PUBLICIDADE
Topo

Caçador de Carros

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Corolla e Civic usados x City novo: qual vale mais a pena ter na garagem

Conteúdo exclusivo para assinantes
Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL

02/12/2021 04h00

Na semana passada, a Honda apresentou a nova geração do City para o Brasil. O modelo deve chegar às concessionárias somente em janeiro, mas os interessados já podem comprar através de pré-venda.

Além do sedã, presente em nosso mercado desde 2009, esta nova geração terá a inédita carroceria hatch, que deve assumir o espaço do Fit no ano que vem, quando deixará de ser fabricado pela Honda do Brasil.

  • O UOL Carros agora está no TikTok! Acompanhe vídeos divertidos, lançamentos e curiosidades sobre o universo automotivo.

Tudo leva a crer que o City continuará sendo um modelo muito bem aceito pelo brasileiro, seja no mercado de novos ou de usados. Os números de vendas podem não sugerir isso, já que ele nunca ficou entre os 20 carros mais vendidos do país. Sua melhor posição foi no ano de 2010, quando emplacou pouco mais de 35 mil unidades e terminou o ano como o 23º mais vendido.

Desde 2016, quando já estava da segunda geração, o City passou a ser um coadjuvante nos showrooms das concessionárias Honda. Sem os importantes controles de estabilidade e tração e tendo que dividir espaço com o queridinho HR-V, suas vendas caíram bastante, a ponto deste ano ter emplacado menos de 6 mil carros entre janeiro e outubro.

Outro ponto que não favorece as vendas do City é o fato de a Honda optar por não priorizar as vendas diretas - para frotistas como locadoras, por exemplo -, que hoje são responsáveis por boa parte dos carros emplacados no Brasil.

De qualquer forma, volto a dizer que o City é um carro bem aceito, basta pesquisar a opinião de quem tem ou já teve. No mercado de usados, vende como pãozinho quente na padaria. Sendo assim, que venha para somar e fazer bonito em nosso mercado.

Mas será que vale a pena considerar a compra do novo City? Com preços que estão na faixa entre R$ 110 e 130 mil, não dá para dizer que ele é acessível. Um Chevrolet Cruze, por exemplo, que é um sedã de uma categoria superior e com motor bem mais potente, começa exatamente nos R$ 130 mil - e, ao meu ver, é muito mais negócio.

Se formos para o mercado de usados, a minha especialidade, fica ainda mais difícil de considerar a compra do novo City. Vejamos a comparação com dois sedãs campeões na categoria dos médios, o Honda Civic e o Toyota Corolla. Vou considerar o Civic Touring 2017, com Tabela Fipe de R$ 123 mil, e o Corolla GLi 2020, com preços na faixa de R$ 121 mil.

Dimensões

O City sempre foi um carro espaçoso e cresceu ainda mais nessa nova geração, mas obviamente continua menor que os sedãs médios, principalmente na distância entre-eixos. Tanto o Civic como o Corolla têm 10 cm a mais nesse quesito, algo que melhora consideravelmente o conforto para os passageiros.

Mecânica

O pequeno motor 1.5 do City é surpreendente. No ano passado viajei com minha esposa em um City LX e ele superou minhas expectativas. A nova geração promete ser ainda melhor, pois adotou injeção direta de combustível e ganhou alguns cavalos de potência.

Ainda assim, pouco quando comparado com Civic e Corolla usados. Claro que eles são mais pesados, então vamos considerar os dados da relação peso/potência. No Civic são apenas 7,7 kg/cv e no Corolla são 7,8 kg/cv. Já o novo City são 9,3 kg/cv, número que não é ruim, mas bem mais alto que desses sedãs médios usados.

Conforto

Ainda não andei no novo City, mas se sua suspensão for calibrada como as das outras gerações do modelo, posso esperar um carro mais firme, sem tanto compromisso com conforto. Como ele mantém o conceito de eixo de torção na traseira, as irregularidades do solo não são tão bem absorvidas como no Civic e no Corolla (na geração atual), que utilizam suspensão multilink na traseira.

Já no isolamento acústico é de se esperar que o City seja mais ruidoso, já que é de uma categoria inferior, com construção mais barata e menos materiais fono-absorventes.

Dirigibilidade

Mais um ponto em que Civic e Corolla se sobressaem. A posição de dirigir desses carros é excelente, com a possibilidade do motorista ajustar o banco para uma posição mais baixa, que permite deixar as pernas mais retas. O corpo agradece em longas viagens.

Já o City, por ser o mais alto entre os três, sugere que o banco esteja em uma posição mais elevada. Some a isso o que já foi dito anteriormente, como motor mais potente e maior nível de conforto, fica claro que Civic e Corolla são bem mais prazerosos de serem guiados.

Preço

São três versões para o novo City: EX por R$ 108.300, EXL por R$ 114.700 e Touring por R$ 123.100 (em São Paulo, R$ 112.300, R$ 118.900 e R$ 127.700 respectivamente). São várias as combinações possíveis de Civics e Corollas usados dentro dessa faixa de preço.

Para o Civic da atual geração, que começa em 2017, usei o exemplo da verão Touring, a mais completa, mas é possível considerar modelos mais novos de versões mais simples, como um EXL 2019 que vale os mesmos R$ 123 mil.

Para o Corolla, é bom considerar de 2018 para cá, quando passou a ter controle de estabilidade e tração, e nesse ano daria para pegar com folga em relação ao novo City, mas eu aqui eu considerei a versão mais simples da atual geração, ou seja o GLi 2020 por R$ 121 mil.

Quer ler mais sobre o mundo automotivo e conversar com a gente a respeito? Participe do nosso grupo no Facebook! Um lugar para discussão, informação e troca de experiências entre os amantes de carros. Você também pode acompanhar a nossa cobertura no Instagram de UOL Carros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL