024 - um ano após o prazo original.

Segundo o Ministério da Infraestrutura, os adiamentos são justificados por "impossibilidade de realização de testes de comprovação da segurança" dos novos itens dentro do prazo, justamente em decorrência da pandemia.

"A decisão foi analisada por diversos órgãos competentes, que entenderam os impactos no cronograma dos testes. A prorrogação só alcança os projetos de veículos que estão em produção pelas montadoras e não para os novos projetos. É importante ressaltar que a decisão foi de postergar por apenas um ano, e não por três, como havia sido solicitado pela Anfavea [Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores]", diz nota enviada pelo ministério à nossa reportagem na época da publicação da resolução.

Igualmente em outubro de 2020, a Anfavea informou que "o adiamento dos prazos de instalação de alguns novos itens de segurança, sugerido pela associação, foi compreendido pelos conselheiros do Contran como inevitável, dado o atraso no cronograma de desenvolvimentos, testes, homologações e treinamentos provocado pela pandemia da covid-19".

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