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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Avaliação: Meteor 350 é moto "honesta" para quem quer viajar sem pressa

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Arthur Caldeira

Arthur Caldeira, jornalista e motociclista (necessariamente nessa ordem) fundador da Agência INFOMOTO. Mesmo cansado de ouvir que é "louco", anda de moto todos os dias no caótico trânsito de São Paulo.

Colunista do UOL

24/07/2021 04h00

"Uma moto honesta", afirmou Claudio Giusti, diretor executivo da Royal Enfield no Brasil, referindo-se à nova Meteor 350, lançada no início de julho. Com preço inicial de R$ 17.990, para a Fireball, versão mais acessível da linha, a nova moto da marca indiana realmente é "honesta", ou seja, entrega o que promete: ser uma opção de moto custom média que oferece conforto e estilo clássico.

Além do nome, a Meteor herdou o estilo cruiser de um clássico modelo da marca dos anos de 1950. Caracterizado pela posição de pilotagem confortável e o visual clássico, o estilo ficou conhecido aqui no Brasil como custom.

O design clássico se traduz em um assento baixo (a apenas 76,5 cm do solo) o que faz da Meteor uma boa opção para os iniciantes. As pedaleiras avançadas e o guidão curvado resultam em uma posição de pilotagem "relaxada", perfeita para pegar a estrada.

Meteor 350 - Divulgação - Divulgação
Pedaleiras avançadas e guidão curvado proporcionam uma posição de pilotagem confortável
Imagem: Divulgação

Desenvolvida em parceria com o centro técnico da Royal Enfield, inaugurado na Inglaterra em 2017, a Meteor tem chassi do tipo berço duplo e uma geometria projetada para equilibrar conforto em viagens, mas sem deixar de lado a agilidade no uso urbano. As rodas de liga-leve são de 19 polegadas, na dianteira, e 17, na traseira, calçadas com pneus sem câmara.

As suspensões são simples, mas funcionam bem. Tanto o garfo telescópico dianteiro, como o sistema de amortecimento bichoque, na traseira, absorveram bem as imperfeições do asfalto durante o primeiro contato com a Meteor 350.

Muito torque

Os engenheiros automotivos costumam brincar que o consumidor de motos compra potência, mas usa mesmo o torque. Em um trajeto de cerca de 80 km entre São José dos Campos (SP) e São Bento do Sapucaí, na serra da Mantiqueira, a nova Meteor 350 deixa isso claro.

A potência máxima de 20,2 cv a 6.100 rpm não impressiona e é até menor do que modelos concorrentes de 250 cc. Mas o torque de 2,75 kgf.m já a 4.000 giros se destaca da concorrência.

Na prática, o motor não gira alto e alcança o máximo de 120 km/h, mas seu bom torque faz com que o piloto possa rodar com tranquilidade na cidade, sem ter que usar muito o câmbio de cinco velocidades que tem engates suaves.

Meteor 350 Stellar - Divulgação - Divulgação
Meteor 350 não passa de 120 km/h, mas tem bom torque para se divertir em estradas sinuosas
Imagem: Divulgação

Na estrada, não é preciso reduzir marcha ao diminuir a velocidade ou encarar uma ladeira, o monocilíndrico com exatos 349 cm³ tem força para rodar em quarta marcha a 50 km/h e demonstrou boas retomadas. Vale destacar ainda o baixo nível de vibração do novo motor em comparação com as antigas Classic 500.

Também a Meteor não pretende ser uma moto de alto desempenho. Pelo contrário. O modelo promete ser uma cruiser confortável e fácil de pilotar, seja na cidade ou na estrada. Claro que falta um pouco de potência em rodovias rápidas, mas sobrou diversão nas estradas sinuosas e de mão dupla da Serra da Mantiqueira.

Não foi possível aferir o consumo, mas segundo dados da Royal Enfield no Brasil, a Meteor 350 roda cerca entre 28 e 30 km/litro de gasolina. Como seu tanque tem capacidade para 15 litros, a autonomia projetada supera os 400 quilômetros.

Confortável

Se por um lado o desempenho do motor não impressiona, por outro a parte ciclística se mostrou estável, tanto nas retas ao atingir a velocidade máxima como ao contornar curvas na trajetória desejada. Apesar de marcar 191 kg (abastecida e pronta para rodar) na balança, a Meteor parece ser mais leve do que é.

Meteor 350 curvas - Divulgação - Divulgação
Apesar do estilo cruiser e do peso de 191 kg, Meteor vai bem nas curvas
Imagem: Divulgação

O responsável por essa estabilidade é o chassi rígido e a geometria da moto. Embora seja uma cruiser, o ângulo de cáster, ou seja, a inclinação do garfo dianteiro, é menor do que em outros modelos do mesmo estilo. Em resumo, um ângulo maior oferece mais estabilidade nas retas, enquanto ângulos maiores deixam a moto mais ágil. A Royal encontrou um meio termo interessante.

De acordo com os engenheiros da Royal Enfield, o modelo foi projetado para ser ágil no deslocamento urbano e estável em viagens. Na cidade, as mudanças de direção para "costurar" o trânsito são rápidas e fáceis; na estrada, o conjunto se mostrou estável até mesmo em curvas mais rápidas.

O funcionamento dos freios também correspondeu às expectativas para um modelo desse porte. Os discos de freio em ambas as rodas pararam com segurança o conjunto. Contam com sistema ABS de dois canais, que atuam de forma independentes na dianteira e na traseira.

Versões

Como em outros países, a nova Meteor 350 chega ao Brasil em três versões: Fireball, Stellar e Supernova. Apesar do nome pomposo e de aparentarem ser diferentes entre si, as três são essencialmente a mesma motocicleta. Mudam apenas a pintura do tanque e carenagem, alguns acessórios e o preço, é claro.

Meteor 350 versões - Divulgação - Divulgação
Royal Enfield trouxe as três versões da Meteor 350 para o Brasil: são a mesma moto, mas mudam acabamento e acessórios
Imagem: Divulgação

Mais "básica" de todas, a Fireball tem cores sólidas e motor e escapamento pintados de preto, pelo preço de R$ 17.990. Já a intermediária Stellar tem encosto para garupa (sissy-bar), escapamento cromado e cores metálicas, por R$ 18.490. A mais "enfeitada" é a Supernova que vem com para-brisa, além do encosto. A versão feita para quem quer viajar ou curte mais acessórios também tem mais cromados, rodas usinadas e pintura do tanque em dois tons, por R$ 18.990. Os valores não incluem o frete de R$ 1 mil, tabelado para todo o Brasil, segundo o diretor executivo da Royal Enfield no Brasil.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL