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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Novo Porsche 911 GT3: aceleramos esportivo que Caio Castro pilotará em 2022

Rafaela Borges

Colunista do UOL

21/08/2021 04h00

A geração 992 do Porsche 911 ganha agora uma versão semi-pista. Ela pode até não ser a mais potente, nem a mais rápida, mas mesmo assim conseguiu ser nada menos do que 16 segundos mais rápida que a predecessora no traçado de mais de 20 km do circuito de Nurburgring-Nordschleife, na Alemanha. É o mais radical 911.

O 911 GT3 chega à sétima geração com motor apenas 10 cv mais potente que seu predecessor, da família 991. O ganho de 16 segundos não está relacionado ao motor, nem câmbio, mas a um forte aprimoramento aerodinâmico e nas suspensões. A Porsche também investiu bastante no uso de materiais leves.

O carro semi-pista é um dos últimos modelos da Porsche com motor aspirado. Trata-se de um 4.0 boxer de seis cilindros, que gera 510 cv e 47,9 mkgf. A tração é traseira.

O carro preparado para as pistas, mas com leve aptidão para rodar nas ruas e estradas, teve as 40 unidades oferecidas em pré-venda no Brasil vendidas por R$ 1.149.000. A Porsche negocia com a matriz, na Alemanha, um novo lote de exemplares. As entregas dos já vendidos começam em setembro.

Também já se sabe que o modelo, modificado para competição, será usado na temporada 2022 da Porsche Cup, campeonato de automobilismo que tem o ator Caio Castro como uma das atrações entre os pilotos. Mas, antes que o artista assuma o volante, o UOL Carros teve a oportunidade de acelerar o carrão em sua versão mais "light" e conta todos os detalhes. Confira!

Design

O novo 911 GT3 traz o visual da linha 992, mas com muitas peculiaridades. Os faróis full-LEDs matrix, antiofuscamento e com assinatura formada por quatro pontos, são um elemento em comum. Por outro lado, a dianteira tem um difusor que pode ser ajustado em quatro níveis (mecanicamente) na concessionária, de acordo com o gosto do freguês.

Na parte de baixo, o ar passa até as duas saídas sob o capô, com o objetivo de melhorar a aerodinâmica. O eixo dianteiro traz ainda um ajuste automático de altura. Pode ficar até 30 cm mais alto, para passar, por exemplo, por garagens com rampas ou ruas com valetas profundas.

Essa aptidão, herdada do 911 Turbo S, é uma das poucas características do 911 GT3 pensadas para a rodagem nas cidades e outras condições cotidianas. De resto, tudo no esportivo foi desenvolvido para obter o melhor desempenho em pista.

A versão disponível no Brasil tem teto de fibra de carbono como item opcional, para reduzir o peso e o centro de gravidade. Os vidros dianteiro e traseiro também usam materiais leves. O 911 GT3 2022 tem 1.435 kg.

A traseira também traz um difusor ajustável em quatro estágios e um isolamento total, até mesmo das duas saídas de escape do seis-cilindros. De acordo com a Porsche, a carga aerodinâmica atrás é de até 60 kg.

Para isso contribui o imenso aerofólio, que recebeu uma nova barra de suporte, a mesma usada nos carros de corrida da marca. A Porsche informa que o downforce está até 150% maior.

As rodas têm 20 polegadas na dianteira de 21" na traseira. Para a versão à venda no Brasil, os freios de carbono-cerâmica são de série.

Interior e equipamentos

Porsche 911 GT3 2022 - Divulgação/Porsche - Divulgação/Porsche
Imagem: Divulgação/Porsche

Os dois bancos de trás foram eliminados para a instalação de barras de proteção. Os da frente são de carro de corrida, grudados no chão e feitos de fibra de carbono, material que fica à mostra na parte de trás.

Os ajustes são manuais, para reduzir peso. Apenas o de altura é elétrico. A altura, porém, muda pouco. A posição de dirigir é sempre bem grudada no chão, permitindo maior sensibilidade às reações do carro.

Os bancos são revestidos de couro com costura aparente combinando com a carroceria. No caso do exemplar avaliado, em um tom batizado pela Porsche de azul Shark - muito parecido com a já famosa cor Miami Blue, mas um pouco mais escura.

Alcântara com costura aparente também está na porta, que conta ainda com detalhes de fibra de carbono. O sistema de som do 911 GT3 é da marca premium Bose.

O painel é igual aos da linha 911 Carrera, com cinco elementos. O central, analógico, é o conta-giros, e os demais são virtuais e configuráveis. O piloto pode escolher que informação quer ver.

Mas há uma peculiaridade: o modo Track. Quando acionado, projeta informações pertinentes para uma condução na pista, como pressão dos pneus e força G.

A central multimídia tem tela sensível ao toque, navegador GPS, espelhamento com smartphones e comandos para ajustes de suspensões e modos de condução, entre outras funções.

Quanto às dimensões, o 911 GT3 tem 4,57 metros de comprimento e 1,28 metro de altura. Ele é 2,4 cm mais baixo do que a versão Turbo S.

Desempenho

Porsche 911 GT3 2022 - Divulgação/Porsche - Divulgação/Porsche
Imagem: Divulgação/Porsche

O câmbio do 911 GT3 é o PDK, automatizado de duas embreagens. Mas no caso do carro semi-pista, tem apenas sete velocidades, uma a menos que na Turbo S. A Porsche explica que a oitava marcha funciona no modelo Carrera como um overdrive, para melhorar o consumo de combustível e dar mais conforto.

No modelo voltado para as pistas, em que o interior elimina muitos itens em prol da redução de peso, a oitava marcha foi considerada dispensável pela montadora. Além de representar 20 kg a menos, também deixou as relações mais curtas, algo importante para aprimorar o desempenho.

Se nos motores turbo o torque geralmente vem em rotação baixa, esse aspirado foi feito para manter o giro alto. A potência de 510 cv é entregue a 8.400 rpm e o torque, a 47,9 mkgf. A ordem é esquecer a velocidade (mostrada digitalmente no painel) e manter sempre o olho no conta-giros para deixar o ponteiro sempre apontado para a direita. Dessa forma, o carro apresenta seu melhor desempenho.

O câmbio rápido faz seu papel com maestria, sem deixar o motor perder rotação na troca de marcha. O resultado é um 0 a 100 km/h em 3,4 segundos. É bem mais que os 2,8 segundos no Turbo S, mas o 911 GT3 é mais grudado no chão.

A força aerodinâmica é tão forte que é como se o carro estivesse sempre sendo puxado para baixo, incapaz de perder aderência com a pista. Isso mesmo com a tração 100% na traseira, formando uma força visceral com o motor, também traseiro - o Turbo S tem um sistema 4x4 por demanda.

O teste foi realizado no autódromo Velo Città, em Mogi Guaçu (SP), com um total de 13 curvas, a maioria de baixa e média velocidade. Ali o 911 GT3 deixou claro porque é imbatível nas pistas. As condições são ideais para avaliar o poder da aerodinâmica e como ela interfere em fatores como o equilíbrio.

Em altíssima velocidade e com muitas frenagens fortes, em apenas uma ocasião o esportivo teve de acionar seus sistemas eletrônicos - controle de estabilidade e tração, entre outros - para corrigir a trajetória. Mesmo provocado, ele se mostrou um automóvel praticamente à prova de erros, com uma velocidade impressionante especialmente nas saídas de curvas.

O 911 Turbo S também é muito equilibrado mas, pensado também para rodar no dia a dia, não tanto quanto o GT3. Em um paralelo com a Fórmula 1, o modelo semi-pista seria a Red Bull, que investe forte na aerodinâmica para ser um carro fácil de guiar.

Já o Turbo S seria a Mercedes, um pouco menos equilibrado, mas com um motor mais vigoroso. E, com pneus mais próprios para a pista, mesmo sem ser semi-slicks, o GT3, em uma disputa direta, conseguiria descontar toda a sua desvantagem de potência nas curvas.

Isso com um som raro de se ouvir nos carros atuais, que estão cada vez mais abafados por turbinas. O 911 GT3 é a sinfonia do motor aspirado em giro alto. E as duas saídas de escape ainda trazem amplificadores para deixar o ruído ainda mais instigante.

Além da aerodinâmica, o carro traz outros recursos para reforçar seu equilíbrio. O eixo traseiro direcional é item de série. Em alta velocidade, as rodas traseiras giram na mesma direção das dianteiras, para melhorar o desempenho em curvas.

Outra novidade na linha 992 do 911 GT3 é a suspensão dianteira double wishbone. Entre outros benefícios, faz melhor compensação do mergulho da carroceria em frenagens.

Veredito

Porsche 911 GT3 2022 - Divulgação/Porsche - Divulgação/Porsche
Imagem: Divulgação/Porsche

Aqui no Brasil ver um 911 por aí não é tão comum, mas na Europa e nos EUA o esportivo é um carro usado até para ir ao supermercado. Isso no caso dos modelos Carrera: S, Turbo, Turbo S, etc.

O GT3 mantém as melhores coisas do Carrera quando o assunto é esportividade, mas sem nenhuma preocupação com o cotidiano. Você até pode usá-lo por aí, mas não será nada confortável, a começar pelos bancos de carro de corrida. O objetivo do GT3 é ser aquele carro imbatível em um track day.

Mas, apesar de eu ter testado o modelo apenas na pista, já imagino o prazer "embarcar" com essa máquina em uma road trip, de preferência com trechos de serra. Mas desde que as estradas tenham boas condições.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL