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Celular ao volante: infração de trânsito rende 28 multas por hora no Brasil

Motorista utiliza telefone celular enquanto dirige;  uso de smartphone é a 3ª causa de mortes no trânsito no País, segundo Abramet - Danilo Verpa/Folhapress
Motorista utiliza telefone celular enquanto dirige; uso de smartphone é a 3ª causa de mortes no trânsito no País, segundo Abramet Imagem: Danilo Verpa/Folhapress

Isabela Moya

Especial para o Estadão, em São Paulo (SP)

12/05/2022 11h32

No Brasil, foram registradas 246.438 infrações de trânsito por uso de celular no ano de 2021, o que equivale a 28 pessoas multadas a cada hora usando o dispositivo enquanto dirigem. Mais de um terço (37%) das multas foi registrado no Estado de São Paulo, onde 91.362 pessoas foram flagradas utilizando os aparelhos ao volante no ano passado.

Os dados são do Renainf (Registro Nacional de Infrações de Trânsito) divulgados pela Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego) e refletem um problema ainda maior do que é quantificado, diz Antônio Meira Junior, presidente da associação. Ele aponta que os números tendem a ser subestimados, já que nem todas as pessoas que utilizam o celular no trânsito são flagradas pelos agentes de trânsito.

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"Os números registrados são estarrecedores, mas provavelmente estão subestimados, porque a maioria das cidades não tem fiscalização", diz.

Dados do Detran mostram que São Paulo detém um terço dos automóveis cadastrados no País.

"O celular na direção é o principal motivo de distrações durante a direção, e é o mais grave, porque ocasiona uma distração em três níveis: manual (motorista tira a mão que devia estar comandando a direção), visual (desvio do olhar) e cognitiva (desvio do foco, distração emocional e maior tempo de reação)", explica Meira Junior.

"A relação celular e direção é o clássico exemplo de sinistro de trânsito, ou seja, não é um acidente porque é passível de prevenção. A maioria das tragédias nas estradas são provocadas por falhas humanas, que poderiam ter sido evitadas."

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Levantamentos feitos pela Abramet mostram que o uso do celular é responsável por quase 50% das atividades que resultam em Falha de Atenção ao Conduzir - quando há uma distração por parte do motorista -, e que 57% dos acidentes com pessoas entre 20 e 39 anos são por esse mesmo motivo.

Ainda segundo a instituição, o uso de smartphone é a terceira causa de mortes no trânsito no País, ficando atrás apenas do uso de álcool e do excesso de velocidade.

Em 2022, com o fim das restrições impostas pela pandemia, a quantidade de infrações aumentou. O Detran de São Paulo multou, até o mês de abril, 91.151 pessoas por "dirigir veículo utilizando-se, segurando ou manuseando telefone celular", sendo 70.754 delas na capital paulista.

Os números não representam o total de infrações do Estado neste ano, pois referem-se apenas a multas aplicadas por policiais militares no perímetro urbano, isto é, não estão inclusas as multas por radar ou aquelas expedidas por outros órgãos como a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e o DER (Departamento de Estradas de Rodagem).

Para o CTB (Código de Trânsito Brasileiro), caracteriza-se como infração a utilização de celular e/ou de fones nos ouvidos durante condução. Isso significa que, mesmo se o celular estiver conectado a um fone de ouvido ou no viva-voz, a multa será aplicada. O mesmo é válido caso o veículo esteja temporariamente parado, como no sinal vermelho ou no congestionamento.

Dirigir com o celular ou o respectivo fone no ouvido é infração média, com multa de R$ 130,16 mais quatro pontos no prontuário do condutor. Se o motorista estiver manuseando ou digitando no aparelho, é caracterizada infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

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