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Blocos de rua

Acadêmicos do Baixo Augusta quer levar 1 milhão de foliões às ruas até 2020

31.jan.2016 - Deixando a rua que dá seu nome, o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta desfila pela Av. Consolação, na região central de São Paulo, após acordo com a prefeitura. A mudança de local ocorreu devido ao número esperado de foliões. - Junior Lago/UOL
31.jan.2016 - Deixando a rua que dá seu nome, o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta desfila pela Av. Consolação, na região central de São Paulo, após acordo com a prefeitura. A mudança de local ocorreu devido ao número esperado de foliões.
Imagem: Junior Lago/UOL

Mateus Araújo

Colaboração para o UOL

19/02/2017 04h00

O Cordão do Bola Preta, no Rio de Janeiro, e o Galo da Madrugada, no Recife, já se habituaram em ser gigantescos blocos de Carnaval. Ambos recebem, a cada ano, mais de um milhão de foliões nas ruas. Essa multidão de gente é a meta que o Acadêmicos do Baixo Augusta, de São Paulo, espera bater até 2020, segundo um dos seus fundadores, o empresário Alê Youssef.

O Baixo Augusta, que desfila na rua da Consolação, neste domingo (19), a partir das 17h, foi criado em 2009, como uma brincadeira de amigos a fim de retomar o Carnaval de rua na cidade. “Era, e sempre foi, uma brincadeira entre amigos, amantes do bairro, pessoas ligadas de alguma forma ao bairro”, reforça Youssef. “Com o tempo, a série de dificuldades que a gente enfrentou para colocar o bloco na rua -- de uma espécie de conservadorismo praticamente tradicional na cidade com relação a Carnaval -- o bloco foi ganhando ares ativistas. Éramos um grupo de pessoas que ia engrossando cada vez mais o discurso e a pauta da possibilidade de ocupação das ruas. E isso foi um estopim para o bloco atrair cada vez mais gente.”

Hoje o bloco é o maior símbolo desse movimento, que nos últimos anos ganhou força na capital. Cerca de 300 mil pessoas devem acompanhar o Baixo Augusta, neste domingo. “Foi muito bonito descobrir que a gente estava envolvido numa causa muito importante para a cidade”, conta o empresário. Como símbolo político, a agremiação terminou se tornando um “aglutinador de demandas” das pessoas ligadas às questões sociais e urbanas de São Paulo, segundo Alê Youssef;

Alê Youssef no lançamento da camisa oficial do Acadêmicos do Baixo Augusta - Ricardo Matsukawa / UOL - Ricardo Matsukawa / UOL
Imagem: Ricardo Matsukawa / UOL
O aumento de público e a dimensão que o Acadêmicos do Baixo Augusta ganhou tem feito seus organizadores se prepararem para uma nova fase do bloco. “A gente vai para o ‘projeto multidão’. Queremos chegar a um milhão de gente, até 2020”, afirma Youssef.

Uma das ações de “profissionalização” do bloco inclui a criação de uma associação cultural, sem fins lucrativos, responsável por administrar a agremiação. “Temos a missão de fazer projetos sociais no bairro, lutar para a ocupação de rua e ter estrutura para fazer um bloco seguro, organizado”, conta. “Nós bancamos todos os banheiro químicos, bombeiros, brigadistas, seguranças, cordeiros; e ainda teremos dois trios elétrico gigantes para escoar o som.”

A ideia do Baixo Augusta, segundo Alê Youssef, é ir além do Carnaval. Durante todo o ano, o grupo vai criar ações sociais de formação e conscientização, na região do bloco. Atividades que estão ligadas, inclusive, ao tema do desfile de 2017: “Primeiramente, A Cidade É Nossa!”, sobre o direito dos cidadão de ocupar os espaços públicos. Alas especiais e fantasias ligadas ao tema fazem parte da festa de hoje, incluindo a da rainha de bateria, a atriz Alessandra Negrini, em defesa da preservação do verde e da natureza, em São Paulo.

Social

Neste ano, o Acadêmicos do Baixo Augusta criou uma ação junto com a marca Reserva, para o lançamento da sua camisa oficial. A peça custa R$ 120 e a cada uma vendida, com a ajuda da Associação Civil Banco de Alimentos, serão entregues cinco pratos de alimento para pessoas em situação de insegurança alimentar.