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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

A MotoGP de ressaca no pós-Valentino Rossi

Valentino Rossi, uma lenda do motociclismo, que se aposentou ao final de 2021 - Dorna/Divulgação
Valentino Rossi, uma lenda do motociclismo, que se aposentou ao final de 2021 Imagem: Dorna/Divulgação
Roberto Agresti

Sobre o Autor - Roberto Agresti dirigiu durante mais de 30 anos revistas especializadas em motocicletas. Cobriu corridas da MotoGP, do Mundial de Motocross, de Enduro e um inesquecível Paris-Dakar na África. É comentarista da rádio CBN, onde desde 2014 tem o CBN Moto, onde fala sobre motociclismo em rede nacional.

Colunista do Uol

19/06/2022 08h00

Valentino Rossi se aposentou no final da temporada passada, e mesmo sem estar mais na pista ainda se vê muito amarelo - a cor do VR46 - nas arquibancadas da MotoGP, sinal óbvio da gigantesca pegada que o italiano deixou na história do motociclismo.

Seu talento foi comprovado por números - 115 vitórias, 9 títulos, 65 poles, 235 pódios - mas, mais do que recordes, o que fez de Rossi a maior estrela do motociclismo de todos os tempos foi sua personalidade magnética, ímpar. Um garoto propaganda nato, que entrou no radar até de quem não dava bola para o motociclismo.

Valentino espargiu a MotoGP pelos quatro cantos do planeta, mas a aposentadoria após 26 anos de excelentes serviços prestados, machucou a categoria de modo evidente: nunca antes o GP da Itália, na pista de Mugello, teve tão pouco público como neste 2022, lembrando que nos últimos dois anos o evento foi realizado com portões fechados por causa da Covid-19.

Alguns culparam o preço elevado dos ingressos, outros a concomitância com o mais badalado dos grandes prêmios da F1, o que é disputado nas ruas de Mônaco, mas a verdade é que Rossi funcionava como um ímã de espectadores, mesmo estando fora das posições de ponta desde a temporada de 2017. Era como um leão de zoológico, que mesmo velho, sem dentes, cansado e incapaz de morder como no passado, atrai pela majestade grandiosa.

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Marc Márquez, o inimigo nº1 de Valentino Rossi
Imagem: Dorna/Divulgação

Para piorar as coisas para os organizadores da MotoGP, o mais ferrenho antagonista da fase final da carreira do italiano, o espanhol Marc Márquez, também não consegue mais dar espetáculo, culpa de um braço maltratado no mais amplo sentido deste termo. Com isso chegamos à óbvia conclusão, de que o esporte da moto, como qualquer outro, depende de ídolos carismáticos como Rossi, ou fortes como Márquez.

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Fabio Quartararo, campeão da MotoGP em 2021
Imagem: Dorna/Divulgação

Muitos gostam de Fabio Quartararo, o francês campeão da MotoGP em 2021 com Yamaha, e outros tantos de Joan Mir, o nº1 de 2020 com Suzuki. São talentosos, focados, mas são jovens (23 anos Fábio, 25 Joan) que precisariam comer muito arroz-com-feijão (ou se reinventarem?) para ter um décimo da capacidade de atrair multidões de um Rossi ou mesmo de um Márquez em forma, sujeito que não é exatamente um modelo de simpatia, mas era indiscutivelmente um demônio ao guidão antes do acidente de 2020.

Com esta entressafra a MotoGP - sem dúvida a mais emocionante categoria do esporte a motor - perde audiência para a Fórmula 1, que passou anos dando sono com o esmagador domínio de Lewis Hamilton, mas cujo espetáculo foi reavivado pelo antagonismo entre o casca-grossa Max Verstappen e o "rosso" Charles Leclerc.

Conclusão? (In)felizmente(?) o esporte, qualquer um, não atrai sem que exista um ídolo e seu rival, pois os mocinhos não conseguem ser mocinhos se não existirem grandes bandidos.