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OPINIÃO

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Restos de rico: 5 carrões usados para ostentar que são a maior cilada

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Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL

07/04/2022 04h00

Apaixonados por carros adoram navegar nos classificados de usados e sonhar com os mais diversos modelos disponíveis. Veículos de marcas de luxo são os mais cobiçados, pois geralmente entregam mais desempenho, tecnologia, conforto e segurança por preços bem mais acessíveis do que quando eram novos.

Claro que a expectativa é conseguir um bom negócio, mas nem sempre é o que acontece de fato. Concretizar o sonho de ter um carrão de luxo na garagem pode até ser fácil, o problema é quando ele vira um pesadelo. Isso sempre acontece quando um alto custo de reparabilidade é detectado, algo bem comum de se acontecer em carros de marcas de luxo.

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São carros conhecidos como "restos de rico", termo que o leitor provavelmente já escutou. Alguns preferem chamar de "lasanhas", outros pegam mais pesados e chamam de "bomba" mesmo.

Como a tentação é grande, não pretendo convencer ninguém a desconsiderar um "resto de rico" na garagem. Mas tem alguns que devem ser evitados por apresentarem problemas recorrentes e que deixam grandes rombos nas finanças de seus donos. Vamos a eles:

Mercedes-Benz com motor M271

Mercedes-Benz CLA 200 2014 - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
Imagem: Murilo Góes/UOL

Com porte de sedã médio e opções de motores compactos, o Mercedes-Benz Classe C é um dos favoritos para quem querem ingressar no mundo dos carros de luxo. Mas não se engane: como todo modelo da marca alemã, o custo de manutenção é bem alto.

O motor M271, presente nos modelos C 180, C 200, C 250, SLK 200 e CLK 200 entre os anos 2008 e 2013, apresenta problemas com desgastes prematuros nas engrenagens do comando de válvulas.

É bom evitá-los, caso não queira correr o risco de ter que assumir o custo desse reparo, que passa facilmente dos R$ 10 mil. Felizmente, a geração seguinte desse motor, M274, deixou de apresentar esse problema.

BMW com motor N46

BMW X1 2010 - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
Imagem: Murilo Góes/UOL

Quando um BMW passar por você com uma fumaça preta saindo do escapamento, são grandes as chances de ser um modelo equipado com o motor N46. Trata-se de um motor 2.0 aspirado, presente nos modelos 320i, 120i e X1 entre os anos 2010 e 2012.

O principal defeito desse motor está na vedação da tampa e nos retentores de válvulas, que acaba desencadeando outros problemas devido ao óleo que vaza por ela. Por conta disso e de não entregar o desempenho que se espera de um BMW, os modelos equipados com esse motor são mal vistos no mercado de usados e devem ser evitados.

Volvo XC60 com transmissão de dupla embreagem

Volvo XC60 2014 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O Volvo XC60 fez muito sucesso em todo o mundo devido ao seu belo desenho. Hoje, no mercado de usados, os modelos dos primeiros anos são baratos e atraem interesse de muitos que querem pagar pouco num SUV de luxo. Mas é bom evitar os equipados com motor 4 cilindros até o modelo 2014, isso porque a transmissão desses motores é a automatizada de dupla embreagem.

Outros modelos, como S60, V60 e C30, também foram equipados com essa transmissão, mas é no pesado XC60 que ela sofre mais. Trocar as embreagens, que não costumam durar mais que 50 mil km, pode custar mais de R$ 10 mil. Os XC60 mais confiáveis são os 6 cilindros de qualquer ano, e os 4 cilindros pós 2015, que são equipados com transmissões automáticas convencionais.

Land Rover com suspensão a ar

Os famosos jipões da Land Rover, definitivamente não são para qualquer bolso. Infelizmente, nem todos entendem isso e continuam se aventurando no mercado de usados. Na primeira visita ao seu mecânico, é bom prepara o coração antes de receber um orçamento do custo dos serviços e das peças.

Já são clássicas as cenas de modelos que precisam ter a carroceria separada do chassi para poderem passar por manutenções corriqueiras. Outro problema comum e caro de se resolver, são as bolsas de ar dos modelos equipados com suspensão pneumática.

Se a tentação em colocar um Land Rover na garagem for grande, pelo menos evite os modelos e versões com esse tipo de suspensão. Opte pelos que são equipados com molas comuns, do tipo helicoidais, assim é uma coisa a menos para ter dor de cabeça.

Porsche Cayenne barato

Porsche Cayenne - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Por maior que seja a desvalorização de carros de marcas de luxo, alguns conseguem segurar seus preços ao longo dos anos por serem veículos com apelo colecionável, que geralmente trocam de mão entre pessoas que valorizam e podem mantê-los sem muitas dificuldades. Acontece isso com os esportivos da Ferrari e Porsche, por exemplo.

Mas nem tudo é colecionável nessas marcas, como o SUV Cayenne da primeira geração, que durou até 2010. Dependendo do ano, custa tanto quanto um Fiat Mobi zero-quilômetro, só que continua sendo um carro para pessoas com muito dinheiro.

As peças de reposição são similares às de carros esportivos, onde tudo é pensado para desempenho e exige tecnologia de ponta e uso de materiais nobres. Precisa estar com alguns parafusos a menos na cabeça para cogitar a compra de um Porsche Cayenne barato.

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