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Blocos de rua

Prefeitura estuda como cobrar blocos de rua para Carnaval de 2018 em SP

31.jan.2016 - Deixando a rua que dá seu nome, o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta desfila pela Av. Consolação, na região central de São Paulo, após acordo com a prefeitura. A mudança de local ocorreu devido ao número esperado de foliões. - Junior Lago/UOL
31.jan.2016 - Deixando a rua que dá seu nome, o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta desfila pela Av. Consolação, na região central de São Paulo, após acordo com a prefeitura. A mudança de local ocorreu devido ao número esperado de foliões.
Imagem: Junior Lago/UOL

Da Agência Estado, em São Paulo

21/01/2017 11h57

Os prefeitos regionais da Sé e de Pinheiros, região central e zona oeste de São Paulo, respectivamente, estudam formas de pedir contrapartidas a blocos de Carnaval e patrocinadores em 2018. Neste ano, dos 495 grupos cadastrados, mais da metade vai desfilar nessas regiões.

Na Sé, o número de blocos passou de 70 para 163. Eduardo Edloak, prefeito regional, disse estudar uma mudança para que o "ônus do evento" --logística e apoio da Companhia de Engenharia de Tráfego, limpeza, fiscalização, segurança-- não recaia sobre a Prefeitura. "Para o próximo ano, devemos fazer portarias que exijam um pouco mais de organização e estrutura. Principalmente contrapartida de patrocinadores, que são cada vez maiores, e devem compensar esse tipo de despesa."

Para este ano, a Prefeitura Regional já restringiu a concentração ou dispersão de blocos na Praça Roosevelt. "Foi impressionante como os moradores se organizaram e relataram danos e sujeira causados pela multidão. Por isso, decidimos restringir", disse o prefeito regional. Em 2016, cinco blocos fizeram a concentração na praça.

O desfile de grupos na Rua da Consolação ainda é estudado, especialmente aos domingos, quando a Avenida Paulista é fechada para carros. O único bloco que deve circular pela via é o Acadêmicos do Baixo Augusta --que manterá o mesmo trajeto do ano passado--, um dos maiores de São Paulo, que espera reunir 300 mil foliões.

Alê Youssef, um dos fundadores do Acadêmicos, disse que o diálogo para ajustes é importante. "É muito importante que o carnaval se mantenha livre, democrático e descentralizado. Porque essa não é a decisão de um partido ou de um político, mas uma conquista da sociedade que há anos vem batalhando pelo Carnaval."

O tema do Acadêmicos neste ano será "Primeiramente... a cidade é nossa", uma referência à ocupação dos espaços públicos de São Paulo. "Somos um bloco ativista e aproveitamos o carnaval para fazer uma reflexão ou crítica", disse Youssef. Durante o desfile, serão feitas intervenções artísticas. Segundo um dos integrantes, uma delas será um grafite em um prédio.

Pinheiros

Na região de Pinheiros, onde o número de blocos passou de 78 para 111 neste ano, o prefeito regional Paulo Mathias de Tarso diz que já há uma negociação para que os blocos limpem a sujeira acumulada após o cortejo. Outra alteração é que a saída deve ocorrer até as 15 horas --no ano passado, era até as 17 horas. A dispersão deve ocorrer até as 20 horas, como já ocorria. Também aumentou o número de vias restritas, incluindo as Avenidas Rebouças e Brasil, além da Alameda Santos e da Rua Groenlândia.

Os blocos só podem cruzar essas vias. Dos 111 blocos, cinco desistiram de desfilar. Segundo Tarso, dois deles porque esperavam fazer o cortejo em avenidas maiores, como a Rebouças. "Eram mega-blocos de Salvador que se inscreveram pela primeira vez e queriam usar a Rebouças, mas dissemos não, porque não há condições de o bairro acomodar de forma segura e confortável." Questionada sobre as contrapartidas, a Secretaria de Cultura disse que "não há nada a adiantar" sobre o próximo ano.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.