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Primeira moto bigtrail, BMW GS faz 40 anos; conheça a história do modelo

R 1250 GS, mais recente modelo da família, foi a moto mais vendida da marca no mundo em 2019 com 59.000 unidades - Divulgação
R 1250 GS, mais recente modelo da família, foi a moto mais vendida da marca no mundo em 2019 com 59.000 unidades Imagem: Divulgação
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Arthur Caldeira

Arthur Caldeira, jornalista e motociclista (necessariamente nessa ordem) fundador da Agência INFOMOTO. Mesmo cansado de ouvir que é "louco", anda de moto todos os dias no caótico trânsito de São Paulo.

Colunista do UOL

07/06/2020 04h00

Em 1980, a BMW inovou o mercado de motos com a criação da R 80 G/S. O modelo tinha roda de 21 polegadas na dianteira, pneus de uso misto e suspensão de longo curso como uma moto de enduro, mas o motor de 50 cavalos de potência vinha das esportivas da marca alemã. O tanque de 19,5 litros proporcionava autonomia para viajar; e o assento oferecia conforto para piloto e garupa. Nascia ali, há 40 anos, o segmento bigtrail, das motos aventureiras.

R 80 GS abre - Divulgação - Divulgação
R 80 G/S, lançada em 1980, foi primeira moto que prometia conforto no asfalto e versatilidade para rodar na terra
Imagem: Divulgação
A R 80 G/S trazia no nome a cilindrada do motor e sua proposta. A sigla significava Gelände/Straße, do alemão terra e estrada, on e off-road. Ao longo de quatro décadas, perdeu a "/" e as letras "GS" deram origem a uma família de motos que inspirou motociclistas de todo o mundo a se aventurar por aí, sem se preocupar se a estrada era asfaltada ou não.

A receita original foi sendo aprimorada e tornou-se campeã de vendas. Em 2019, a GS foi a moto mais vendida da BMW em todo o mundo, com 59.000 unidades emplacadas, de um total de 175.162 motos comercializadas pela marca.

A BMW GS evoluiu, mas não abriu das características responsáveis pelo seu sucesso ao longo de quatro décadas. A atual representante da família, R 1250 GS, ainda tem motor boxer, de dois cilindros opostos, 1250 cc, e 136 cv de potência máxima. A transmissão final é feita por eixo-cardã, como no modelo de 1980, e sua ciclística enfrenta uma estrada de terra sem problemas.

Ganhou muita tecnologia embarcada, como freios ABS, modos de pilotagem e até painel digital com conexão Bluetooth, oferecendo conforto para longas viagens.

"A R 1250 GS tem o que há de mais moderno em engenharia e eletrônica. Após 40 anos continuamos a fazer jus a nossa reputação e seguimos nos atualizando", comenta Gabriela Sterenberg, gerente de Marketing da BMW Motorrad no Brasil. Entre 2010 e 2020, foram vendidas mais de 19 mil unidades no país, somando os modelos de 1.200 cc e 1.250cc.

As diversas gerações contam não apenas a evolução da linha GS, mas também das motos aventureiras. Conheça a história da BMW GS, um ícone que já tem quatro décadas de estrada e milhões de quilômetros rodados.

R 80 G/S - a primeira

R 80 GS - Divulgação - Divulgação
Primeira GS tinha motor boxer de dois cilindros, com 798 cm³, 50 cv e chegava a 168 km/h
Imagem: Divulgação
Com as vendas minguando em função da concorrência japonesa, a BMW buscava novos modelos. A R 80 G/S, apresentada em setembro de 1980, trazia mais conforto e potência do que as motos off-road, inaugurando o segmento bigtrail. O modelo trazia inovações técnicas como o monobraço traseiro com o eixo-cardão integrado, o que reduzia peso e facilitava a troca do pneu em caso de furo.

R 80 GS e R 100 GS - motor maior

R 80 GS e R 100 GS - Divulgação - Divulgação
A segunda geração trouxe o modelo R 100 GS, com motor de 980 cm³, 60 cv e 180 km/h de máxima
Imagem: Divulgação
A segunda geração, lançada em 1987, virou definitivamente GS, sem a barra, e ganhou uma versão de motor maior: a R 100 GS, mas a R 80 GS se manteve. Ambas ganharam tanque de 26 litros e estrearam os raios externos da BMW, que permitem o uso de pneus sem câmara, mas fáceis de serem reparadas em uma viagem longa, por exemplo. O modelo top de linha não era apenas mais potente, mas também oferecia mais conforto com oassento mais largo e um pequeno para-brisa de série.

R 100 GS - Paris-Dakar - para enfrentar o deserto

R 100 GS Paris-Dakar - Divulgação - Divulgação
Lançada em 1988, a versão especial tinha tanque de maior capacidade, protetores de carenagem e assento único
Imagem: Divulgação
Motivada pelas cinco vitórias no rali Paris-Dakar, ao longo da década de 1980, a BMW apresentou uma versão especial com o nome da prova que se tornou emblemática do espírito aventureiro da família GS. A R 100 GS Paris-Dakar tinha tanque de 35 litros e mais capacidade de carga com um bagageiro no lugar da garupa. Com a experiência adquirida no deserto, os pilotos sabiam que fora da estrada quedas acontecem. Para isso, a R 100 GS PD trouxeram barras protetoras na carenagem, além de protetor de motor.

R 1100 GS - motor de quatro válvulas

R 1100 GS 1994 - Divulgação - Divulgação
R 1100 GS trazia um motor novo com quatro válvulas por cilindro, 1.085 cc e 80 cv de potência máxima
Imagem: Divulgação
Para atender às normas de emissão de poluentes mais rígidas, a BMW apresentou um novo motor boxer, de quatro válvulas e maior capacidade em 1993. No ano seguinte, nascia a nova R 1100 GS, a maior e mais potente enduro-turismo da época, como era chamado o segmento bigtrail.

Além do motorzão, a moto trazia uma inovadora suspensão dianteira. Batizada de Monolever, tinha apenas um amortecedor central, que isola o guidão das imperfeições do piso e dá mais estabilidade. A tecnologia é usada até hoje nas motos da marca. Para para os 243 kg dessa gigante, a BMW adotou freios com disco duplo, na dianteira, e simples, na traseira. Ambos com sistema ABS, uma raridade nas motos dos anos 90.

R 1150 GS - a 1100 "melhorada"

R 1150 GS movimento - Divulgação - Divulgação
Modelo tinha motor de 1.130 cc com 85 cv de potência e chegava a 195 km/h
Imagem: Divulgação
Lançado no mercado em setembro de 1999, a R 1150 GS tornou-se ainda mais bem-sucedida do que sua antecessora. Além do motor de maior capacidade cúbica, o modelo também ganhava uma nova identidade visual com dois faróis assimétricos, característica que perdura até hoje.

R 1150 GS Adventure - Para rodar o mundo

R 1150 GS Adventure  - Divulgação - Divulgação
Com uma completa gama de acessórios e tanque de 30 litros, a 1150 GS Adventure foi criada para longas viagens
Imagem: Divulgação
A R 1150 GS "Adventure", que chegou ao mercado em 2002, foi uma versão criada para os aventureiros. Com suspensões de curso mais longo, para-brisa alto, assento único e protetor de cárter mais resistente, a GS Adventure era a opção ideal para os motociclistas que procuravam uma moto versátil para longas jornadas. Afinal, seu tanque tinha 30 litros de capacidade. Até hoje, as BMW GS contam com uma versão mais preparada para longas viagens, batizadas de Adventure.

R 1200 GS - Mais leve e ágil

R 1200 GS 2004 - Divulgação - Divulgação
Completamente remodelado, o modelo trouxe um motor de 1.170 cm³ e 98 cv de potência que podia levar a bigtrail a mais de 200 km/h
Imagem: Divulgação
Em 2004, a R 1150 GS foi substituída pela R 1200 GS. Mas não se tratava apenas de um novo motor, a R 1200 GS era completamente nova, dos pés à cabeça. Embora mais sofisticada e potente, o novo modelo era consideravelmente mais leve: pesava surpreendentes 225 quilos, cerca de 30 kg a menos do que sua antecessora.

A R 1200 GS estabeleceu novos padrões em termos de agilidade, dinamismo e comportamento de pilotagem. O modelo também trouxe inovações tecnológicos como a suspensão eletronicamente ajustável (ESA), disponível a partir de 2008, e que permitia ao piloto configurar a regulagem do conjunto por meio de um botão no punho.

R 1200 GS - Refrigeração líquida

R 1200 GS 2013 - Mario Villaescusa/Infomoto - Mario Villaescusa/Infomoto
Além do motor mais potente, com 125 cv, GS ganhava suspensão semi-ativa e modos de pilotagem em 2013
Imagem: Mario Villaescusa/Infomoto
Pela primeira vez em quase um século, o motor boxer, com dois cilindros opostos e característico da BMW, ganhava arrefecimento líquido. A R 1200 GS, lançada em 2013, melhorou ainda mais seu desempenho e ficava cada vez mais moderna. A suspensão tornou-se semiativa, ou seja, adapta-se às condições do piso e peso do piloto, e o modelo ganhou cinco modos de pilotagem, além de controle de tração mais preciso e freios ABS mais seguros.

R 1200 GS que anda sozinha

R 1200 GS autônoma  - Divulgação - Divulgação
Bigtrail alemã foi primeira motocicleta completamente autônoma do mundo
Imagem: Divulgação
No final de 2018, uma R 1200 GS foi o modelo escolhido pela BMW para demonstrar sua tecnologia de condução autônoma para motos. O sistema fazia com que a moto se movimentasse de forma totalmente independente sem nenhum piloto. A moto acelera, dá voltas em uma pista de testes e desacelera sozinha até parar.

R 1250 GS

R 1250 GS  - Divulgação - Divulgação
Mais recente geração ganhou motor maior e com comando de válvulas variável: com 1.254 cm³ produz 136 cv de potência máxima
Imagem: Divulgação
Como o nome denuncia, uma das principais novidades da nova R 1250 GS, mostrada em 2018, era o motor de maior capacidade cúbica. Além de maior e mais potente, o novo propulsor de dois cilindros opostos trouxe comando de válvulas variável. O sistema, batizado de ShiftCam pela BMW, oferece uma melhor entrega de potência e torque ao longo de todas as faixas de rotação do motor, além de consumir menos combustível e poluir menos, de acordo com a marca.

O modelo também ficou mais "conectado". A bigtrail ganhou painel de TFT de 6,5 polegadas que permite conectar o celular por Bluetooth ao painel e controlar as funções por meio multi-controlador existente no punho esquerdo da moto. Outra novidade são os faróis de LED de série em todas as versões. O modelo, que já testamos, trouxe novidades e inovações, que mostram como a GS evoluiu ao longo desses 40 anos. Só não mudaram seu espírito aventureiro e sua legião de fãs: em 2020, o modelo é o mais vendido da BMW no Brasil, com 1.003 unidades emplacadas até maio.