Pouca ejaculação, cor diferente: o sêmen pode dizer muito sobre sua saúde

Muitos homens têm vergonha de falar sobre saúde, ainda mais se o assunto for o funcionamento de seu pênis. Entre as dúvidas comuns estão: "Será que é possível aumentar o pênis na idade adulta?"; ou "Ele diminui com a velhice?"; ou "Dá para alterar o gosto do sêmen?".

Apesar de muitas dessas perguntas serem só por curiosidade, outros questionamentos podem ter um grande peso nos cuidados com o corpo.

O sêmen, por exemplo, dá sinais importantes se algo não vai bem. E, se você desconfia que algo está errado com sua ejaculação, não precisa perguntar para seu amigo como é a dele. Abaixo, tiramos algumas dúvidas sobre o assunto, apontamos o que é ou não comum e quando você deve procurar um médico.

1. Qual a quantidade normal de sêmen?

A quantidade produzida pelos homens pode variar: habitualmente, se espera de 2 ml a 5 ml de sêmen por ejaculação —e cada mililitro pode conter de 20 a 300 milhões de espermatozoides.

Idade, hidratação, dieta e fatores ligados à saúde influenciam nessa quantidade. Quando há diminuição do volume, geralmente associamos à desidratação, aumento de próstata, maior concentração de sódio no organismo e o uso de medicamentos.

Estes outros fatores também podem influenciar na alteração da quantidade de sêmen:

  • Desordens obstrutivas (após traumatismo testicular; obstrução nos ductos depois de dano por doença, inflamação ou congênito);
  • Cirurgia testicular;
  • Toxicidade testicular (causada por radioterapia e quimioterapia, esteroides anabólicos e infecção ou inflamação nos testículos);
  • Infecções transmitidas sexualmente (clamídia e gonorreia, por exemplo);
  • Temperatura local aumentada dos testículos;
  • Abuso de álcool ou drogas e tabagismo;
  • Causas genéticas como síndrome de Klinefelter e anomalias nos genes que regulam a função testicular.

2. A idade influencia na quantidade e qualidade do sêmen?

Sim. Com o avanço dos anos, a próstata aumenta e, consequentemente, o volume de sêmen diminui. A idade ainda traz alterações genéticas que podem influenciar em uma pior qualidade do esperma. A partir dos 50 anos, essa redução na qualidade pode levar a um risco maior de má formação do feto.

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3. A cor pode indicar que há algo errado com a saúde?

Sim. Sangue no sêmen, hemospermia (tingimento pela cor marrom ou vermelha) ou cor amarelada forte podem significar doença inflamatória, infecciosa ou até mesmo neoplásica —inclusive, câncer da próstata. A falta de hidratação também pode causar uma variação no tom do esperma.

4. Existe algum problema em ficar muito tempo sem ejacular?

Não existe problema em ficar sem ejacular. Até há alguns estudos científicos que indicam uma diminuição do risco de câncer de próstata associado a uma maior frequência de ejaculação, mas não há comprovações suficientes para considerarmos essa informação válida.

5. Há algum outro sinal que o sêmen pode dar?

Sim. Mudanças do aspecto físico, em especial volume, odor e coloração podem sugerir alguma anormalidade. O paciente deve procurar seu médico para esclarecimentos apropriados. O especialista, provavelmente, irá solicitar uma avaliação do sêmen (espermograma), que é o início de uma verificação mais detalhada do que pode estar ocorrendo com o paciente.

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Fontes: Marcelo Bendhack, médico urologista e doutor pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) e Carlo Passerotti, urologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

*Com matéria publicada em 26/04/2019

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