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Queda na venda de motos em novembro reflete limitações na produção

Para fabricantes, pandemia de covid-19 tem de estar controlada para setor voltar aos níveis normais de produção em Manaus (AM) - Divulgação
Para fabricantes, pandemia de covid-19 tem de estar controlada para setor voltar aos níveis normais de produção em Manaus (AM) Imagem: Divulgação
Arthur Caldeira

Arthur Caldeira, jornalista e motociclista (necessariamente nessa ordem) fundador da Agência INFOMOTO. Mesmo cansado de ouvir que é "louco", anda de moto todos os dias no caótico trânsito de São Paulo.

Colunista do UOL

09/12/2020 11h48

Resumo da notícia

  • Emplacamentos de motos caíram 7,0% no mês passado em comparação a outubro
  • Fabricantes dizem que ainda há desequilíbrio entre oferta e demanda
  • Projeção do setor é fechar 2020 com recuo de 16,0% no varejo; produção deve ficar 15,4% abaixo de 2019

A venda de motocicletas no varejo, em novembro, registrou queda de 7,0% em comparação ao mês anterior. Foram emplacadas 89.409 unidades no mês passado, contra 96.114 em outubro. Já em relação a novembro de 2019, a alta nos emplacamentos foi de 1,2%, segundo a Abraciclo, associação que reúne os fabricantes do setor de duas rodas.

Embora o resultado seja negativo, os fabricantes afirmam que se trata de um reflexo das limitações na produção de motos no Polo Industrial de Manaus e não exatamente de um arrefecimento do mercado de duas rodas.

"Tivemos paralisação em uma das associadas, para manutenção e ajustes na linha de montagem, o que acabou refletindo nas entregas de motos em novembro", declarou Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo. O executivo ressalta que, em função da localização das fábricas, as entregas para as concessionárias levam em média 15 dias.

Mesmo assim, a produção no mês de novembro cresceu 14,5% na comparação com outubro e atingiu a segunda melhor marca do ano, com 104.094 motocicletas produzidas no País.

Vale lembrar que, durante os meses de março e abril, a produção de motos em Manaus ficou paralisada em função da pandemia do novo coronavírus. Desde então, as fábricas enfrentam desequilíbrio entre a oferta e a demanda, gerando, inclusive, reclamações dos consumidores que estão demorando para receber as motos.

"É preciso ter a pandemia da covid-19 sob controle para conseguirmos voltar aos níveis normais de produção. A adoção de uma série de restrições, que exigiram mudanças no layout das fábricas para garantir a saúde dos colaboradores, gerou aumento no tempo de fabricação das motocicletas e isso impactou fortemente o desempenho do setor", explica Fermanian.

Setor deve fechar 2020 em queda

Apesar dos bons números após a reabertura da economia, com o aumento na procura por motos, como um meio de transporte seguro em tempos de covid-19 ou como ferramenta de trabalho, o setor de duas rodas não irá escapar de fechar 2020 em queda.

A Abraciclo revisou as projeções feitas no início do ano e agora projeta recuo de 15,4% na produção de motocicletas neste ano, com 937.000 unidades, quando comparado a 2019. Já as vendas do varejo, que refletem a queda na produção, devem ter baixa de 16% em comparação ao ano passado.

Para 2021, os fabricantes ainda não arriscam previsões. Segundo Marcos Fermanian, os associados devem anunciar as projeções para o ano que vem, apenas em janeiro. "Entendemos que o ideal em 2021 seria atingirmos o mesmo volume de 2019, para zerar o déficit desse ano complicado", completou o executivo.