Damares tem nova paralisia facial: qual é a relação com herpes-zóster?

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) foi hospitalizada na quinta-feira (7) no DF após ter uma paralisia facial. Ela foi internada após manifestar um incômodo no rosto.

Segundo boletim médico divulgado pelo Hospital DF Star, a parlamentar deu entrada no local com "dor aguda neuropática ocasionada por herpes-zóster". Em março, ela teve um primeiro episódio de paralisia facial. A equipe da parlamentar afirma que foi levada ao hospital depois de uma recaída da doença.

Qual a relação entre herpes-zóster e paralisia facial?

Cobreiro é o nome popular dado ao herpes-zóster, uma doença causada pelo vírus Varicella-zoster —o mesmo causador da varicela (ou catapora), cuja manifestação é uma erupção na pele que tem um formato que se assemelha ao volteio de uma serpente. Após um episódio de catapora, o vírus permanece silencioso nas terminações nervosas por anos até que, um dia, é reativado.

Uma dos efeitos mais temidos da doença é a dor neurálgica, que pode persistir mesmo após a recuperação das erupções cutâneas e se tornar crônica (neuralgia pós-herpética).

O vírus fica "adormecido" (latente) em gânglios localizados nos nervos espinais e cranianos (trigêmio, facial, etc.), e pode permanecer silencioso para o resto da vida.

Quando a doença se manifesta na face, o herpes pode atingir a região dos olhos, levando a uma inflamação na córnea conhecida como ceratite. Pode ocorrer ainda que nervos do ouvido ou da face sejam afetados e, nessa hipótese, a paralisia facial e a perda auditiva seriam complicações temporárias da doença, já que tais sintomas tendem a desaparecer ao final do quadro agudo.

Por que o vírus é reativado?

A literatura médica relata que a hipótese é que ele se manifeste quando há uma falha no sistema de defesa do corpo (é como se o vírus vencesse uma batalha contra o sistema imunológico), o que pode ser consequência das seguintes situações:

  • Infecção viral (como a covid)
  • Estresse
  • Idade avançada
  • Doenças crônicas (diabetes descompensado)
  • Uso de determinados medicamentos (quimioterápicos, imunossupressores, corticoides)
  • Imunossupressão (doenças como a Aids)
  • Presença de tumor
Continua após a publicidade

Como é feito o tratamento?

De acordo com os especialistas, a melhor forma de evitar esses quadros é não desprezar sintomas iniciais e prevenir-se por meio da vacinação.

O objetivo do tratamento é controlar a extensão, o tempo e a gravidade da doença, e se fundamenta no uso de medicamentos: antiviral oral (aciclovir ou seus derivados) e analgésicos. Estes, podem variar do mais simples até anestésicos potentes, a depender da gravidade do quadro e do grau de dor durante a manifestação aguda.

Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, menores são os riscos de complicações. E quando estas estão presentes, por vezes, é necessária a atuação de uma equipe multidisciplinar, o que inclui especialistas em dor, fisioterapeutas, psicólogos etc.

Os médicos de Damares comunicaram que a senadora está realizando tratamento medicamentoso e está estável clinicamente. Damares ainda não tem previsão de alta, segundo boletim médico divulgado na noite desta quinta-feira (7).

*Com informações de reportagem publicada em 19/04/2022.

Veja também

Deixe seu comentário

Só para assinantes