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Coronavírus: 'bolha' improvisada em táxis e Uber protege contra a pandemia?

Motorista de Lyft em Nova York instalou barreira improvisada na cabine do carro para se isolar dos passageiros - Reprodução
Motorista de Lyft em Nova York instalou barreira improvisada na cabine do carro para se isolar dos passageiros Imagem: Reprodução

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

02/04/2020 04h00

Na intenção de reduzir o risco de contágio pelo coronavírus, motoristas de aplicativo e taxistas têm improvisado uma espécie de "bolha", utilizando plástico transparente, preso com fitas adesivas, para se isolarem dos passageiros.

Em Pequim e outras localidades da China, condutores de táxi aparecem em postagens na internet utilizando a barreira plástica. Em Nova York, nos Estados Unidos, um passageiro do aplicativo Lyft compartilhou fotos e vídeo de condutor também envolto pela proteção improvisada.

Outro exemplo foi verificado em Houston, no Texas (EUA), com um motorista da Uber.

De acordo com especialistas consultados por UOL Carros, a iniciativa até pode proporcionar alguma proteção inicial, mas não elimina o risco e cria outras possibilidades de contágio.

"Improvisações como essa são perigosas. Podem até contaminar mais do que prevenir", alerta Luciano Goldani, professor titular de infectologia da Ufrgs (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

De acordo com Goldani, o problema está no posterior manuseio do material plástico. "O motorista pode tocar as mãos em uma área contaminada e ser infectado", explica.

Alexandre Zavascki, também professor de infectologia da Faculdade de Medicina da Ufrgs, faz coro ao colega.

"Em teoria, essas bolhas podem funcionar e reduzir o risco. Em situações nas quais você fica em contato próximo, a menos de um metro, uma barreira física contém a emissão das gotículas com o vírus", pondera Zavascki.

O professor também alerta para a questão da limpeza da "bolha". Se o usuário não souber fazê-la adequadamente, há um risco de se contaminar.

"Isso vale muito para a questão do uso de equipamentos por pessoas não treinadas. Até a própria máscara, se não for adequadamente usada, vai levar a manipulações excessivas. Isso acaba contaminando a mão e posteriormente a boca, o nariz e as vias respiratórias".

Como proceder então?

"É muito difícil ter um protocolo padrão para todos os tipos de proteção", afirma Zavascki, apontando ser complicado higienizar material plástico maleável na comparação com uma placa de acrílico, por exemplo.

O que vale sempre é a recomendação das autoridades de saúde: nunca colocar as mãos na boca e no nariz e higienizá-las constantemente com água e sabão, álcool 70% ou álcool em gel com igual concentração.

A regra vale após o manuseio de superfícies que outras pessoas tenham tocado ou das quais tenham ficado próximas.

Ao chegar em casa, também é indicado, além das medidas mencionadas, trocar toda a roupa com cuidado para não tocar a própria boca nem o nariz, ensina o epidemiologista Zavascki.

Se o motorista não for treinado para fazer o procedimento da forma correta, portanto, o ideal é evitar o uso da "bolha".

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