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Morte de ciclista brasileiro com fuga de motorista gera protesto na Irlanda

Brasileiros pedem justiça após morte de ciclista carioca em Dublin durante entrega de comida - Acervo
Brasileiros pedem justiça após morte de ciclista carioca em Dublin durante entrega de comida Imagem: Acervo
Diego Salgado

Repórter do UOL desde 2015, com passagens por Estadão e Portal 2014. Ciclista há 20 anos na cidade de São Paulo, já pedalou por 10 países e atravessou sozinho a América do Sul e a Europa. A Oceania é o próximo desafio.

03/09/2020 04h00

A morte do ciclista brasileiro Thiago Cortes, 28, gerou uma onda de protestos em Dublin, Irlanda, ontem (2). A omissão de socorro do motorista motivou a manifestação organizada por meio das redes sociais. Cerca de mil pessoas, a maioria brasileiros, foram às ruas pedindo justiça.

Thiago foi atropelado no fim da noite da última segunda-feira (31), durante o trabalho de entrega de comida. O motorista fugiu do local do acidente em seguida. O brasileiro foi levado a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. O óbito ocorreu no dia seguinte ao atropelamento.

Natural da cidade do Rio de Janeiro, Thiago morava na Irlanda havia dois anos e meio, ao lado da noiva, Teresa Oliveira. À coluna, ela disse que o noivo começou a trabalhar com entregas de bicicleta há dez dias. Segundo Teresa, ele já pedalava com regularidade antes disso.

Thiago ciclista - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Thiago Cortes tinha 28 anos e morava na Irlanda desde 2018 ao lado da noiva
Imagem: Acervo pessoal

Teresa recebeu a notícia do acidente de um policial, que atendeu um telefonema dela diante da demora de Thiago em chegar em casa depois de um dia de trabalho.

"Eu estava à noite em casa esperando ele chegar do trabalho. Mandei uma mensagem às 23h esperando se ele ia demorar. Uma amiga, então, me falou que um entregador tinha sofrido um acidente grave aparentemente. Tentei ligar e um policial atendeu. Disse que ele tinha sido levado para um hospital", contou Teresa, que começou a namorar Thiago há sete anos.

Segundo a brasileira, a mobilização começou em grupos de WhatsApp e também em eventos criados no Facebook. "Foram os entregadores do aplicativo que começaram essa movimentação, ao lado da associação de escolas de inglês. A comunidade brasileira aqui é muito grande, eu me surpreendi com essa mobilização. Todo mundo parou", ressaltou.

Nos protestos, as pessoas exibiram cartazes com pedidos de justiça e questionando quem era o motorista responsável pelo acidente. A polícia irlandesa, de acordo com Teresa, conseguiu avançar em relação à investigação.

"A polícia disse que já acharam o carro, fizeram perícia no carro e no local. Disseram que já há alguns suspeitos. Estão tentando reunir mais evidências. A investigação está andando", afirmou a brasileira, que elogiou a atuação dos policiais.

"A polícia está sendo extremamente sensível comigo e com a família. Estão ajudando em tudo o que podem. Ficaram conosco no hospital até o fim. Tem um contato direto que tem me dado apoio", contou.

O corpo de Thiago ainda não foi liberado pelas autoridades. A família ainda não definiu em que local será o sepultamento.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.