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Avaliação: Chevrolet Spin melhorou design; só esqueceu do motor e do ESP

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

2018-07-30T15:39:20

30/07/2018 15h39

Monovolume traz estilo mais harmonioso e melhorias na direção e suspensão

Foi-se o tempo em que as minivans eram desejadas pelas famílias brasileiras. Hoje este papel cabe aos SUVs, que disputam a tapa quem procura um carro espaçoso para adultos e crianças.

A Spin é um dos símbolos da "resistência anti-SUV", e parece que ela continuará muito tempo entre nós: prova disso é a primeira reestilização feita no modelo lançado em 2012.

Um de seus principais atributos é a relação custo/benefício, e ela continua sendo boa: os preços da Spin variam de R$ 63.990 (LT manual) a R$ 83.490 (Activ7 com câmbio automático).

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Some a isso o visual mais elaborado da primeira reestilização e não é difícil imaginar que a Spin continuará vendendo bem. A minivan bebeu na fonte de modelos como Cobalt e Equinox, e ficou mais bonita.

Tapa no visual

A frente ganhou faróis mais afilados e largos, enquanto a grade ficou mais baixa.

Atrás, a Spin vem com lanternas horizontais e o espaço para a placa subiu do para-choques para a tampa do porta-malas.

Por trás da plástica está a tentativa de tornar as linhas menos desproporcionais. A presença de elementos horizontais (como faróis e lanternas), além de alguns vincos pela carroceria, faz a minivan parecer ser mais baixa do que realmente é.

A versão Activ inclui ainda uma importante novidade: o fim do estepe do lado de fora do carro. Em vez do suporte externo, o pneu sobressalente agora está dentro do porta-malas. A minivan estreia a cor Amarelo Stone, que lembra muito os táxis do Rio de Janeiro.

De acordo com a GM, essa mudança permitiu que a versão aventureira ganhasse sete lugares -- a tal da versão Activ7.

Abre espaço

O interior não mudou tanto assim: o painel digital foi substituído pelo do Tracker, que combina mostradores analógicos com uma pequena tela para o computador de bordo.

Há também novas opções de revestimento (a versão LTZ, por exemplo, tem couro marrom) e uma combinação de cinza com costuras amarelas na versão Activ.

Uma novidade importante está no banco traseiro, que agora é corrediço. Assim, os ocupantes podem escolher entre mais espaço para pernas ou bagagem.

O banco, aliás, é bipartido, pode ser movido ou rebatido de forma independente. Porém, apenas o lado direito (do passageiro) pode ser totalmente dobrado para liberar acesso aos dois bancos extras no porta-malas.

Por falar em porta-malas, a capacidade volumétrica varia de 162 litros (com todos os bancos na posição normal) a 1.068 litros (se apenas os bancos dianteiros estiverem no lugar).

Assim como na maioria dos carros de sete lugares, quem viaja na terceira fileira sofre com a falta de espaço para pernas e cabeça. O acesso também não é dos melhores e os ocupantes da fileira extra sentem mais os solavancos da suspensão.

Bola fora

A Spin Activ sai de fábrica com ar-condicionado, direção elétrica com assistência progressiva, sistema de concièrge e assistência OnStar, câmera de ré, central multimidia MyLink com suporte a Android Auto e Apple CarPlay, sensor de chuva, vidros elétricos, acendimento automático dos faróis, segunda fileira de bancos corrediça, apoio de cabeça e cinto de segurança de três pontos para todos os passageiros, alerta de pressão dos pneus, travas elétricas, suporte para cadeirinhas Isofix, alerta de esquecimento de pessoas e objetos no banco traseiro, computador de bordo, rodas de liga leve aro 16, faróis de neblina, sensores de estacionamento traseiros, rack de teto, entre outros itens.

A lista é extensa, mas sentiu falta de alguma coisa? Pois é: não há controle de estabilidade (ESP) e nem controle de tração. Trata-se de uma falha grave, uma vez que vários modelos mais baratos (como Volkswagen Polo e Fiat Argo, apenas para citar dois exemplos) oferecem os itens.

Mais esperta

O veterano motor 1.8 SPE/4 não foi modificado. Permanece com 111/106 cv e 17,7/16,8 kgfm de torque máximo.

Havia a expectativa de que o trem-de-força viesse com alterações para rodar com combustível brasileiro e argentino, como forma de economizar custos de produção e facilitar a venda do modelo nos dois países.

Entretanto, ainda não foi na Spin que isso aconteceu, principalmente por falta de entendimento entre os governos brasileiro e argentino.

Sem um novo motor, a minivan continua frequentando o posto de gasolina com frequência.

Dados divulgados pelo Inmetro indicam consumo urbano de 7 km/l e rodoviário de 8,3 km/l na estrada, ambos com etanol. Se a escolha for pela gasolina, os números são de 10,3 km/l na cidade e 12 km/l na estrada.

O câmbio automático de seis marchas também é o mesmo, mas a engenharia da GM recalibrou a caixa.

Na prática, ela ficou mais esperta, fazendo as reduções de marcha de forma mais ágil e trocando-as mais suavemente. Pena que a marca não aproveitou para trocar o mecanismo de trocas sequenciais, realizadas por botões na lateral da alavanca.

A suspensão foi recalibrada e ficou mais dura. Se por um lado o comportamento nas curvas melhorou, por outro a Spin judia mais dos passageiros em pisos irregulares.

Existem modelos mais bonitos, maiores e mais bem equipados do que a Spin por aí. Mas é difícil achar uma opção familiar tão boa quanto a minivan. Não há outro modelo 0km à venda no Brasil com capacidade para levar sete pessoas custando menos de R$ 100 mil.

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