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Coronavírus: cabine é projetada para proteger motorista de app e taxistas

Cabine de acrílico é fixada no assoalho do veículo - Divulgação
Cabine de acrílico é fixada no assoalho do veículo
Imagem: Divulgação

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

08/05/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Proteção de acrílico é instalada em volta do banco do motorista
  • Produto é vendido pela internet e preços variam de R$ 399 a R$ 500
  • Especialistas dizem que proteção diminui chances, mas não elimina risco de contágio

O uso obrigatório de máscaras em veículos de transporte por aplicativo e táxis pode até reduzir as chances, mas não elimina o risco de contágio do coronavírus.

Pensando nisso, uma empresa especializada em materiais de acrílico desenvolveu uma cabine que protege motoristas e passageiros do Covid-19.

O produto é feito pela Artcryl com policarbonato de 3 mm de espessura e tem formato de "L" para proteger o banco do condutor. A cabine é fixada no assoalho do veículo e há tiras ajustáveis de elástico que vão no encosto de cabeça do assento. É possível colocar uma moldura de espuma em volta da placa acrílica, caso o cliente deseje.

"Desenvolvemos o projeto em conjunto com a Cooperativa Ligue Táxi e 15 motoristas já realizaram a compra, mas alguns ainda não instalaram a proteção por conta do baixo número de viagens que estão fazendo diariamente", afirma Taísa Almeida, sócia-proprietária da Artcryl.

Proteção para motoristas - Divulgação - Divulgação
Produto foi desenvolvido em conjunto com cooperativa de táxi
Imagem: Divulgação

O custo da cabine protetora varia de acordo com o tamanho do veículo. O valor sugerido é de R$ 398,99 para hatches e R$ 499,98 para sedãs e SUVs, já incluindo o custo da instalação.

Segundo Taísa, o produto (que está à venda em sites como o Mercado Livre) ainda não está homologado no Inmetro, mas as cooperativas de táxis "estão se unindo para agilizar a liberação" do uso do material.

Protege mesmo?

Não é só no Brasil que taxistas e motoristas de aplicativo buscam soluções para se proteger do coronavírus. Vários deles improvisam uma proteção com filme plástico, como mostram relatos na China e nos Estados Unidos.

Especialistas consultados por UOL Carros afirmam que a iniciativa pode até proporcionar alguma proteção inicial, mas não elimina o risco e cria outras possibilidades de contágio.

Motorista de Lyft com bolha improvisada nos EUA - Reprodução - Reprodução
Solução improvisada foi feita por motoristas de aplicativo na China e nos EUA
Imagem: Reprodução

"Improvisações como essa são perigosas. Podem até contaminar mais do que prevenir", alerta Luciano Goldani, professor titular de infectologia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Goldani diz que o problema está no posterior manuseio do material plástico. "O motorista pode tocar as mãos em uma área contaminada e ser infectado", explica.

Alexandre Zavascki, também professor de infectologia da Faculdade de Medicina da UFRGS, faz coro ao colega.

"Em teoria, essas bolhas podem funcionar e reduzir o risco. Em situações nas quais você fica em contato próximo, a menos de um metro, uma barreira física contém a emissão das gotículas com o vírus", pondera.

O professor alerta sobre a necessidade de realizar a limpeza adequada da "bolha" plástica para evitar contaminações.

"Isso vale muito para a questão do uso de equipamentos por pessoas não treinadas. Até a própria máscara, se não for adequadamente usada, vai levar a manipulações excessivas. Isso acaba contaminando a mão e posteriormente a boca, o nariz e as vias respiratórias".

O que fazer, então?

"É muito difícil ter um protocolo padrão para todos os tipos de proteção", afirma Zavascki, ressaltando a dificuldade de higienizar material plástico maleável na comparação com uma placa de acrílico, como o produto apresentado pela Artcryl.

De toda maneira, certo é seguir a recomendação das autoridades de saúde de nunca colocar as mãos na boca e no nariz e higienizá-las constantemente com água e sabão, álcool 70% ou álcool em gel com igual concentração.

A regra vale após o manuseio de superfícies que outras pessoas tenham tocado ou das quais tenham ficado próximas.

Por fim, Zavascki lembra que, ao chegar em casa, também é indicado trocar toda a roupa com cuidado para não tocar a própria boca nem o nariz,