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Quanto mais caro, pior! Por que supercarros dão perda total mais facilmente

Ferrari acidentada; reparar superesportivo às vezes sai mais caro que o valor de mercado do veículo - Jonne Roriz/Estadão Conteúdo/AE
Ferrari acidentada; reparar superesportivo às vezes sai mais caro que o valor de mercado do veículo
Imagem: Jonne Roriz/Estadão Conteúdo/AE

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

24/07/2019 07h00

Resumo da notícia

  • Peças raras e caras elevam bastante o custo do reparo
  • Mão de obra altamente especializada também afeta preço
  • Fibra de carbono e outros componentes frágeis são outro fator
  • Dependendo do estrago, reparo pode custar mais que o veículo

Carros superesportivos de marcas como Ferrari, Lamborghini e Porsche com frequência custam mais de R$ 1 milhão, a depender do modelo. Por isso mesmo, estão ao alcance de uma minúscula parcela de pessoas - especialmente em países como o Brasil. Caros para comprar, podem exigir ainda mais dinheiro na conta bancária se forem danificados em uma colisão.

Existe seguro para essas supermáquinas, é claro. Porém, de tão alto o valor, são poucos os proprietários que investem nessa proteção - ainda que sejam milionários. E, quando um exemplar dessa categoria bate e tem seguro, a chance de a seguradora determinar perda total, ou seja, pagar a indenização integral em vez de autorizar o conserto, é maior na comparação com automóveis comuns. Mesmo em casos nos quais o carro pode ser recuperado perfeitamente.

De acordo com a Sompo Seguros, em média o carro "dá PT" (perda total) sempre que o custo do reparo atinge 75% do seu valor de mercado, determinado pela Tabela Fipe. Porém, no caso dos veículos de alta performance, esse percentual costuma ser menor. "Por ter o custo de reparação mais elevado, importados tendem a ter perda total decretada com sinistros de menor proporção, se comparados a um veículo popular por exemplo", explica a UOL Carros Antonio Daniel da Silva, gerente de Sinistro Auto da Sompo.

"Veículos importados, nos quais as peças para substituição e o custo de reparo são mais elevados, podem ser classificados com maior facilidade como indenização integral", confirma Leonardo Ianegitz, diretor de operações da Dekra Brasil - multinacional especializada em inspeção técnica e testes veiculares.

De acordo com o responsável pela oficina de algumas marcas famosas de esportivos, que pediu para não ser identificado, o alto custo para reparar veículos do tipo é explicado por fatores como baixa disponibilidade de peças, mão de obra altamente especializada e a própria fragilidade de componentes de automóveis do tipo.

"Tem muita fibra de carbono e outros materiais caros. Se mais de 30% de uma peça foram danificados, como um para-choque, frequentemente ela é condenada na vistoria do seguro", conta.

A oficina independente Frison, estabelecida na capital paulista, trabalha com carros de luxo e/ou de alta performance e destaca os desafios para consertar automóveis dessa categoria. "Geralmente, o serviço de funilaria e pintura é mais caro sempre que a batida acontece no lado onde fica o compartimento do motor", esclarece Lilian Viana, sócia da oficina.

"No fim do ano passado, reparamos um modelo italiano que bateu a dianteira. O reparo completo saiu por R$ 350 mil, dos quais R$ 40 mil foram só de mão de obra. Se a colisão fosse traseira, onde fica o motor do veículo em questão, a conta ficaria consideravelmente mais alta", conta Viana. "Além disso, poucos se dão conta que o mercado de autopeças não acompanha a depreciação do veículo. O carro pode ser usado, mas a peça tem preço proporcional ao do modelo zero-quilômetro".

Tem, ainda, casos em que o reparo se torna inviável. "Recebemos outro carro que teve uma barra metálica amassada na parte dianteira. Descobrimos que ela faz parte do chassi, que teria de ser inteiramente trocado, juntamente com a carroceria, ao custo de R$ 450 mil. Não foi possível consertar", conta a proprietária.

"Poucos fazem seguro"

Lilian Viana explica, ainda, por que poucos proprietários de máquinas do tipo fazem o seguro. "Menos de 10% dos meus clientes têm seguro porque não vale a pena. Eles usam o esportivo poucas vezes ao ano e têm carros mais tradicionais para o dia a dia. A relação custo x risco não compensa. Além disso, alguns levam o carro para acelerar em autódromos e o seguro não cobre esse tipo de uso", conta.

Ela dá uma ideia de quanto o seguro pode custar: "Meu sócio tem um Mercedes-Benz Classe G 2015 com kit da Brabus. Há cerca de um ano, pagou R$ 160 mil de seguro, enquanto apenas a franquia ficou em outros R$ 110 mil. Ou seja, se precisasse acionar, gastaria quase R$ 300 mil".

Lamborghini batida por Barrichello teve orçamento de aproximadamente R$ 700 mil para ser reparada - Divulgação
Lamborghini batida por Barrichello teve orçamento de aproximadamente R$ 700 mil para ser reparada
Imagem: Divulgação

Lambo batida por Rubinho

Outro exemplo: em fevereiro, o piloto Rubens Barrichello danificou a dianteira de um raríssimo Lamborghini Gallardo LP-570-4 Super Trofeo Stradale 2013. Ele bateu o carro, emprestado, durante teste de pista para o canal "Acelerados".

Com produção limitada a 150 exemplares no mundo topo, o cupê italiano teve de duas a três unidades destinadas ao Brasil e custa cerca de R$ 1,13 milhão, de acordo com a Fipe.

O próprio Rubinho, que não chegou a sofrer ferimentos, confirmou o acidente por meio do seu canal no Instagram.

A reportagem confirmou que o reparo chegou a receber orçamento de aproximadamente R$ 700 mil, valor que corresponde a pouco mais de 60% do preço de tabela. Detalhe: o carro não tinha seguro.

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