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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Marc Márquez, o campeão da MotoGP na encruzilhada: parar ou insistir?

Marc Márquez no GP da Indonésia - Dorna/divulgação
Marc Márquez no GP da Indonésia Imagem: Dorna/divulgação
Roberto Agresti

Sobre o Autor - Roberto Agresti dirigiu durante mais de 30 anos revistas especializadas em motocicletas. Cobriu corridas da MotoGP, do Mundial de Motocross, de Enduro e um inesquecível Paris-Dakar na África. É comentarista da rádio CBN, onde desde 2014 tem o CBN Moto, onde fala sobre motociclismo em rede nacional.

Colunista do Uol

25/03/2022 17h57Atualizada em 25/03/2022 17h57

Enrolei o que pude, mas agora não tem jeito, e tenho que escrever sobre os fatos do final de semana passado na Indonésia, sede da 2ª etapa da MotoGP 2022. Minha vontade era a de escrever sobre a surpreendente quase pole-position (faltaram 0,083s!) do brasileiro Diogo Moreira na Moto3, e seu azar no dia da corrida, na hora do alinhamento, quando a moto pifou. Ou então dedicar linhas e mais linhas para a magistral pilotagem do portuga Miguel Oliveira no piso molhado, pela quarta vez vitorioso na categoria máxima. Mas... não! A notícia não é essa e nem aquela, mas sim outra: o enésimo acidente de Marc Márquez.

MotoGP - reprodução/Dorna - reprodução/Dorna
Acidente de Marc Márquez no warm-up do GP da Indonésia
Imagem: reprodução/Dorna
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Marc caiu um total de quatro vezes no final de semana na pista de Mandalika, duas em uma mesma sessão inclusive, mas foi o tombo do warm-up, na manhã do domingo, que o levou para o estaleiro. Cair no warm-up é uma coisa besta. Só não é mais besta do que cair na volta de apresentação. Como o próprio nome diz, warm-up é um aquecimento horas antes da corrida, para ver como "dormiu" a pista do sábado para o domingo. Não é momento para arriscar voltas rápidas. Mas Marc, inconformado com a dificuldade em levar sua Honda como se deve nos dias anteriores, resolveu que era necessário buscar a velocidade perdida, que o relegou a uma miserável 14ª posição no grid de largada. Na busca de uma volta rápida, fez M...

O tombo foi pavoroso, e Marc até que teve sorte, saiu andando, melhor dizendo cambaleando. Não ter fraturado nenhum osso no violento impacto com o asfalto a mais de 160 km/h comprovou a eficiência do macacão com airbag e demais equipamentos de segurança. Mas, mais do que isso, confirmou a competência de seu anjo da guarda, pois faltou um nadica de nada para a moto cair em cima dele. Todavia, o nervo encarregado de movimentar um dos músculos que movimentam o globo ocular, já lesado e operado em 2011, deu problema de novo. Basicamente a mesma coisa que o impediu de participar das duas últimas corridas da temporada do ano passado, quando após um tombo treinando em pista de motocross apareceu a tal da Diplopia, nome da visão dupla. Sem chance correr de moto enxergando dobrado, certo?

MotoGP - Dorna/divulgação - Dorna/divulgação
Marc Márquez
Imagem: Dorna/divulgação

Dizem os médicos que tratam de Marc Márquez que a lesão não é tão grave como a de outubro passado, e que ele estará de volta logo. Mas há quem diga - médicos, e não eu, gaiato -, que não é bem assim. O nervo lesado e operado em 2011 não deu trabalho até 2021, quando a cabeçada no motocross reavivou o problema. Em linguajar simples, a "emenda" feita há uma década fez ver que... emenda é emenda! Pode ficar bom, mas não fica perfeito. E esta cabeçada do final de semana passado é uma "provocação" que o nervo emendado não gostou nadinha.

Martelei o dedo sem querer quando tinha uns cinco anos de idade. Doeu para caramba e nunca mais me esqueci desse acidente. Mais de meio século depois, sempre que vou usar um martelo tomo cuidado. O acidente grudou na minha na memória. Esta passagem besta da minha existência me leva a refletir sobre as consequências que o tombo de domingo passado pode ter causado no melhor piloto de motocicleta da última década, dono de oito títulos mundiais, seis deles na MotoGP.

O talento indiscutível de MM93 fez dele dominador da MotoGP até a fatídica tarde de 19 de julho de 2020, quando caiu, quebrou um braço e iniciou um calvário pontilhado por três cirurgias para voltar ao guidão em forma física minimamente decente, em abril de 2021. Voltou a vencer duas vezes, mas talvez mais do que um braço que não é mais o mesmo, ou o olho que pode a qualquer momento dar pau, é o cérebro o órgão de Marc Márquez que mais preocupa, a condição psicológica.

Aos 29 anos de idade, Marc deve estar refletindo se realmente vale a pena buscar mais glórias e vitórias arriscando a saúde nas pistas. O método de buscar o limite da moto a todo custo, mesmo se isso significasse um tombo, não pode e nem deve mais ser aplicado. Para ele talvez isso signifique não ser mais ele mesmo, o Marc Márquez devorador de adversários, o veloz entre os velozes. O interesse por continuar a pilotar pode simplesmente terminar. Márquez não é Rossi, que confessou que em suas últimas duas temporadas tinha consciência de não ser tão veloz como nos bons tempos, mas mesmo assim quis ficar na MotoGP, pelo amor à moto, ao ambiente e seus fãs.

A Honda, equipe de Marc Márquez, já olhava em volta buscando um sucessor. Os fatos de Mandalika aceleraram tal busca pois entre parar ou , a balança de Marc Márquez parece estar pendendo para a primeira opção.

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