PUBLICIDADE
Topo

Motoesporte

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Um futuro sustentável nas competições de moto

Divulgação
Imagem: Divulgação
Roberto Agresti

Sobre o Autor - Roberto Agresti dirigiu durante mais de 30 anos revistas especializadas em motocicletas. Cobriu corridas da MotoGP, do Mundial de Motocross, de Enduro e um inesquecível Paris-Dakar na África. É comentarista da rádio CBN, onde desde 2014 tem o CBN Moto, onde fala sobre motociclismo em rede nacional.

Colunista do UOL

25/11/2021 21h48

Cerca de 60 milhões de motocicletas são vendidas anualmente no mundo, e mais de 2,2 bilhões de veículos motorizados de duas rodas estão em circulação no planeta atualmente. São grandes números, que confirmam o que se vê pelas ruas do Brasil ou de qualquer canto do globo terrestre: um enxame de motos sendo usadas para todos os fins, trabalho, transporte, lazer e... esporte!

Corridas de motos atraem muito público, e isso interessa aos fabricantes, pois a velha máxima "vencer no domingo, vender na segunda-feira" é uma verdade insofismável. Não à toa, toda grande marca de motos tem pés bem fincados em alguma categoria - ou todas - do motociclismo.

Porém, olhos atentos miram para a sustentabilidade, essencial nos dias de hoje. Não há nenhum ser humano com algum juízo que não concorde que a queima de combustíveis fósseis está na raiz de uma série de problemas que a humanidade atravessa, e assim, como equacionar o problema? Como continuar promovendo competições e ficar em paz com o meio-ambiente?

Atentos à questão, os organizadores do principal campeonato do motociclismo mundial, a MotoGP, anunciaram ações práticas, com prazos determinados, para tornar corridas de motos sustentáveis. Motos elétricas? Não! A categoria até existe, vai bem obrigado, mas o passo que a Federação Internacional de Motociclismo - FIM - pretende dar em conjunto com a empresa organizadora do campeonato, a espanhola Dorna Sports, com óbvia benção dos fabricantes envolvidos (Honda, Yamaha, Ducati, Suzuki, KTM, Piaggio...) é introduzir, gradualmente, combustíveis não fósseis.

O plano prevê que já a partir de 2024, pelo menos 40% do combustível usado nas três categorias do Mundial de Motovelocidade (MotoGP, Moto2 e Moto3) seja de origem não fóssil, e que em três anos, em 2027, o combustível seja 100% derivado de matéria prima não fóssil.

Este ousado plano significa que o mais importante campeonato do motociclismo terá um papel crucial no desenvolvimento de tecnologia para zerar as emissões de CO2, mas preservará os motores a combustão interna.

Não se trata de uma guerra ao motor elétrico, mas sim uma nítida tomada de posição, que leva em conta que o sonho da eletrificação da frota mundial é isso mesmo, um sonho, e que a curto ou médio prazo não há como prover energia elétrica limpa para alimentar veículos sem que a tecnologia de armazenamento - as baterias - evoluam. Idem em relação à energia que chega na tomada, em grande parcela oriunda de termoelétricas, queimadoras de combustíveis fósseis.

De onde virá este mágico combustível que não depende do petróleo para ser fabricado? De acordo com os envolvidos, de resíduos e biomassa não alimentar, e deverá ser bem menos nocivo no que diz respeito a emissão de gases de efeito estufa.

Para acelerar esta pesquisa, as equipes e marcas envolvidas na categoria MotoGP poderão ter fornecedores de combustível múltiplos, com o intuito de estimular a concorrência tecnológica entre eles e chegar a resultados satisfatórios com mais rapidez. Ou seja, é a competição fazendo aquilo que sempre fez: servindo de laboratório a céu aberto para o desenvolvimento de tecnologias. No caso, ter combustível 100% livre de carbono até 2027 soa muito bem, a ponto de fazer aqueles que argumentam, sem pensar, que a competição de motos ou de carros é algo sem sentido repensarem sua posição.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL