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Ford Ka SE 1.0 é bonito e bom de dirigir, mas é "pelado" demais

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

2018-07-25T04:00:00

25/07/2018 04h00

Por R$ 45.990, carro dispensa itens como central multimídia e espelhos retrovisores com regulagem elétrica

O Ka 2019 trouxe um pacotão de novidades: reestilização visual, novo motor 1.5 de três cilindros e câmbio automático nas versões mais caras. Até uma inédita configuração aventureira, a Freestyle, está chegando às ruas.

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Mas as versões mais procuradas continuarão sendo as mais baratas (e menos equipadas), como a SE, de R$ 45.990 com motor 1.0.

Foi justamente esta configuração a avaliada por UOL Carros.

Só o essencial

A versão SE não é a mais básica da gama -- abaixo dela há a S (R$ 45.490), que não sai de fábrica nem com rádio e deve ser procurada majoritariamente por frotistas. Mesmo assim, ela deve ser bastante procurada pelos clientes.

Por R$ 45.990, o Ka SE tem o “básico” para quem procura um carro popular zero quilômetro. Ele sai de fábrica com ar-condicionado, Isofix, direção elétrica, rádio, suporte para celular no topo do painel (chamado de My Ford Dock), espelhos retrovisores e maçanetas pintadas na cor da carroceria, suporte para cadeirinhas Isofix, vidros dianteiros elétricos, travas elétricas, banco traseiro rebatível e bipartido, ajuste de altura do banco do motorista e rodas de aço de 14 polegadas cobertas com calotas.

Mudou mesmo?

Não adianta procurar grandes mudanças no design do Ka. A atualização visual foi bastante discreta, limitando-se a leves retoques nos faróis e lanternas e novos para-choques com detalhes em formato de “C” -- há quem também veja semelhança com o símbolo de parênteses.

Por dentro, ele ganhou um novo rádio (substituído pela central multimídia SYNC 3 nas versões mais completas), novos revestimentos e só.

Logo acima do sistema de som fica um porta-objetos cuja tampa também serve para prender um telefone celular. Basta abrir a tampa, encaixar o smartphone e depois fechá-la para segurar o aparelho na horizontal. Dentro do compartimento fica também uma entrada USB, ideal para plugar seu carregador enquanto usa o GPS no trânsito.

Tem que ter disposição

O motor 1.0 TiVCT de 85/80 cv não foi modificado, e continua sendo o mais potente da categoria. Agradam as boas respostas ao acelerador e a presença de torque mesmo em baixas rotações.

Claro, não dá para esperar milagres de um motor 1.0, mas o conjunto dá conta do recado sem dificuldades, especialmente na cidade.

O Ka 1.0 também agrada pelo consumo de combustível. Medições do Inmetro indicam 9,2 km/l na cidade e 13,4 km/l na estrada com etanol no tanque. Se a escolha for pela gasolina, os números sobem para 10,7 km/l no perímetro urbano e 15,5 km/l no rodoviário.

Lei do mínimo esforço

Já o câmbio manual de cinco marchas é novo. Conhecido pelo código MX65, ele é 35 kg mais leve e entrega engates mais precisos, segundo a Ford.

Na prática, não notamos tanta diferença em relação à caixa anterior. Isso, porém, está longe de ser uma crítica, já que o Ka sempre teve engates suaves. Neste ponto, ele se aproxima muito da caixa manual MQ-200 da Volkswagen, até hoje referência entre câmbios manuais pelo funcionamento suave.

Por fim, a direção com assistência elétrica foi recalibrada e ficou mais direta, dando até uma pitada de esportividade ao compacto. Leve na medida certa, ela também dá agilidade nas manobras do dia-a-dia.

Na medida certa

Os engenheiros também mexeram na suspensão, deixando-a com um ajuste mais firme para melhorar a estabilidade. E funcionou: se o Ka sempre foi conhecido pelo bom comportamento dinâmico, o modelo ficou ainda melhor de curva. Mesmo que o motorista entre com mais disposição, a carroceria inclina muito pouco, transmitindo bastante segurança para quem está atrás do volante.

Felizmente o novo ajuste não penalizou o conforto na transposição de pisos irregulares ou obstáculos tão presentes nas grandes cidades, como buracos e valetas. Não há pancadas secas de fim de curso dos amortecedores e nem a desconfortável sensação de chacoalhar para todos os lados.

Vale a pena?

O Ka SE está posicionado justamente entre seus dois maiores rivais. Custando R$ 45.990, ele é mais barato que Chevrolet Onix LT (R$ 48.390), mas custa mais do que Hyundai HB20 Unique (R$ 43.990).

Se você faz questão de levar um Ka para casa, olhe com carinho para a versão SE Plus. Por R$ 2.500 extras, ela acrescenta a central SYNC 3, retrovisores elétricos, vidros elétricos nas quatro portas e sensores de estacionamento traseiros. Vale a pena se apertar um pouquinho mais para pagar a prestação.

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