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#Avaliação: Jaguar F-Type 2.0 de 300 cv é mais pacato, mas ainda empolga

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

02/03/2019 08h00

Resumo da notícia

  • Superesportivo tem mesmo motor 2.0 turbo do Range Rover Velar
  • Potência: 40 cv a menos que o F-Type V6
  • Carro acelera de 0 a 100 km/h em 5,7 segundos

Quem vê o Jaguar F-Type 2.0 pode achar que a Jaguar enlouqueceu. Afinal de contas, não seria melhor lançar um superesportivo de R$ 353.250 com motor V6 ou V8 em vez de um "simples" 2-litros? Nem sempre. Foi o que UOL Carros constatou após dirigir o cupê por ruas e estradas sinuosas nos arredores de São Paulo.

Até porque esse não é um motor qualquer. Trata-se do suprassumo da família Ingenium, o mesmo conjunto turbinado de quatro cilindros em linha utilizado nas versões mais potentes de Jaguar E-Pace R-Dynamic e Range Rover Velar.

São 300 cv e 40,8 kgfm de torque máximo disponíveis a ótimas 1.800 rpm. Nada mal considerando que são apenas 40 cv a menos que a motorização V6. Além disso, o motor menor é 52 kg mais leve, contribuindo para os 1.525 kg do cupê.

O som do motor é relativamente discreto para um carro com proposta tão esportiva. Só que nem tudo está perdido. Basta apertar um botão mágico ao lado da manopla de câmbio e o barulho fica bem mais alto.

Desavisados podem até achar que estão andando em um F-Type V6. E não só pelo ronco: o desempenho não decepciona. Pode não entregar a estupidez dos 575 cv do F-Type SVR, mas garante fortes doses de emoção. A Jaguar informa 5,7 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h e velocidade máxima de 250 km/h. São números respeitáveis perto dos 5,3 segundos e 260 km/h da versão com seis cilindros.

Andando em uma pista sinuosa dá para notar a boa estabilidade do carro nas curvas. A direção é relativamente leve e podia até ser mais dura -- afinal estamos falando de um superesportivo. A calibragem da suspensão, por sua vez, é boa em pisos lisos como os de uma boa rodovia ou um autódromo. No dia a dia das péssimas ruas brasileiras, ela até dá conta do recado, mas não deixa de judiar dos ocupantes. Se bem que, até aí, a culpa não é da Jaguar, e sim das autoridades brasileiras?

Sobra estilo: F-Type ainda encanta qualquer um

O design ainda é uma das grandes virtudes do F-Type. Mesmo depois de quase seis anos ele continua moderno. Sua capacidade de atrair olhares pelas ruas segue inabalável: não há quem não olhe, geralmente com cara de admiração, para o cupê. Pudera: as linhas inspiradas no clássico E-Type impressionam, seja pelo capô longo ou pelo desenho marcante da traseira curta.

Por dentro, há espaço apenas para duas pessoas e quase nenhuma bagagem atrás dos bancos. Melhor acomodá-las no porta-malas, desde que não sejam grandes: o estepe acaba tomando 70% do espaço do compartimento, que segundo a Jaguar acomoda 310 litros.

A posição de dirigir é irrepreensível e bastante baixa, como convém a um cupê esportivo. Fica até um pouco complicado pra embarcar no veículo, embora o volante se retraia alguns centímetros para facilitar o entra e sai. Há até alguns mimos deliciosamente desnecessários, como o botão de partida do motor cuja luz "pulsa" como um coração e as saídas de ar-condicionado que se erguem quando o veículo é ligado.

O F-Type também agrada pela lista de equipamentos. Mesmo nessa versão "básica" (se é que podemos chamá-lo assim) ele vem com seletor de modos de condução, controles de estabilidade e de tração, sistema de vetorização de torque, central multimídia com tela tátil de 10 polegadas, faróis de LED com luzes diurnas, assistente de permanência em faixa, sensores de estacionamento traseiros, aerofólio ativo (que se ergue automaticamente em velocidades altas), rodas de liga leve de 19 polegadas e sensor de fadiga.

Feito para passear com estilo e boas pitadas de emoção, o F-Type 2.0 não empolga tanto quanto as versões mais potentes. Só que também não é tão caro assim -- pelo menos não perto das cifras milionárias dos carros da Jaguar.