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Paula Gama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Carro pouco rodado é melhor? 7 mitos que "entendedores" adoram propagar

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Paula Gama

Jornalista especializada no mercado automotivo desde 2014, Paula Gama tem 28 anos e avalia diversos modelos no Brasil e no exterior. Nesta coluna, você terá opiniões sinceras sobre os lançamentos, cultura automotiva, tendências e análises de comportamento do consumidor.

Colunista do UOL

27/08/2021 04h00

Como jornalista automotiva, é natural que muitas pessoas venham até mim papear sobre carros. Na maioria das vezes, a conversa é bem agradável, mas também é muito comum que a outra pessoa tome alguns mitos antigos como verdades absolutas.

Não me importo, afinal, quem não é um profissional da área não tem obrigação de estar sempre atualizado, mas resolvi reunir os discursos que mais ouço e desmistificá-los.

7 mitos que "entendedores" de carros adoram propagar - Freepik - Freepik
7 mitos que "entendedores" de carros adoram propagar
Imagem: Freepik

1- Motor 1.0 é fraco

Esse pensamento nem sempre foi um mito, afinal, anos atrás, os motores de litragens menores eram, necessariamente, menos potentes do que motores maiores. Mas com a chegada dos motores turbo e com injeção direta de combustível, tudo mudou.

Há motores 1.0 turbo mais potentes do que 2.0 aspirados. São equipamentos que permitem ao carro mais potência e torque e menor consumo de combustível. Para se ter uma ideia, o 1.0 TSI da Volkswagen entrega 125 cv e 20,4 kgfm de potência e torque máximos, respectivamente.

Mas antes de comprar um carro com motor turbo tenha em mente que a tecnologia tem seu preço. Esse tipo de motor exige fluidos mais caros do que os tradicionais. Por isso, não se espante na hora da manutenção.

2- Carros japoneses são os melhores

Esse tema é polêmico e renderia uma coluna à parte, mas serei sucinta. A alta confiabilidade dos carros japoneses tem motivo. Após a Segunda Guerra Mundial, essas montadoras precisaram batalhar muito para entrar no mercado norte-americano, já que o Japão havia sido rival dos Estados Unidos. A estratégia foi oferecer carros mais simples, porém com uma mecânica muito acertada, para gerar credibilidade. Com menos equipamentos e tecnologias, os carros realmente quebravam menos.

Honda, Nissan, Toyota nem de longe chegaram nos Estados Unidos como carros de luxo, tanto que todas elas, mais tarde, criaram suas divisões mais sofisticadas, Acura, Infiniti e Lexus, respectivamente.

Quando chegaram ao Brasil, nos anos 90, elas já tinham nomes consolidados nos Estados Unidos e Europa, e forte confiabilidade. Os carros "importados" rapidamente foram vistos como artigo de luxo. Também é preciso lembrar que nesse período o nosso país já tinha estradas melhores, quando comparadas às estradas encaradas por Chevrolet, Ford e Volkswagen nas décadas anteriores. Por todos esses fatores, criou-se a ideia de que os carros tinham mecânica muito superior.

Atualmente, essas montadoras continuam oferecendo veículos de mecânica confiável, mas isso não quer dizer que estão tão à frente das outras como se pinta. E, em alguns casos, elas ainda demoram mais para oferecer novas tecnologias e equipamento, e investem em uma mecânica mais simples e confiável. Mas o mercado é bem mais equilibrado do que outrora.

3- Melhor comprar um carro usado completão do que um novo mais simples

Sempre que alguém me diz essa frase, eu respondo logo: "vai com calma! Você terá dinheiro para pagar a manutenção de um carro de luxo?"

Com o aumento do preço dos automóveis, é quase óbvio que comprar um carro com anos de uso, porém bem equipado, é mais interessante. Mas não é bem assim. No ponto de vista do conforto, tudo bem. Mas quanto mais rodado, mais cara a manutenção do veículo, o mesmo vale para modelos mais equipados e potentes.

É muito provável que o consumo de combustível também seja maior. Isso significa colocar na garagem um carro com custo mensal mais pesado, e até mesmo incompatível com o seu orçamento.

4- Quanto maior o carro, maior o consumo

Quando você compra um carro maior, como um SUV ou uma picape, e reclama do consumo, é natural que alguém diga "mas carro grande é assim mesmo". Não, não é sempre assim. Quando um carro é muito beberrão, significa que tem um motor não muito eficiente.

Há picapes médias a diesel, por exemplo, que fazem até 12 km/l, por que seria normal o seu SUV compacto fazer 7km/l? O problema não está no tamanho do carro, mas na ineficiência do motor.

5- "Carro de mulher" é sempre um bom negócio

As pesquisas apontam que as mulheres são mais cuidadosas no trânsito, mas isso não significa que elas sejam mais cuidadosas com o carro.

Algumas podem até cuidar com zelo, mas é comum que muitas mulheres não se sintam à vontade para parar em um posto para calibrar o pneu, ou ir até a oficina com regularidade. Por isso, não acredite nessas frases prontas na hora de comprar um usado. Verifique a condição real do veículo.

6- Carro pouco rodado é sempre melhor

Mais uma frase pronta que nem sempre é verdadeira. Por incrível que pareça, algumas peças do veículo precisam de uso frequente para funcionarem bem, como é o caso da bateria. Também é problemático rodar pouquíssimos quilômetros com um carro diariamente, pois ele nunca chega à temperatura adequada para o motor.

Por isso, novamente, analise caso a caso. Não pense que encontrou uma "bolacha quebrada" quando se deparar com um veículo pouquíssimo rodado à venda. Via de regra, uma quilometragem boa é de 10 mil km a 20 mil km por ano, desconfie se for muito mais baixa do que isso.

7- Atravessar o quebra-molas na diagonal preserva os amortecedores

Essa questão é pessoal. Me irrito profundamente quando o motorista à minha frente quase para o veículo para passar pelo quebra-molas na diagonal. Além de causar estresse à toa no trânsito, a atitude pode provocar torção no monobloco e sobrecarrega os amortecedores sem necessidade.

Vocês acham mesmo que uma montadora colocaria à venda um carro que não tem capacidade de passar em um quebra-molas na posição natural?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL